Entenda como a greve dos roteiristas de Hollywood afetará as séries de TV!

Imagem: amariasoueu/Reprodução

Voltamos à 2007! Os fãs de séries mais antigos devem-se lembrar do ano macabro que 2007 foi para a produção destes programas nos Estados Unidos. Uma greve de grandes proporções, iniciada pelos roteiristas de Hollywood, atrasou por meses a produção de novos episódios, forçando um corte em diversas temporadas das séries.

O cenário no momento é um pouco parecido, uma vez que foi aprovada em votação histórica o indicativo de uma nova greve, mas há algumas diferenças que necessitam ser compreendidas, a fim de ficar claro como essa greve poderá afetar a produção das séries de TV.

Mas por quê os roteiristas entrando em greve, as séries irão parar?

Ora, porque são eles que escrevem os episódios que todos nós assistimos. E não estamos falando dos criadores das séries, como Shonda Rhimes, Dick Wolf, Greg Berlanti, entre outros, que são os criadores e showrunners, ou seja, conduzem e direcionam os argumentos da série. Estamos falando dos redatores, que redigem diálogos, cenas e todo um processo bem mais complexo do que imaginamos, necessário para que um episódio tome forme e possa ir ao ar.

Essa categoria é uma das mais importantes no desenvolvimento de uma série e, por muitas vezes, a menos reconhecida e recompensada por todo o retorno que uma série tem. Logo, é válida essa reivindicação.

A greve afetará séries que estão prestes a estrear?

Não! Séries como American Gods que estreia no próximo domingo, ou Orphan Black e House of Cards, que retornam em maio, ou até mesmo Game of Thrones que volta no meio do ano, já estão com roteiros finalizados e episódios pré-gravados. Ou seja, eles já foram produzidos e escritos, sem sofrer qualquer interferência dessa greve.

Séries que estão em andamento, como Gotham – que acaba de retornar, Chicagos, Grey’s Anatomy, entre outras séries de TV aberta, que estão com temporadas correntes, ou seja, episódios indo ao ar até maio, também se enquadram nas séries que já possuem uma janela de roteiros escritos e com produções à todo vapor. Por ora, essas séries não sofrerão de imediato e conseguirão finalizar suas temporadas tranquilamente.

Onde o problema afeta diretamente?

Os efeitos dessa Greve dos Roteiristas recairá – a curto prazo, em produções que estreariam no segundo semestre deste ano mas que já possuem pré-produção nos dois próximos meses. Por exemplo: para uma série estrear uma nova temporada no período entre setembro e outubro (como geralmente a maioria das séries realizam), a produção destes programas já começam a filmar entre junho e julho, com a escrita dos roteiros dos primeiros episódios já prontos.

Ou seja, com a greve começando em maio, sem qualquer previsão de fim, os trabalhos de escrita destas séries que já rolam neste período estarão parados. Caso a greve dure por volta de uns 100 dias, como a greve de 2007 durou, os roteiristas voltariam às atividades apenas em agosto, o que colocaria uma margem de 3 meses de atraso para as produções – jogando-as, no mínimo, para estrear em janeiro de 2018. Ou seja, ao invés das séries retornarem em setembro com novas temporadas, como de costume, muito provavelmente elas só retornariam no ano que vem.

E não pense que plataformas como a Netflix escaparão deste cronograma bagunçado. Elas necessitam de roteiristas tanto quanto qualquer outra emissora, e também sofrerá com este atraso.

Há chances da greve se prolongar mais?

Precisamos trabalhar com essa possibilidade. Os acordos não estão amigáveis e após o sindicato aprovar em massa, como mais de 96% dos membros, é provável que os roteiristas não cedam à pressão da indústria, tão pouco à conquistas mínimas. A reivindicação dos roteiristas é grave (saiba mais aqui), causando uma adesão até mesmo maior que a de 2007.

Logo, não estranhe se o impacto for maior. Por isso, há sim possibilidades de uma grande extensão desta greve, caso ela realmente comece na primeira semana de maio.

Uma solução para as emissoras, a curto prazo, seria contratar roteiristas terceirizados, mas provavelmente o trabalho deles não sairão como o dos roteiristas já habituais, o que poderá ocasionar uma perda de qualidade nas atrações.

Como viveremos sem novas episódios?

Para tudo há remédio. Mesmo para uma greve de grandes proporções. Claro que as reprises se tornarão o principal viés para cobrir os buracos que as grades de TV terão, além dos realities shows, que dominarão as grades. Assim, o público ficará com um conteúdo bem escasso.

Portanto, essa será a hora de colocarmos todos os episódios em dia, ou assistir aquelas séries que sempre quisemos e não tivemos tempo. Até mesmo, rever algum show que é favorito. Essa será a saída.

Mas claro, isso – ainda – é uma suposição, e algumas datas foram jogadas aqui apenas como um exemplo de projeção. A greve pode durar um período mais curto, ou mesmo ser cancelada, a partir de novas negociações. Fiquem de olho aqui no Mix de Séries para saber todas as novidades dessa greve.

About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.