Daredevil – 2×10 – The Man in the Box

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Imagem: Arquivo pessoal

 

É normal que depois de um episódio tão bom séries entreguem capítulos mais fracos. Isso não é exclusivo de uma série ou duas; todos os programas passam por isso. Breaking Bad, Lost, House of Cards e diversas outras séries renomadas já estiveram nessa situação. Às vezes o episódios nem chega a ser fraco, mas o anterior fora tão bom que o posterior acaba empalidecendo. Pode ser o que aconteceu com Daredevil com este The Man in the Box. Não entenda mal, pois a décima parte desta segunda temporada é boa, mas fica aquém de Seven Minutes in Heaven, uma das melhores horas da série.

Este décimo episódio foi feito de momentos isolados de destaque, com ênfase no encontro entre Matt e Wilson na prisão. E aqui temos dois pontos sérios a comentar: primeiro, estaria Murdock se mostrando mais fraco do que é ao final do diálogo ou ele realmente ficou abalado com a porção de golpes que Fisk lhe deu? Essa suposta fragilidade de Matt/Demolidor é algo que vem sendo desenvolvido com frequência nesta segunda temporada. Por um lado, isso é ótimo, pois humaniza o herói de uma forma que poucas produções do gênero fazem. Nos últimos episódios, vimos um Demolidor muitas vezes vulnerável: machucado, sangrando, rezando, chorando e abalado de diversas formas. É importante, contudo, que os roteiristas saibam usar essa fragilidade com parcimônia, pois ainda que seja interessante acompanharmos um herói mais humano, não queremos ele se torne fraco a qualquer problema que surge.

O segundo ponto é: não estaria Daredevil exagerando um pouco no poder de Wilson Fisk. O que quero dizer é que o sujeito domina tudo e todos. Simplesmente todos os guardas parecem obedecê-lo. É sério que de toda a prisão não há sequer um carcereiro que fuja à regra. É claro que muitos não têm escolha e, caso não obedeçam o Rei do Crime, morrem; ainda assim, é preciso dosar esse “poder sem limites” de Fisk. Algo precisa pará-lo, algo precisar entrar em seu caminho e dar-lhe um pouco de dor de cabeça. Isso não prejudica a série, mas quebra um pouco os tons consideravelmente realistas que o programa vinha construindo até então.

Realismo, inclusive, que parece estar ficando cada vez menos importante. É só pensar em toda a trama envolvendo os jovens drogados que serviam como bolsas de sangue e todo aquele papo meio sobrenatural para ver que a série está investindo mais no irreal. Mais uma vez: isso não prejudica a série e muitos destes absurdos estão nas HQs, mas a série precisa continuar tentando inserir estes elementos com calma, se quebrar totalmente o perfil realista que vinha construindo muito bem até agora.

O que há de melhor no episódio? Karen Page, sem dúvida. A investigação e seu perfil destemido ficam cada vez mais interessantes e sua confiança em Frank Castle é notável. Karen, aliás, parece ser a única a enxergar mais do que psicopatia em Frank. Ela sabe que até mesmo ele, Justiceiro, tem limites. E a cena em que os dois se encontram e Castle salva a vida de Page é excelente, além de aproximar ainda mais os dois (alguém já está shippando estes dois? Claro, ?). Assim, é interessante constatar que a trama envolvendo dois coadjuvantes esteja muito mais interessante que aquela envolvendo o protagonista. Só não vê quem não quer. E o Matt também.

About Matheus Pereira

Matheus Pereira
Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.