Daredevil – 2×13 – A Cold Day in Hell’s Kitchen [SEASON FINALE]

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Imagem: Arquivo pessoal

 

Chegou ao fim a melhor temporada que uma série de super-heróis já entregou. O segundo ano de Daredevil ficou perto do impecável. Com poucos episódios fracos (na verdade foram dois capítulos “apenas” bons, e não ótimos), a segunda temporada acertou em quase todos os aspectos. Os coadjuvantes cresceram e os novos personagens praticamente roubaram a cena. Com um percurso tão bom, a season finale valeu a pena? De certa forma sim. O encerramento é muito bom, mas um tanto decepcionante. Ainda assim, não tira o brilho deste belo conjunto de episódios.

Os poucos problemas desta finale são justamente os mesmos problemas que diversas outras finales e finais de filmes possuem. É no amarrar definitivo de pontas que as coisas se complicam. Falemos, por exemplo, de deus ex-machina. Todo o combate no terraço conta com Demolidor e Elektra e é ótimo, mas seria muito melhor caso contasse, também, com o Justiceiro. Imagine os três enfrentando aquela quantidade insana de ninjas. Acontece que os roteiristas decidiram fazer do confronto algo especial do casal Murdock/Natchios. Com isso em mente, porém, o Punisher serviu apenas como um deus ex-machina. Nada mais. É um péssimo uso daquele que foi o melhor personagem da temporada.

Castle, aliás, surge em suas últimas cenas com a celebre caveira pintada no colete. A imagem é icônica e elimina qualquer dúvida: Bernthal é o Justiceiro definitivo. É uma pena, portanto, que ele apareça apenas para agilizar as mortes de pouquíssimos ninjas através de poucos tiros. Não há emoção, não há confronto direto. Seria ótimo ver o sujeito descendo a lenha numa porção de ninjas.

Outra saída estapafúrdia foi colocar Stick na ação, de repente. Não que possamos considerar seu ato como parte da ação, já que o Velho surge no final da briga. A impressão que fica é que Stick era o único personagem livre e capaz de aparecer e matar Nobu. Tudo pareceu deslocado, porém. Além disso, parece que Stick surgiu para matar Nobu apenas para que o Demolidor não sujasse suas mãos. Afinal, heróis não podem matar. Chega a ser estúpido: por que raios Matt joga Nobu do prédio sabendo que o sujeito ressuscita sempre? Simples; apenas porque o mocinho não pode sujar as mãos de sangue. Restou a Stick, outro deus ex-machina, fazer o serviço sujo.

Fora isso, tudo correu muito bem. A entrada de Matt e Elektra no prédio, seguida pelo confronto, forma uma longa e emocionante sequência, com direito a muita pancadaria e uma conversa emotiva entre o casal. A ideia de sequestrar todas aquelas pessoas para chamar atenção de Matt é ótima, pois além de elevar o nível de tensão e emoção, ainda serve como um bom artifício para inserir o Demônio de Hell’s Kitchen no contexto. O confronto, inclusive, é ótimo e não acontece tão rápido como outras cenas de ação. O que poderia ser melhor desenvolvido e emocionante é o confronto direto entre Matt e Nobu.

Mas isso fica apagado frente ao bastão que Melvin fez para o Demolidor. Típico dos quadrinhos, o bastão, com mil e uma utilidades, deixa as sequências de luta e perseguição ainda mais complexas e épicas. Veja o salto que o Daredevil dá do alto de um prédio. Aquele “simples” bastão abre um leque de possibilidades para o herói, o que pode deixar tudo mais interessante. Aliás, que personagem bacana é Melvin! É uma lástima que um personagem tão interessante seja tão pouco usado. É claro que no futuro Melvin torna-se outro personagem, podendo ganhar mais espaço na história. Ainda assim, seria ótimo ver o personagem interagindo mais com Daredevil.

Karen Page, uma das melhores personagens desta temporada, parece ter encontrado o seu lugar. Trabalhando como repórter, investigando e escrevendo a verdade, Page parece finalmente bem consigo mesma. Ela foi tão importante neste último ano, que a temporada quase encerra com um plano de seu rosto. Ela foi uma das figuras mais essenciais, nada mais justo que a última cena do núcleo central pertença a ela. O desfecho aliás, é ótimo, mas acredito que seria melhor caso a temporada acabasse deixando a dúvida: será que Karen sabe que Matt e Demolidor são a mesma pessoa? Por que digo isso? Porque quando o Daredevil invade o prédio para resgatar os reféns, ele tem um breve momento com Page, e parece que a moça reconhece Matt sob a máscara. Ainda assim, temos a cena do advogado revelando quem realmente é. Acredito que o final teria mais impacto caso o episódio acabasse no momento em que ele entra no escritório, percebe que Karen está lá e fecha a porta. O teor da conversa ficaria em segredo.

De todo modo, com ou sem problemas (que foram pouquíssimos), a segunda temporada mostrou-se infinitamente melhor que a primeira, eliminando nossos receios acerca do novo ano, que contou com novos showrunners e execução em tempo recorde. Caso Daredevil siga neste ritmo, não só será a melhor série de heróis da TV (algo que já é), mas também será um dos melhores programas em exibição.

PS: A série continua muito escura. Em algumas cenas, é quase impossível enxergar o que está acontecendo.

PS 2: Não tinha necessidade de Matt verbalizar o óbvio: “Eu sou o Demolidor”. Homem de Ferro terminou do mesmíssimo jeito. Mostrar a máscara já seria o bastante.

PS 3: Obrigado por acompanhar as reviews de Daredevil aqui no Mix de Séries. Mesmo. Obrigado. Ano que vem tem mais.

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About Matheus Pereira

Matheus Pereira
Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.
  • Caroline Marques

    Concordo com o deslocamento do Stick, ficou estranho ele jogar o Nobu sabendo que ele iria voltar, senti que era para ficar com Elektra morrendo mas mesmo assim, desconexo como a roupa da Elektra que comentamos hahahaha WTF Sobre Karen, tive a mesma impressão e acho que ainda ela diz: eu sabia! ou pelo menos: eu desconfiei! Mas podemos bater no peito e dizer sim que é a melhor série de heróis no ar hoje, e que mesmo com pouquíssimo romance – dito como atrativo principal das séries – Daredevil consegue te prender do início ao fim. Até 2017, hope God and Black Sky!