Crítica: The Flash fica mais cartunesco com episódio 4×11

Imagem: The CW/Divulgação

Pode uma série ter um episódio que pareça estar intercalando cenas de duas séries diferentes?

Pois foi essa sensação que senti ao assistir o episódio dessa semana de The Flash…

Percebi a diferença gritante de tons nas tramas do Homem-Elástico/Tricksters e de Barry na cadeia, quase como se eu estivesse mudando de canal entre uma cena e outra. Era como ir e voltar de uma série cômica para uma série dramática. Não digo que isso seja de todo ruim, pois o episódio teve lá seus bons momentos. Mas, assim como acontece em Central City, quem realmente salvou o episódio foi o Flash.

Não vou ficar me repetindo quanto ao que eu acho da troca de Kid Flash pelo Homem-Elástico (agora oficialmente com a mudança do Kid Flash para Legends of Tomorrow), quem acompanha meus textos sabe o que penso, mas dentro da proposta da temporada, Ralph Dibny tem melhorado.

Entre as mudanças significativas para essa quarta temporada, estava a retomada do humor dentro dos episódios.

Ralph foi escalado principalmente para trabalhar a vertente do humor. Depois de episódios demais com aquele uniforme ridículo, Cisco finalmente criou um uniforme decente para o “herói” e que ficou visualmente melhor. Ralph também teve uma evolução maior neste episódio ao descobrir o verdadeiro sentido de ser um super-herói, e isso graças à ajuda de Barry. Torço para que o personagem ao menos se torne menos irritante e amadureça de forma consistente.

Imagem: The CW/Divulgação

Este episódio serviu para dar um intervalo nos acontecimentos mais sérios da trama e desde que seu título ligado à Dibny foi anunciado, já sabíamos que seria mais cômico. Quando se trata de um episódio com um dos Tricksters (Trapaceiros) então, a coisa costuma perder um pouco a mão.

Temos que levar em conta que o vilão é, em sua essência, praticamente uma versão má de um palhaço de circo. Todas as cenas envolvendo Axel Walker (Trickster filho) e Zoey Clark (Prank) tem uma linguagem mais cartunesca, lembrando bastante algumas das animações da DC para TV.

Só acho que a produção deveria dosar melhor e ver o que funciona e o que não funciona para uma série live action como a de The Flash, por mais que tenham a intenção de homenagear essas produções. Algumas cenas acabam se tornando mais vergonhosas do que “engraçadas”, por mais que o espectador compre a ideia. Não é nem pelos personagens Trickster e Prank, e sim por certas ações e diálogos dos personagens dentro de uma cena.

O que realmente salvou o episódio foram as cenas de Barry na prisão.

A trama por si só já é uma surpresa dentro da série pois ela tem se estendido por mais de um episódio, diferente de Flahspoint e da prisão na Força de Aceleração que foram concluídas em apenas um episódio e isso é mais um ponto muito positivo para esta quarta temporada. Não só isso como aqui os roteiristas estão mostrando que Barry amadureceu. Agora temos um Barry que sabe o que é ser um herói de verdade e bem mais próximo do Velocista Escarlate que tanto amamos dos quadrinhos (agora é ele quem faz os discursos motivacionais).

Tudo ali funcionou: seus diálogos, sua cautela em usar seus poderes dentro da cadeia, seus cenas com Íris (outra evolução significativa nessa temporada é o romance entre os personagens).

Ao final do episódio tivemos a grata surpresa da segunda aparição (ou a primeira dentro de The Flash já que sua primeira aparição foi no episódio de Supergirl do grande crossover anual) da personagem misteriosa interpretada pela linda Jessica Parker Kennedy (Black Sails, The Secret Circle).

Desde sua aparição muito se especula se ela seria Dawn Allen, uma dos filhos de Barry e Íris no futuro que juntamente com seu irmão formam os Gêmeos Tornados.

A coisa agora se complicou ao revelar que ela conhece a linguagem que Barry voltou misteriosamente escrevendo em seu estado catatônico ao sair da Força de Aceleração. Seria ela alguma figura de lá ou de alguma Terra alternativa? Eu ainda torço para que ela seja mesmo Dawn e sua revelação traga uma trama interessante para a quinta temporada da série. Se levarmos em conta o que temos visto até aqui, sabemos pelo menos que essa poderá ser mais uma grata surpresa da produção.

CURIOSIDADES:

– Corinne Bohrer reprisou seu papel como Zoey Clark/Prank da série The Flash de 1990. Ela é a sexta atriz a reprisar seu papel da série original nesta nova.

– Bill Goldberg, que interpreta o novo amigo de Barry na cadeia, é o segundo pugilista a participar da série não sendo uma meta-humano. O primeiro foi Adam Copeland, o “Edge”, que interpretou Atom Smasher na season première da segunda temporada. O papel de Bill neste episódio é chamado de Big Sir. Nos quadrinhos, Big Sir é um vilão do Flash cujo verdadeiro nome é Dufus P. Ratchet.

– Caitlin menciona novamente o nome da menina que praticou bullying com ela quando criança, Lexi La Roche. A diretora desse episódio (e de mais outros dois na série) se chama Alexandra La Roche.

– Jessica Parker Kennedy já fez parte de outra série da DC. Em Smallville ela interpretou Plastique, e chegou a fazer parte do Esquadrão Suicida.

– A esquina entre as ruas Bilson e DeMeo onde Trickster enfrenta Dibny, é uma homenagem a Danny Bilson e Paul DeMeo que criaram a série The Flash de 1990.

– Este foi o primeiro episódio que Ralph Dibny foi chamado pelo nome de herói como é conhecido nos quadrinhos, Elongated Man, ou Homem-Elástico.

– O título do episódio é uma referência ao terceiro filme da trilogia do Cavaleiro das Trevas, “The Dark Knight Rises” (O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 2012).

– Abaixo da inscrição “Henry Allen was here” na cela de Barry, ele escreve “so was Barry“, possivelmente uma referência ao filme Um Sonho de Liberdade (1994): “Brooks was here” e “so was Red“. Quando Barry diz para Axel que é inocente e este responde que todos ali são também pode ser uma referência ao mesmo filme.

– Neste episódio aparece o Mr. Beebo que apareceu pela primeira vez no último episódio exibido de Legends of Tomorrow.

– Referências Nerds by Cisco Ramon e Ralph Dibny:

  1. Enquanto pensa em um codinome para si, Ralph faz referência a dois heróis da Marvel: ao Homem-Aranha quando fala “é seu super-herói amigo da vizinhança”, e ao Senhor Fantástico (herói que tem poderes iguais aos dele) quando começa a falar e para “Mister…”
  2. Quando Ralph se queima com o ácido de Trickster, Cisco diz que isso não aconteceria se ele tivesse sangue xenomorfo como em “Alien“, uma referência ao filme de 1979.
  3. Depois de enfrentar o Trickster, Ralph diz que teve sua primeira cúpula do trovão, referência à Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão (1985).
  4. Quando Cisco resgata Dibny, ele diz para Trickster “Hoje não, Satã”. Essa frase ficou famosa pelo vencedor da sexta temporada de RuPaul’s Drag Race.

The Elongated Knight Rises

Nota do Episódio - 6

6

Review do décimo primeiro episódio da quarta temporada de The Flash, da The CW, intitulado "The Elongated Knight Rises"

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About Álefe Cintra

Jornalista e apaixonado por séries. Tem a mesma profissão de Clark Kent, usa óculos parecido, mas infelizmente não é super-herói. Grande fã de séries de super-heróis e fantasia. No Mix de Séries escreve as reviews de Arrow e The Flash.