É isso?

Imagem/Montagem: Fontes Variadas/Reprodução

Ok… here we go.

Confesso que essa semana fiquei dividido sobre como começar e até sobre o que escrever. Afinal – e isso já aconteceu antes –, embora sejam os textos com a maior gama de possibilidades, encaro esses Editoriais como muito mais do que uma folha em branco onde posso condensar absurdos. Claro, neles não faltam absurdos, mas a intenção é sempre boa.

E depois de ouvir o novo álbum dos Tribalistas, lecionar as minhas aulas da semana e, claro, ainda não saber o que escrever, seria muito simples entregar algumas linhas sobre como as alegorias estão se repetindo e os destinos dos dragões de Daenerys serão similares aos daqueles que lhes emprestam o nome – afinal, para aqueles que a memória possa falhar, Khal Drogo também foi atingido de maneira superficial acima do ombro e morreu em consequências disso (e da magia, claro). Ou ainda, e realmente cheguei a escrever dois parágrafos inteiros sobre isso, sobre como o quinto episódio dessa temporada, “Eastwatch” é uma referência ao castelo Eastwatch-by-the-Sea (Atalaialeste do Mar, na tradução) e que será como “Hardhome” foi, uma preparação para um grande confronto no Norte no sexto episódio.

Contudo, enquanto a Fall Season parece caminhar mais lentamente em nossa direção, algumas coisas precisam ser ponderadas, mais ainda no momentos em que estamos – um momento em que até mesmo os serviços de streaming não parecem estar tão seguros. Afinal, mesmo com suas renovações e com o anúncio do novos animes (espetaculares para o seu catálogo), não podemos fingir ignorância ou desviar o olhar de alguns acontecimentos recentes. A Netflix tem cortado na carne, cancelando sem pena. A HBO Go também não passa sem problemas, chateando os clientes ao falhar todos os domingos.

Logo, o que acontecerá a seguir?

Sim, adentramos no território das divagações – que comigo sempre beiram ao nonsense. Mas há um motivo. A Indústria foi forçada a tentar melhorar pelos serviços de streaming. Mas o streaming nunca foi na direção oposta. Enquanto as antologias, as temporadas mais curtas e até mesmo David Lynch vieram trazer novas propostas e formatos para a TV, os serviços de streaming, salvo pela concorrência de conteúdo entre si, nunca foram forçados a melhorar… Até agora.

A realidade é que a TV e o streaming tem um papel, uma responsabilidade, que já está se desfazendo. Frente à efemeridade, até mesmo seus formatos mais breves correm alto risco de serem não só rejeitados pelo público imediatista que temos atualmente, mas custarem onde dói: no bolso.

Desse modo, enquanto esperamos pela Fall Season e todas as suas promessas – e nos preparamos para rir, chorar e se emocionar com retornos e novidades que essa Season trará – precisamos contemplar esse pequeno dilema. A TV conseguiu sobreviver. Sim, de maneira sofrível, e muitas vezes sem realmente admitir que mudou (copiou) descaradamente para acomodar ideias propostas pelos streaming. Mas o streaming ainda não mudou. Será que ir em direção ao Cinema e as antologias é realmente a resposta? Quanto mais o espectador poderá suportar de cancelamentos sem muita justificativa e histórias deixadas, agora, pela metade? Afinal, o que temos visto é o streaming acompanhar as falhas da TV. Deixar de produzir roteiros bem fechados e deixar a aposta de uma continuação pairar no ar e condenar a tortura da incompletude – sem, o meu TOC não suporta coisas inacabadas, mais ainda na ficção – de ver uma série que não teve uma finale decente ser cancelada sem chances de ser resgatada. Até porque, quem geralmente reparava as injustiças dessa natureza feitas pela TV eram os serviços de streaming.

Enfim, não há o que dizer. Não há resposta que se possa dar a esse problema. Talvez nunca haja. Talvez – e agora que chego ao final do texto percebo que é uma saudável probabilidade – esse seja só mais um Editorial. Que seja. A banalidade é o melhor acabamento para algumas coisas. Mesmo assim, para roubar um pouco de David Lynch, a “história” continua a ser a parte pela qual as pessoas mais se interessam. Se a indústria continuar a produzir, qual motivo para nos perturbarmos? No fim, a pergunta que deve ser respondida não é quanto vamos resistir ao que está acontecendo ao streaming… A pergunta na verdade é se é só isso que o streaming tem a nos oferecer. Será que o momento atual será uma condenação? Ou será que o streaming tem uma folha me branco a sua frente? Encontramos uma parada para avançar depois ou, para concluir o “ciclo” com certa ironia, é isso?

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About Richard Gonçalves

Richard Gonçalves
Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.