Além de Séries: Mulher Maravilha é o filme que todo fã de quadrinhos precisava

Imagem: Warner Bros./Divulgação

A sensação ao sair da exibição de Mulher Maravilha foi a de alguém retirando um peso das minhas costas. Peso esse que, nós fãs da DC Comics, carregamos desde a fria recepção de O Homem de Aço (2013). O fato é que desde quando Cristopher Nolan lançou seu último Batman em 2012, a editora não conseguiu emplacar um sucesso nos cinemas, deixando a Marvel reinar absoluto entre crítica e popularidade. O período de seca aparentemente terminou.

A diretora Patty Jenkins, que ainda não tinha nada de relevante em seu currículo, assumiu a missão de trazer a Amazona em uma aventura solo para o cinema e a cumpriu com êxito. Com uma estrutura bem “classicão”, lembrando em certo aspectos a condução do Superman de Richard Donner, a narrativa do filme acerta em contar a origem da heroína e a sua transição para nosso mundo. Esse acerto é fundamental para entendermos a complexidade da personagem que já havia roubado a cena em Batman vs. Superman: A Origem da Justiça. Diana começa o filme inocente, ingênua… e a medida que entra em contato com o “mundo que não a merece”, ela adquire a malícia vislumbrada no filme do homem de aço e do homem morcego. Essa malícia torna-se necessária para ela enfrentar a maior vilã do filme: a Primeira Guerra Mundial. É incrível como que o pano de fundo histórico é colocado no filme e torna-se fundamental para o seu desenvolvimento. Mais do que narrativa, o evento torna-se uma personagem essencial para o funcionamento do longa.

Imagem: Warner Bros./Divulgação

Falando em funcionamento, o elenco é, talvez, um dos aspectos mais brilhantes de toda a composição de Mulher Maravilha. Gal Gadot é a mulher ideal para interpretar a personagem e ela prova isso mais de uma vez. Lembra quando você viu Christopher Reeve voar pela primeira vez no papel do Superman e pensou “É, ele é realmente o homem de aço”? Esse é o sentimento ao observar Gadot dando vida à personagem, que só havia sido interpretada até hoje por Lyinda Carter na clássica série dos anos 1970. Gal Gadot mescla inocência e sensualidade, mas além de tudo um senso de responsabilidade – talvez refletindo o real sentimento que a atriz tinha ao encabeçar este filme. Palmas também para Chris Pine, que com seu Steve Trevor soube dividir tela com a personagem, sem a necessidade de tentar roubar a cena. O personagem coloca-se no seu lugar e deixa a heroína assumir o papel que, geralmente, é o posto de um homem nestes filmes de quadrinhos. Este, sem dúvidas, é o grande ponto do filme. Também precisamos ressaltar todo o núcleo de Temiscira, principalmente Robin Wright, que traz toda sua imposição adquirida na série House of Cards para sua Antiope. Personagens fortes que ressaltam a essência natural de um longa que se desprende da realidade.

Cenograficamente o filme funciona em todos os sentidos. A fotografia está deslumbrante, com cenas maravilhosas e lutas muito bem coreografadas – refletindo a influência do produtor Zack Snyder, que também assinou a história. As cenas se responsabilizam em mostrar os movimentos da Amazona com precisão, e deixam claras que a todo momento nossos olhos estão voltados para a Mulher Maravilha, e apenas para ela. A forma como a personagem domina a tela é de uma categoria sem igual, que faz você vibrar, torcer e nem ver as 2h20 passarem. Ao final do longa você se pergunta: “posso assistir de novo?”.

Imagem: Warner Bros./Divulgação

Mulher Maravilha torna-se um sopro de vida ao Universo DC nos cinemas, conquistando público geral e crítica. Esse que vos escreve é fã assumido da editora. Defendi O Homem de Aço, gostei da versão estendida de Batman vs. Superman e não saí reclamando de Esquadrão Suicida. Sempre esperei o momento em que a DC seria reconhecida pelo público, e essa hora chegou. O que fica agora é a vontade de que este universo de filmes permaneça na fórmula usada em Mulher Maravilha, e que Liga da Justiça consiga refletir este sucesso a fim de que tais histórias finalmente possam decolar. É o filme que todos nós precisávamos.

E quem diria que a DC ia conseguir seu primeiro sucesso com o primeiro filme de heróis da história protagonizado por uma mulher… Isso sim é #GirlPower!

Manda mais DC. A gente agradece…

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About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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