As melhores séries de 2017, de acordo com a equipe do Mix

Imagens (de cima para baixo): Netflix/ Hulu/Divulgação

2017 está quase acabando. Você provavelmente não cumpriu suas metas de ano (ninguém cumpre), mas aposto minha assinatura da Netflix que você assistiu muita coisa. Foi um ótimo ano para minisséries e adaptações de livros, um ótimo ano para atuações memoráveis e um ótimo ano para produções que tentam jogar alguma luz nos problemas da sociedade.

Pensando nisso, a equipe do Mix se reuniu para escolher as melhores séries de 2017, passando por gêneros de drama, suspense, ação, crime, mistério e fantasia. Confira as nossas escolhas no Top 10:

10. Law & Order True Crime: The Menendez Murders

Imagem: NBC/ Divulgação

Para quem assistiu a American Crime Story: The People v. O.J. Simpson e acredita que verá um formato similar em Law & Order: True Crime, é importante ressaltar que mesmo ambas as produções bebendo da realidade para construir e desenvolver suas histórias, elas não poderiam ser mais diferentes.

Diferentemente da série antológica de Ryan Murphy, True Crime foca apenas no caso, no julgamento e o que motivou tal crime a acontecer. O telespectador se vê demonstrando compaixão com dois assassinos, é verdade, mas o grande mérito desta minissérie, e o porquê de ela estar na nossa lista dos melhores do ano, é a força da sua protagonista, a sempre maravilhosa Edie Falco, e a maneira coerente na qual o roteiro escolheu contar essa história.

De acordo com recentes declarações de alguns produtores, é possível que a NBC produza uma segunda temporada focada no atentado de Oklahoma City durante a década de 1990.

– Bernardo Vieira

 9. Feud: Bette and Joan

Imagem: FX/ Divulgação

Ainda no terreno das produções baseadas em fatos reais, temos a maior rixa do último século contada com uma honestidade cruel. No centro desse conflito, duas das maiores atrizes dos anos dourados do cinema: Bette Davis e Joan Crawford. Davis e Crawford eram grandiosas, bem sucedidas, famosas; seus filmes arrecadavam milhões e seus nomes sempre figuravam nas grandes premiações. Daí uma rivalidade nasceu. Mas por trás dessa rivalidade não teria uma indústria machista, destrutiva com as mulheres? Uma indústria que coloca prazo de validade em suas atrizes? É nisso que Feud mergulha ao longo de sua primeira temporada. Bette and Joan é, acima de tudo, um conto sobre duas pessoas sobrevivendo ao lado esmagador de Hollywood. Nos papéis de Crawford e Davis estão, respectivamente, Jessica Lange e Susan Sarandon, em performances espetaculares.

8. How to Get Away with Murder e Grey’s Anatomy

Imagens: ABC/ Divulgação

Empatadas em oitavo lugar estão as duas maiores séries da Shondaland. Às vezes guilty pleasure, às vezes entretenimento de primeira, Murder e Grey’s permanecem adoradas pela nossa equipe. Sim, elas podem sofrer com o desgaste em certos períodos, especialmente Grey’s Anatomy por estar no ar por tanto tempo, mas se tratando de séries para relaxar no sofá depois de um longo dia, essas são opções maravilhosas. HTGAWM continua viciante em seus suspenses tanto quanto os dramas médicos de Meredith continuam emocionantes. Com um top dez tão “sério” é muito bom ter opções para relaxar. As duas retornam em janeiro após o hiato de fim de ano.

7. The Leftovers

Imagem: HBO/ Divulgação

Queridinha do autor que vos escreve, amada pela crítica, mas totalmente ignorada pelo público, The Leftovers é uma joia perdida. Era óbvio desde o começo que ela não ia durar muito – é difícil demais de digerir e com poucas explicações lógicas, – mas o que foi mostrado até hoje é mais do que suficiente. Para aqueles que não estão familiarizados, a série fala sobre o desaparecimento repentino de 2% da população mundial (140 milhões de pessoas evaporaram em pleno ar) e as consequências disso na vida daqueles que ficaram para trás. The Leftovers é uma viajem mental, lá no fundo, naquele lado machucado da mente, mostrando o reflexo de seres humanos apagados diante da falta de respostas. Uma tragédia que despertou tudo de obscuro e maluco que já tínhamos.

E que viajem foi essa última temporada… Cada episódio terminava deixando o telespectador de boca aberta com o que foi visto. Pra dizer o mínimo. Somando a tensão de um aparente fim do mundo na trama e as atuações maravilhosas de Justin Theroux e Carrie Coon, o resultado é uma das melhores séries de 2017. The Leftovers vai deixar saudades.

