Entre referências e problemas, Powerless tem chances de dar certo

Imagem: ComicsOnline
Imagem: ComicsOnline

 

A primeira coisa que me veio na cabeça quando surgiu a notícia de uma série de comédia da DC Comics na NBC foi Já fomos a Liga da Justiça, HQ lançada no começo da década de 2000, não tão engraçada, mas que brincava com a crítica da figura do herói dentro do ambiente predominante deste gênero. O paralelo ficou ainda mais evidente depois que assisti o piloto da série estrelada pela Vanessa Hudgens.

A TV, anos após o cinema, foi invadida por super-heróis. Basicamente todos os canais importantes da televisão americana possuem séries neste formato, a própria NBC já tentou com Constantine (falhando miseravelmente). Com tamanha imersão, já havia a perspectiva de sair do lugar comum e tentar algo diferente, e uma sitcom que aborde este mudo é realmente algo audaciosa por parte da emissora do pavão. Mas, infelizmente, não é tão bom. Explico a seguir – não deixe de ler para me xingar nos comentários agora.

A série acompanha funcionários de uma empresa de tecnologia da Wayne Security – sim, eles trabalham para o Batman – e são encarregados de criarem produtos para que os seres humanos normais se protejam dos efeitos colaterais das batalhas épicas entre heróis e vilões na atormentada Charm City e, claro, sejam rentáveis comercialmente, afinal, o Sr. Bruce precisa colocar gasolina no Batmóvel.

O “vilão” do episódio foi “Wayne or Lose” Jack OLatern, que serviu para perceber que os roteiristas vão se utilizar do mais puro clichê e tom jocoso para se referir aos heróis, o que talvez seja bom. Mas, o ponto central da série não é focar nas batalhas que acontecem entre heróis e vilões, o foco é Emily Locke (Hudgens) e sua equipe. E, talvez, este seja o ponto mais fraco do episódio.

Não tive problemas com o roteiro da história do primeiro episódio. Ele cumpre o papel de nos apresentar que Emily é uma boa pessoa e que em um emprego novo terá de lidar com muitos desafios para se relacionar com os seus companheiros.

Logo de início, quase surtei pensando que iriamos conhecer o Batman na primeira cena da série, mas era Van Wayne, cujo o objetivo é sair de Charm City e ser integrado à matriz de Gotham. Para isso, ele deveria desenvolver com sucesso um novo produto e por isso contratou Emily. Só que ao fracassar sistematicamente, Bruce decide levar Van para outro departamento em Gotham e demitir o restante dos funcionários da sucursal.

Recém contratada, Emily teve que pensar em um modo de não deixar a demissão em massa acontecer, ao mesmo tempo em que teve de lidar com a rejeição coletiva dos seus novos colegas de trabalho: Teddy (Danny Pudi), designer da empresa, extremamente arrogante, mas meu personagem preferido PORQUE É O ABED (Community); Ron (Ron Funches), trabalhando em diferentes projetos malucos; Wendy (Jennie Pierson), engenheira estereotipada, ranzinza, que se opõe personagem principal de um modo divertido.

No final, conseguem utilizar uma solução (óbvia) para chamarem positivamente a atenção do Morcegão e manterem seus empregos: o Jack Alerta (dispositivo que informa se o vilão está ou não na sua redondeza).

O problema é que apesar de piadas OK, faltou muita substancialidade no time principal. Eu sei que é difícil pedir isso no PRIMEIRO EPISÓDIO de uma série. Mas parece que nenhum tem um background. Parece que nenhum tem uma história lateral que possa ser desenvolvida. Parece que os personagens secundários só estão ali para figurarem nos dramas pelo qual a protagonista vai passar. E isso é muito sitcom “padrão ruim” para uma comédia com ideia inovadora.

Espero estar errado. Quero que Powerless dê certo. Ainda pode dar certo.

Ah, pode parecer que estou querendo diminuir a série (o que não é verdade), mas a melhor coisa é a abertura. Que abertura legal!

 

Entre referências e problemas, Powerless tem chances de dar certo

Nota do episódio - 8

8

Crítica do piloto de Powerless, da NBC, intitulado "Wayne or Lose".

User Rating: 2.9 ( 1 votes)

About josejunior