12 Monkeys está retornando e promete surpreender – ainda mais – o seu público

Imagem: Syfy/Divulgação

Baseada em um dos filmes mais eletrizantes dos anos 90, a série 12 Monkeys – que voltará ainda em maio – poderá surpreender mais uma vez seus fiéis espectadores. Essa é, ao menos, a conclusão a que chegaremos se compararmos as duas primeiras temporadas da séria produzida pelo canal Syfy.

Fomos apresentados, na primeira temporada, a uma série baseada em um grosso de estrutura que facilmente se compara ao filme dirigido por Terry Gilliam. Um bom elenco, uma trama intensa e, finalmente, uma profunda reflexão por parte dos produtores do Syfy que conseguiram – pelo menos um pouco – refrear seu ímpeto devastador de inundar uma série de efeitos especiais. Uma incrível mudança de gênero em um personagem tão brilhante quanto Jeffrey Goines, tornando-se Jennifer em uma brilhante interpretação da atriz Emily Hempshire, onde certamente alguns ânimos comparativos puderam ser acalmados.

Retornando para a segunda temporada, nos deparamos com uma significativa mudança na série. Um dos pontos mais relevantes dessa segunda temporada seria então o foco na relação entre personagens, que tomaria uma dimensão muito maior na narrativa da história do que o próprio conceito norteador da série – as viagens no tempo e a missão de James Cole – o que transformou, em boa proporção, a relação desta com seus fãs.

Em um primeiro momento, o distanciamento entre Cole e Cass fora um ponto de estranhamento, acredito, que para a grande maioria. Em um primeiro ponto, temos aí uma abordagem mais técnica que remete a própria obra mãe, estrelada por Bruce Willys e Brad Pitt, onde a própria narrativa tenta mostrar através de sua abordagem cronológica a fundamental diferença entre enredo e história.

Essa escolha baseou-se em uma teoria de narrativa que esteve presente vários filmes dos anos 2000, em uma tentativa de trazer uma estrutura própria a essa produções que ficou conhecida como narrativa retrospectiva. Essa técnica ou teoria buscava evocar uma nova forma de se fazer suspense, como Nolan com Amnésia (2000), Richard Kelly com Donnie Darko (2001) ou Michel Gondry com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004).

Em um segundo ponto, sobre a narrativa da própria série e numa perspectiva menos teórica, a intenção é também trazer o espectador para junto da trama, fazê-los questionar os caminhos que levaram dois personagens tão próximos a se distanciarem, torcer para que se aproximem ou se distanciem, quase beirando ao novelesco. É uma tentativa, por parte dos produtores, de fazer com que os espectadores se relacionem com a série em um nível mais íntimo, o que foge em boa proporção da obra dos cinemas tanto quanto da primeira temporada em si.

Até mesmo Katarina Jones, cuja aura ameaçadora e sua objetividade colocavam de lado seus anseios sentimentais foi trazida para junto dessa nova perspectiva romantizada da série. Todo o elenco, em certa perspectiva, passou a adotar o famigerado conceito norteador do gênero sitcom na tentativa de estabelecer uma “grande família” como forma de sustentar a série.

Talvez não tenha sido tão proveitoso em uma série onde o contexto dramático apresentava uma sutileza que se desencadearia em algo tão devastadoramente romântico, como naquele expresso no filme. Muito provavelmente esse fator tenha jogado para escanteio todo o plot da série e seja bem difícil tornar a aborda-lo como antes, o que deixa uma grande interrogação para a série nesta vindoura terceira temporada.

Por: João Sampaio

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