Da Vinci’s Demons: O gênio das grandes telas para as nossas telas…

Imagem: TV Show Time
Imagem: TV Show Time/Divulgação

Um dos maiores receios e medos de grandes fãs de séries é ver uma paixão sendo cancelada por falta de audiência ou de verba. Acompanhar semanalmente uma história significa se envolver com seus personagens e com o que ela procura transmitir. Mas, em alguns poucos casos, o cancelamento vem em um momento totalmente oportuno. Em uma situação na qual a série necessita de um fim, para encaixar perfeitamente toda sua história construída ao longo de alguns anos. Costumo brincar com meus amigos que Da Vinci’s Demons é um perfeito exemplo dessa necessidade de harmonia e fim de um ciclo.

A série foi escrita e dirigida por David S. Goyer, o mesmo que roteirizou Batman ao lado de Christopher Nolan. Ela teve sua estreia em 12 de abril de 2013 e durou apenas 28 episódios. Em dezembro de 2015, vivenciamos o fim de uma história incrível, repleta de contextos políticos, religiosos e históricos. E quem esperava ver apenas as belas paisagens da Itália ou as maiores invenções do grande pintor, se surpreendeu com um contexto diferente. Durante os quase três anos de série, fomos repletos de cenas de violência, nudez e sexo, que proporcionou um tom mais sério e mais adulto à trama.

A premissa inicial da primeira temporada era a de planejar um terreno para que a história fosse se desenvolvendo. E isso foi muito bem feito durante os oito episódios. O diretor veio com uma proposta de apresentar um Da Vinci que poucos conheciam. Alguém distante daquela imagem séria de um grande inventor e pintor renascentista. Para incrementar ainda mais um ideal inovador, a escolha de Tom Riley como protagonista veio na hora certa. Poucas vezes vi alguém se entregar tão bem a um trabalho e propor uma nova visão de personagem através da sua atuação. Com o personagem não havia modéstia, não havia papas na língua e não havia uma pessoa no mundo que o impedisse de realizar seus sonhos e inventos.

O seriado possui uma fotografia incrível, associada a uma trilha sonora invejável. Além disso, promove uma viagem a grande momentos da história europeia. Toda essa junção de fatores traz um belo resultado apresentado durante os anos. E se engana quem pensa que o protagonista tomou conta da história. Diversos nomes conhecidos historicamente foram incrivelmente representados durante a adaptação. Dentre eles, podemos citar Nicolau Maquiavel e Andrea del Verrocchio, que estiveram ao seu lado nas maiores invenções de sua juventude.

O contexto histórico começa com uma Itália em guerra, uma igreja corrupta e totalmente partidária, e com as cidades tentando sobreviver por entre o apoio religioso. A vida dos Medici pode ter passado batido em nossas aulas de história, mas quem procurou saber um pouco do seu desenvolver, viu que a série buscou retratar fielmente os acontecimentos reais em sua narrativa. Por mais real que possa parecer, o misticismo e a ideia do imaginário nunca deixaram de ser abordados. Por entre os conflitos políticos que o pressionavam, um ideal fantasioso era bastante convidativo ao nosso protagonista.

O ocultismo se faz presente a todo momento na série. Um exemplo claro é a representação dos Filhos de Mitra e do Labitinto, seitas que buscavam um conhecimento além da mente humana. A abordagem do Livro das Folhas foi crucial para a construção da segunda temporada, que fundou-se também na relação de Da Vinci com toda essa magia representada. O personagem descobre o envolvimento familiar e viaja até o Novo Mundo em busca de respostas sobre sua mãe e como ele poderia trabalhar com todo o novo conhecimento prometido.

Imagem: TVBlog/Divulgação
Imagem: TVBlog/Divulgação

Por mais que Leonardo ganhasse uma boa parte do foco, sua vida cruzava a todo momento com dois grandes destaques da história e da série: Conde Riario e Lucrezia Donati. Duas grandes atuações que movimentaram e muito a paixão dos fãs da série. Riario era uma espécie de antagonista, sempre imprevisível e ameaçador. O ator ganhou o carinho do público pelo incrível trabalho, principalmente nos momentos de confronto entre ele e o grande inventor. O personagem possuía uma malícia instigante em sua fala, e trabalhou perfeitamente bem durante as três temporadas, culminando em um final único e inesperado por muitos.

Lucrezia Donati também viveu grandes emoções ao lado de Da Vinci. Ela cresceu com a série, deixando de ser uma mera amante em um triângulo amoroso, para viver uma donzela totalmente auto-suficiente e certa de seus ideais. Como muitos, seu envolvimento com a igreja era direto, e o passado sofrível sempre aparecia em seu caminho. Odiada por muitos e amada por tantos outros, a personagem sempre dividiu opiniões quanto à lealdade a seu amado Da Vinci. Mas uma coisa é certa, ver a cena de sua partida não foi algo fácil para todos que acompanharam a série até o fim.

Um grande ponto da série em seu contexto é mostrar, a todo momento, como Da Vinci lida com seus pensamentos e suas ideias. As cenas que mostram o funcionamento daquela brilhante mente são completamente divertidas e acabam trazendo momentos de grande inspiração. Assim como suas invenções, os momentos de tensão da série se refinaram com a transição de temporadas, chegando a uma Season Finale incrivelmente bem pensada e produzida no segundo ano. Leonardo descobrir que sua mãe está viva e possivelmente ir contra ela em uma guerra criou um gancho incrível à última temporada.

E o gancho expandiu ainda mais o mundo de Da Vinci, em um momento não muito oportuno. Trazer à tona a questão do povo Mediterrano necessitaria de um preparo maior de terreno na temporada, que foi surpreendida com o cancelamento. Mas tudo vem ao seu tempo e em boa hora. A terceira temporada foi intensa sim, com muitos acontecimentos corridos para fechar o ciclo, mas trouxe um sentimento de trabalho bem feito e felicidade. E ainda tiveram tempo de adicionar grande ideias ao grandioso final, como momentos cômicos ou inovações tecnológicas de um novo século.

O fim veio inesperado e chocante, mas através de um trabalho muito bem feito por três anos. A fotografia não decepcionou em momento algum, a batalha final trouxe grandes emoções e as últimas palavras vieram diretas e inesquecíveis, como uma mensagem a todos nós: “Pessoas que realizam, raramente se recostam e deixam as coisas acontecerem para eles. Eles saem e fazem as coisas acontecerem”. Eternamente, sentirei saudades do grande Artista, que pôde apresentar seu trabalho com irreverência e inovação ao mundo.

Para não esquecer do clássico som que embalou a linda chamada da série, deixo com vocês um vídeo para recordar…

About Lucas Franco

Lucas Franco
Mineiro, Escorpiano, 20 Anos, Estudante de Medicina. Direto do Arkham Asylum para o Mix. Eterno fã de Chuck, E.R. e Friends (RIP). Por entre as madrugadas vive a dualidade dos estudos e das séries. No Mix, escreve as reviews de Quantico, The Good Doctor e Legends of Tomorrow.