6. Game of Thrones

Imagem: HBO/ Divulgação

[CUIDADO COM OS SPOILERS]

Essa temporada foi uma síntese de tudo que os fãs de GoT estavam esperando para presenciar: reencontro de irmãos há muito afastados, exércitos sendo destruídos pelas chamas dos dragões, embates com White Walkers, Cersei e Dany cara a cara, a bunda do Jon Snow, etc e etc. Com apenas sete episódios, a sétima temporada de Game of Thrones usou de maiores recursos para criar episódios monumentais. Tudo que foi construído durante seis anos levou a esse momento, e agora só falta mais um pouco até o fim – que não deve ser menos do que épico também. Em uma temporada bem mais rápida, o fogo que era mantido em brasa antes, começou finalmente a queimar. Queimar forte. Dracarys!

5. The Good Doctor

Imagem: ABC/Divulgação

Baseada em uma série coreana de mesmo nome, The Good Doctor tornou-se logo um hit. Marcante, intensa e emocionante, se torna um diferencial na TV aberta ao abordar um médico autista como protagonista. Tal fato também a diferencia das demais séries médicas, que ficam na mesmice de casos da semana e relacionamentos entre médicos. The Good Doctor vai além e aborda o preconceito em torno de sua doença, mas também a capacidade do protagonista, vivido por Freddie Highmore (Bates Motel), em resolver as mais difíceis situações com sua inteligência e ingenuidade.

– Anderson Narciso

4. Stranger Things 2

Imagem: Netflix/ Divulgação

[POSSÍVEIS SPOILERS DA PRIMEIRA TEMPORADA]

Stranger Things 2 se inicia um ano após os eventos da primeira temporada. A vida está pacifica em Hawkins, Will está de volta, Joyce está namorando, a turma está reunida novamente. Aparentemente tudo bem… Mas um parasita se apossou do corpo de Will (tadinho do Will) e a partir daí as coisas começam a ficar meio tenebrosas.

ST 2 pegou tudo que foi bom em ST 1 – influências clássicas a filmes de aventura e horror dos anos 80, trilha sonora, tensão constante, elenco mirim exemplar, trama cheia de mistérios com algumas reviravoltas – e ampliou ainda mais. A história mais lenta do primeiro ano foi trocada por uma narrativa bem mais rápida e sem tempo a perder. Outro grande melhoramento é o vilão: um mero Demogorgon nada se compara com o Devorador de Mentes apresentado aqui, que além de mais inteligente, é mais poderoso e ardiloso.

Para combater esse vilão, os personagens precisaram evoluir e se aliar a alguns novos. Aqueles que já eram conhecidos em Stranger Things ganharam mais profundidade na segunda temporada –  destaque para a relação paternal que se formou entre Jim Hopper e Eleven -, já os novos personagens se encaixaram muito bem na trama. A nova amiga da turma, Max, ficou tão bem na série que parece que ela sempre fez parte do show.

Stranger Things 2 cumpriu, e superou, a expectativa gerada.

3. The Handmaid’s Tale

Imagem: Hulu/Divulgação

A série mais chocante do ano é também um retrato bem fiel da realidade. Em The Handmaid’s Tale, os níveis de fertilidade começam a cair no planeta, dando início a um regime totalitário fundado na teologia cristã. As mulheres que ainda são férteis se tornam servas cujo único propósito é a reprodução. A leitura é proibida. Assim como o livre arbítrio. A palavra de Deus é a maior. A podridão humana é exposta.

Handmaid’s é chocante não somente pelas cenas que são vistas – que incluem assassinatos públicos, torturas e mutilação genital daqueles que desobedecem as ordens impostas, – mas é chocante também porque tudo o que é retratado poderia de fato acontecer com a gente. Se estivéssemos nas mesmas circunstâncias, poderíamos ter o mesmo fim. O mesmo regime. Handmaid’s é um olhar pesado sobre a sociedade. O que alguns diriam, “é uma puta crítica social foda”.

Porém, toda essa crítica, cheia de intenções, cairia por terra sem um elenco competente e uma técnica narrativa e visual boa; seria só mais uma série forçada tentando ser mais do que realmente é. E The Handmaid’s Tale não é forçada, absolutamente não. Essa é uma adaptação excelente. Genial.

Um último parágrafo para louvar as atuações de Elisabeth Moss (Mad Men), Alexis Bledel (Gilmore Girls), Ann Dowd (The Leftovers) e Yvonne Strahovski (Chuck). Elas são a espinha dessa série maravilhosa.

2. This is Us

Imagem: Variety/Bryce Duffy

[SPOILERS DA PRIMEIRA TEMPORADA]

Em seu segundo ano, This is Us nos fez chorar muito. E olha que passou apenas metade da temporada… Tem muita água pela frente ainda, literalmente. A segunda temporada estreou bem impactante, contando mais sobre a morte de Jack. A bela trilha sonora e interpretações brilhantes deixaram os telespectadores emocionados.

