A “The O.C. de heróis”: Marvel’s Runaways é leve, com texto intrigante e inteligente

Imagem: Hulu (Divulgação)

A Marvel, às vezes, se superestima.

Não me levem a mal mas certas produções da editora, por muitas vezes, recebem um valor bem além do que merecem. Thor: Ragnarok, é a prova viva. Uma produção que zomba da inteligência do espectador e que traz um roteiro repleto de piadas exageradas é aclamado pela crítica. Soa como se os produtores tivessem pensado, “vamos escrever qualquer porcaria, eles vão gostar mesmo…“. Pois fiquem tranquilos: Marvel’s Runaways passa longe de sofrer este mal, tratando o espectador como alguém que merece uma ótima produção.

A adaptação de uma das HQs mais intrigantes da editora Marvel consegue captar justamente essa atmosfera para a TV. Ao mesmo tempo, o tom leve e característico das produções da Marvel Studios é colocado a bordo, mas levado a um nível extremamente inteligente.

Não que a Marvel não tenha feito coisas inteligentes nos cinemas como Capitão América 2, ou na TV como Demolidor, Jessica Jones e Justiceiro. Mas compreendam: as séries da Netflix estão em um outro patamar. É um tom muito sério, sombrio, violento… bem distinto do universo da franquia cinematográfica. Marvel’s Runaways nada contra essa corrente, e vai de encontro à atmosfera cinematográfica. Porém, anda com personalidade própria.

Produzida em formato de série pelo Hulu, plataforma de streaming nos EUA, a série é conduzida por um tal Josh Schwartz. Esse nome lhe soa familiar? Sim meus caros, o nome por trás de The O.C. é o grande responsável por Marvel’s Runaways. E sua bagagem televisiva se torna um trunfo ao desenvolver a série dos heróis adolescentes.

Chamar Marvel’s Runaways de “The O.C. de heróis“, como eu vi por aí, é bem porco. Mas, de certa forma, capta parte de sua essência. Isso porque, goste ou não, os protagonistas são apenas adolescentes aparentemente comuns, com problemas comuns do ensino médio. Só que mais do que jogar problemas, Schwartz se preocupa em apresentar a essência de cada um deles. Como se fosse um Clube dos Cinco da era moderna, o roteiro destaca que há um geek, um jogador, a garota popular, a estranha, a anti-social, se preocupando em atingir a essência de cada um deles, em um mundo de aparências, futilidades e vontade de se destacar perante os outros.

Mas há um motivo para cada um deles soarem arrogantes ou sem sentimento: a perda de um integrante do grupo de amigos fez com que eles se separassem. Antes unidos, agora são completos estranhos. Vocês podem achar que passar quase 40 minutos do piloto apenas introduzindo personagens ou explorando um pouco de suas histórias individuais é perda de tempo. Mas já notou como muitos pilotos não se preocupam em fazer isso? E aí, quando chegam ao final do primeiro contato o público passa batido na conexão com os personagens? Runaways segue a linha oposta e consegue muito bem fazer com que o os personagens se conectem com o público. Nem que fosse preciso gastar quase todo o piloto para isso.

Claro, pode ser massivo para quem não conhece a história. Mas sem entregar muito spoilers, o grosso é dado como indício na montagem final e isso é extremamente animador. A história de Runaways nos quadrinhos é simples, mas ao mesmo tempo bem complexa. Esses garotos possuem super-poderes. Mas isso é levado a outro nível quando eles descobrem que seus pais são, na verdade, uma ceita chamada Orgulho. A partir daí, o nome Os Fugitivos faz sentido, uma vez que eles resolvem se rebelar contra os pais e transformarem seus familiares em antagonistas. O Twist? Um dos heróis se torna aliado dos vilões e, a partir daí, muitas reviravoltas acontecem na trama. Obviamente, não vou entregar quem ou o porquê. Mas vale a pena ficar na expectativa.

Com um texto inteligente, que disseca a essência dos personagens, somado a atuações interessantes dentro da proposta da série, o universo de Molly, Nico, Karolina, Gert, Alex e Chase é introduzido como o de qualquer adolescente. Desde a necessidade de auto-afirmação até a prática de bullying e exclusão na escola, tudo passa no roteiro de forma necessária e relevante.

Ao final dos pouco mais de 50 minutos, você já se vê envolvido com a trama, e sentindo a vontade de continuar a explorar essa aventura.

Encontrando o equilíbrio perfeito que muitas produções da Marvel passam longe de descobrir, Marvel’s Runaways é perfeita para agradar ambos os públicos: aqueles que gostam de um tom mais leve e despreocupado sobre heróis; e aqueles que preferem um roteiro mais inteligente, mais trabalhado e menos preocupado em fazer as pessoas só rirem.

Como disse anteriormente, não há a necessidade de comparar essa série com produções como Demolidor e Justiceiro, mas Marvel’s Runaways conseguiu um feito que quase nenhuma delas conseguiu: ser ótima e interessante logo no primeiro episódio.

Manda mais Hulu, que a gente agradece!

Marvel's Runaways - Piloto

Nota do Episódio

Crítica do primeiro episódio de Marvel's Runaways

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About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.