Crítica: This Close, dramédia sobre surdos, surpreende e vai além do óbvio

Imagem: Sundance Now/Divulgação

Sundance Now aposta em produção sobre representatividade.

As dramédias de 30 minutos estão em alta nos últimos anos. Atlanta, Better Things e Insecure são exemplos claros. Eis que a plataforma de streaming Sundance Now resolveu apostar no formato e criou This Close.

O drama, roteirizado e protagonizado pela dupla Joshua Feldman e Shoshannah Stern, acompanha a vida de dois melhores amigos em Los Angeles. Feldman interpreta Michael, um artista gay que enfrenta alguns problemas. Na vida pessoal, Michael se recupera de um traumático término. No trabalho, um bloqueio criativo o impede de escrever seu segundo livro.

Já Shoshannah dá vida à Kate, uma mulher engraçada que trabalha como relações públicas em uma grande empresa, mas parece não ser levada tão a sério pela patroa. Kate está noiva de Danny (Zach Gilford, de Good Girls), que resolve esconder dela que foi demitido.

Série é protagonizada por atores surdos.

A priori a sinopse da trama não apresenta nada de novo, não é mesmo? Mas acredite, This Close é diferente. E o grande diferencial da série está no fato de Michael e Kate serem surdos. E não apenas os personagens. Os atores também são deficientes auditivos, o que dá ao roteiro uma propriedade muito segura ao abordar o tema.

O conhecimento de causa dos roteiristas resulta em cenas interessantíssimas que nos fazem refletir sobre desvantagens e até “vantagens” que deficientes encaram. Apesar de Kate conseguir falar sem maiores dificuldades (a atriz perdeu a audição ainda pequena), é muito comum nos depararmos com cenas de completo silêncio. O diálogo entre os dois amigos é feito exclusivamente através da lingual de sinais e das importantes expressões faciais. Por isso, em muitos momentos, legendas são inseridas para melhor entendimento do espectador.

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Em uma outra cena, logo no início da série, com bastante bom humor, os criadores brincam com a possível “vantagem” que surdos possuem em relação aos ouvintes. Em um avião lotado e barulhento, com direito a criança chorando e eletrônicos apitando, os dois seguem dormindo sem nenhum incômodo. O tom sarcástico e algumas críticas estão por todos os lugares, um ponto forte para quem gosta de um texto mais afiado e realista.

A série também expõe a forma com que as pessoas não deficientes lidam com quem possui alguma deficiência. Desde atendentes de estabelecimentos falando alto acreditando que assim serão entendidos, passando pelo “excesso” de cuidados que algumas pessoas demonstram, ao desinteresse de amigos próximos em tentar aprender a se comunicar através de sinais.

Imagem: Sundance Now/Divulgação

Série aborda dramas existentes na vida de qualquer pessoa…

Mas This Close não faz da deficiência auditiva seu principal assunto. Na verdade, essa característica dos personagens é apenas um detalhe no enredo dessa  comédia dramática que fala sobre vida, amizade, romance, sexo e ambição. Com áurea leve e atmosfera que lembram filmes indies, a série carrega em si fortes semelhanças com títulos como Atypical, Girls, Looking e Transparent.

A primeira temporada da série, que tem apenas seis episódios, é dirigida por Andrew Ahn. Lançada em fevereiro deste ano, This Close já foi merecidamente renovada e retorna para sua 2ª temporada em 2019. Ainda não há previsão de exibição na série no Brasil.

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Fica a dica para quem curte séries que vão além do óbvio. E, principalmente, que apostam nas emoções e nos entregam personagens reais e fáceis de nos identificarmos.

Confira o trailer da primeira temporada da série:

Crítica da primeira temporada de This Close

Nota da temporada - 8.3

8.3

Crítica da primeira temporada de This Close, série ainda não disponível no Brasil, exibida nos Estados Unidos pelo Sundance Now.

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About Italo Marciel

Italo Marciel
Cearense, 28 anos. Jornalista especialista em Assessoria de Comunicação. Viciado em séries desde que se entende por gente e apaixonado por cinema. O cara que fica feliz em indicar uma boa série ou um bom filme para os amigos.