Alguém disse trilha sonora?

Imagem: YouTube/Captura de Tela (Reprodução)

Confesso que pensei muito sobre o que falar num momento desses. Seja pelo estado das coisas lá fora, pelos muitos problemas cotidianos enfrentados por todo mundo ou simplesmente porque existem coisas demais para serem ditas, encarei a página branca por um tempo considerável antes de conseguir escrever alguma coisa. E quando finalmente as linhas dessa introdução começaram a aparecer, ouvindo uma playlist com os mais variados hits que você possa imaginar, percebi que essa ideia, que estava perdida na planilha de maybes para Editorias finalmente tinha encontrado seu dia.

Essa com toda certeza será uma traquinagem interessante. Afinal, com tantas produções chegando/retornando nessa fall season que já começa a dar seus primeiros passos cheios de emoção e prometendo nos trazer cenas marcantes, também chegam até nós as maravilhosas trilhas sonoras – que fazem das cenas marcantes algo realmente memorável.

Embora passem despercebidas para alguns, todo bom seriador, cinéfilo ou gamer já se pegou ouvindo aquela música solta e perceber que ela lembra a você daquela cena espetacular, daquela morte do seu personagem preferido ou simplesmente da série em si.

A trilha sonora incorpora sentimentos, memórias e a sua maneira, transmite de uma maneira quase que visceral e indescritível, dando ao espectador uma nova gama de catarse. Nada registra mais na memória o pavor da vítima em fuga do assassino, a felicidade ou a tristeza de um casal em seus dilemas, aquela piada com risos marcados – mas ainda sim impagáveis – já tão tradicionais nas sitcoms. Até mesmo o silêncio que antecede a tantas coisas traduz muito daquilo que é a experiência do espectador, nos trazendo mais para perto.

E claro, não estou negando o valor comercial dessa relação. Não nos faltam exemplos da música ser usada como ferramenta de publicidade, dando ao artista/banda/compositor e ao que está sendo exibido toda uma gama para a troca de públicos. Não conto as vezes que, mesmo sabendo da estória base e com várias indicações, fui ao cinema simplesmente por amar a música no trailer. Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children foi um exemplo disso. Quem entre nós não amou ouvir “Should I Stay or Should I Go” em Stranger Things ou chorou com “Chasing Cars” num episódio de Greys Anatomy ou assoviou junto com “Twisted Nerve” em Kill Bill ou American Horror Story?

Claro, parece sem muito sentido, mas numa era em que o YouTube e o Spotify nos permitem encontrar virtualmente de tudo – musicalmente falando – é muito simples, depois de ficar com uma cena e sua trilha sonora na cabeça, encontrar uma nova obsessão musical.

Glee, Supernatural, The OC, Gossip Girl, Smallville, Skins, CSI, Cold Case, The Following, The Vampire Diaries, Grey’s Anatomy, todas já eternizaram pelo menos uma música, e as produções nacionais não ficam de fora. Quem nunca se viu cantarolando a música de uma protagonista ou daquele personagem mais interessante?

No fim das contas, embora seja um recurso cujo uso muitas vezes é pensado junto a outras questões técnicas e “deixado de lado” pela maioria, a trilha sonora faz toda a diferença. Ela é parte essencial do cinema, da TV e dos games como arte. E sim, infelizmente grandes compositores ainda ficam sem reconhecimento. Sim, a trilha sonora não é a parte principal daquilo que você escolheu como forma de entretenimento. Contudo, ela cria com o conjunto algo que é simplesmente impossível de descrever.

Então, seja você um apreciador casual, que curte a música que acompanha o momento sem maiores preocupações ou aquele fanático (como eu) que depois acaba ouvindo todo o álbum ou todas as músicas desse ou daquele artista só por uma cena memorável, não deixe a trilha sonora passar despercebida. Aventure-se nessa fall season não só nos muitos novos episódios: aprecie a obra toda. Tenha certeza de que você não vai se arrepender.

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About Richard Gonçalves

Richard Gonçalves
Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.