Com episódios mais envolventes, a série mostrou que amadureceu e elevou o nível comparado à temporada anterior. Prova disso são os episódios finais (“Number One”, “Number Two” e “Number Three”) que aprofundaram mais na história de cada filho. Foi lindo de ver o que cada um aprendeu com seus pais quando eram mais jovens e o que estão usando agora na vida adulta. Vimos também que quando um cai, o outro se levanta… Queremos mais do amor dos Pearsons em nossas vidas, sim, por favorzinho!

– Paula Reis

1. Big Little Lies

Imagem: HBO/ Divulgação

Era mais do que óbvio quem iria ficar em primeiro. Essa produção da HBO reuniu três reconhecidas atrizes do cinema – Nicole Kidman, Reese Whiterspoon e Shailene Woodley – em um drama doméstico cheio de camadas.

A trama é bem simples e contada em flashbacks: três mães (Shailene, Reese e Nicole) se aproximam quando seus filhos começam a estudar na mesma escola. Mas por trás da vida aparentemente perfeita delas, existe um mar de problemas sérios. No fim, tudo explode em um assassinato. Não se deixe enganar pela simplicidade, Big Little Lies é ótima exatamente por isso. Ela se revela diante dos seus olhos.

O teor dramático é muito forte e as atrizes dão de conta do recado. Nas palavras do personagem de Billy Eichner em AHS Cult, “Nicole Kidman está transcendente”. E não é só ela. Shailene Woodley interpreta um de seus melhores papéis da carreira. Reese é a terceira estrela da santíssima trindade, e no restante do elenco da minissérie (agora série) Zoë Kravitz, Laura Dern, Alexander Skarsgård e Adam Scott.

Os temas retratados passam por violência doméstica, abuso sexual, competitividade, casamento, infidelidade e assassinato. Big Little Lies é extremamente real e por vezes dolorosa. Com grandes performances, essa série se estabeleceu como a favorita da nossa equipe no ano de 2017. Esperamos que a segunda temporada não estrague tudo.

Menções Honrosas

Mindhunter

Imagem: Netflix/ Divulgação

Mindhunter é realizada com a mesma precisão cirúrgica utilizada pelos agentes do FBI para desvendar crimes e caçar assassinos. Era o mínimo esperado de uma série criminal vinda de David Fincher, o diretor por trás de Seven, Garota Exemplar e Zodíaco. O que se vê na tela é um suspense bem construído, com riqueza visual e narrativa, ambas amparadas por um elenco em perfeita sintonia com seus personagens e tramas. Mindhunter faz um trabalho tão certeiro que os assassinos retratados aqui parecem tão reais que assustam só ao falar. A ambientação oitentista é perfeita, mal percebemos que a história não se situa nos dias atuais; a trilha sonora capricha e a edição costura linhas espaciais e temporais diferentes sem jamais perder o rumo ou ritmo. Temos aqui, talvez, a melhor estreia do ano.

– Matheus Pereira

The Sinner

Imagem: USA Network/Divulgação

The Sinner chegou discreta em agosto, sem muito furor, e acabou se transformando em uma bela surpresa. A recente adição da minissérie no catálogo da Netflix também contribuiu muito para sua popularização. Na trama, uma mãe, aparentemente comum, tem um surto durante um dia na praia e mata um homem a facadas. Ela não sabe o porquê de ter cometido o crime. Um detetive então começa a desenterrar seu passado para achar a motivação do assassinato.

The Sinner é o tipo de série que se você vê um episódio, você precisa ver os outros. O mistério da motivação do assassinato é tão interessante que consegue sustentas todos os oito capítulos do programa. Jessica Biel, que interpreta a protagonista e atua como produtora da série, está muito confortável no papel de Cora. The Sinner é um drama curtinho, mas de muito impacto, que dá pra ser visto em uma maratona de final de semana.

Legion

Imagem: FX/ Divulgação

A melhor série de super-herói do ano tinha que ter um espacinho na nossa lista. Legion é diferente, complexa, visualmente linda (com efeitos especiais e fotografia bem boladas) e entretém muito. Indo na contramão do estilo mais pé no chão das séries da Marvel na Netflix e no ABC.

Do mesmo criador de Fargo (já em sua terceira temporada), Legion conta a história de David Haller, o mutante mais poderoso do mundo. Entre alguns de seus poderes estão telecinese, telepatia, teletransporte e qualquer outra “tele” que você puder pensar. Só tem um problema: algo está consumindo a mente de David, e seus poderes agora podem se tornar um risco.

Cheia de ação e com estilo divertido, exagerado e vibrante, a série do filho do professor Xavier é uma experimentação bem sucedida no gênero de super-heróis.

Quais das produções acima você assistiu? Concorda com a nossa lista? Deixe seu comentário.

 

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