Animais Fantásticos e Onde Habitam | A soberania de um universo

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Imagem: Warner Bros.

 

Em 2001, eu, um menino de onze anos de idade, ia ao cinema com uma camiseta de Hogwarts assistir Harry Potter & A Pedra Filosofal. Saindo da sessão, com um sorriso enorme sorriso no rosto, eu tinha plena consciência de que as histórias daquele menino bruxo mudariam a minha vida.

E de fato, mudou. Assim como uma extensa parte da minha geração, cresci lendo os livros e acompanhando os filmes do universo mágico criado por J. K. Rowling. Durante muito anos foram aqueles personagens que me ensinaram valores básicos como amizade, lealdade e honestidade.

Não me envergonho de dizer que no fim da saga, mais precisamente no final de Harry Potter & As Relíquias da Morte – Parte 2, eu me debruçava em lágrimas junto do meu melhor amigo que me acompanhou em todas as estreias dos filmes. “É o fim!”, nós repetíamos caindo em lágrimas. Mas não. O epílogo das aventuras de Harry foi apenas o começo para difusão da soberania daquele universo.

Peculiarmente, em 2013, a Warner Bros. anunciou a adaptação de Animais Fantásticos e Onde Habitam. A princípio a trilogia, que agora se estenderá por cinco filmes, causou certo receio entre os fãs da franquia. “Porque adaptar um livro didático quase sem importância na trama?”, eu me fiz essa pergunta por muito tempo.

Imagem: Warner Bros.

Eis que ontem, durante a pré-estreia do filme, a novata (em roteirização) J. K. Rowling respondeu a minha indagação de forma esplêndida. Pode até parecer uma história sobre Newt Scamander (Eddie Redmayne) tentando recapturar criaturas mágicas na Nova Iorque de 1920. Porém, ela faz mais, ela amplia o mundo de Harry, Rony e Hermione. Ela agrega tudo o que já conhecemos e solta pequenas pistas de como aquele universo é muito maior do que pensamos.

Como já dito, a trama principal persegue Newt Scamander tentando recapturar suas criaturas mágicas que acidentalmente fugiram pela cidade de Nova Iorque. Seria simples se não fosse pelo fato das ligações com informações que já tínhamos, logo no início já temos a ciência da presença de Grindewald (Jhonny Depp) na trama, o maior bruxo das trevas antes de Voldermort.

Rowling também encontrou uma maneira certeira de retratar a dualidade. Os momentos obscuros são sempre de Credence e Graves acompanhados de uma fotografia com tonalidade de cores frias, enquanto as cenas de encantamento são sempre de Newt e suas criaturas coloridas.

Se David Yates, diretor do filme, injetou cenários e cenas regadas a efeitos visuais, o roteiro de J.K. chamou a atenção por retratar de maneira singela as militâncias pelas quais a escritora luta. Como por exemplo, a figura máxima da MACUSA (uma espécie de Ministério da Magia americano) ser uma mulher negra e totalmente empoderada.

Eddie Redmayne faz um bom trabalho ao entregar um protagonista por muitas vezes tímido, mas que vai se soltando ao longo do filme e termina nos fazendo querer saber mais sobre misterioso magizoologista. Katherine Waterson, Alison Sudol e Dan Fogler (Tina, Queenie e Jacob) funcionam como espécies de pedestais para que o protagonista cresça na história, mas também fazem um belo trabalho.

Ezra Miller e Colin Farrel (Credence e Graves) contrastam a parte vilanesca do filme, deixando um espaço pequeno para Jhonny Depp (Grindewald). A participação do icônico intérprete do pirata Jack Sparrow serviu unicamente para mostrar o visual do personagem e dar uma dica (óbvia) dos futuros filmes.

O sentimento nos 131 minutos de filme foi de retorno ao saudoso universo de Harry Potter. Mas Animais Fantásticos e Onde Habitam consegue ampliar pensamentos a cerca do mundo bruxo e te deixar com muitas dúvidas sobre o futuro desse universo e até onde ele pode chegar. Os fãs da saga estão mais maduros e a franquia tende acompanha-los. Fico feliz de voltar ao mundo bruxo e espero permanecer nele por muitos e muitos anos.

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About Alessandro Alves

Goiano, farmacêutico, nerd e Team Capitão América. Já viveu um romance platônico com a Princesa Leia de Star Wars e não sobreviveria um dia sequer nos Jogos Vorazes. Não dispensa uma xícara de café acompanhada de uma boa série e sente saudades eternas de Skins e The Good Wife. No Mix escreve a coluna Mix Discussão e as reviews de Legion.

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  • Jeh Mari

    Também sofri horrores com o fim de HP e vou sofrer todas as vezes que ver os filmes. Sdds daquele tempo!

  • Richard Gonçalves

    Um texto excelente. E fez o potter head em mim ficar ainda mais ansioso para ir ver o filme.

  • Lucas Franco

    Um filme incrível, com efeitos geniais e emocionantes que ampliam nosso conhecimento do mundo bruxo <3 O texto trouxe todos os sentimentos que tive no cinema, parabéns Ale 😀

  • Álefe

    Muito bom texto. Compartilho e muito dos sentimentos, Ale. Eu sai da sala do cinema sem palavras, encantado com a maravilha que foi ser transportado novamente para o mundo mágico da JK. Como amo essa mulher!!