GLOW se torna uma das preciosidades da Netflix com respeito e muito humor

Imagem: Netlfix/Divulgação

Uma série despretensiosa, que com boa condução e caracterização pode acabar se tornando a sua produção favorita neste exato momento. Assim posso definir GLOW, nova série da Netflix que aparenta ser um banho de cafonice e péssimas atuações, mas que esconde um tesouro que se constrói em uma excelente e envolvente história.

Criada por Liz Flahive (Nurse Jackie) e Carly Mensch (Orange is the New Black), GLOW – que é a abreviação de Gorgeous Ladies of Wrestling (“Mulheres Incríveis de Luta Livre”) – retrata a produção de um programa de luta livre na década de 1980, que acabou virando febre nos Estados Unidos, chegando a ser exibido inclusive no Brasil pelo SBT. Mas engana-se quem pensa que o foco da série da Netflix é mostrar as lutas trashs e completamente sem sentido. Através de uma ambientação maravilhosa, somos levados a metade da década de 1980, onde a TV norte-americana ainda vivia sob a sombra de novelas e séries que eram estreladas por atores fracassados ou sem qualquer cacife do cinema, tornado-se este o ponta pé inicial para GLOW.

Imagem: Netflix/Divulgação

A partir da protagonista Ruth, vivida por Alison Brie (Community), vemos o mundo de uma atriz decadente e que não consegue nenhum emprego na televisão. Ruth é um das mulheres nada convencionais que são convidadas para um teste misterioso, o qual se tornaria o começo da produção do programa. A intenção era trazer o mundo das lutas livres masculinas para a disputa de mulheres, cada qual com um perfil diferente – e uma história por trás.

GLOW não tem a pretensão de ser bizarra, mas sim mostrar que atrás de todo aquele brilho e caracterização, há uma motivação. Independente dos apelidos ofensivos, típico da TV de trinta anos atrás, incluindo uma filipina que é chamada de “Biscoito da Sorte” ou uma filha de indianos que é chamada de Beirout, essas mulheres se tornam a representação da luta de todos nós, no dia-dia, e que faz o público se identificar de alguma forma. Seja na frustração de Ruth, ou na sua traição com Debbie (Betty Gilpin), motivação da rivalidade que conduz a produção da Luta Livre; ou na necessidade de Sheila (Gayle Rankin) ser um “lobo” – uma clara representação de todas as pessoas que lutam para ser quem elas são; ou na vontade de vencer de Carmen (Britney Young); essas mulheres são tão carismáticas a seu próprio nível, que passado o piloto você já se vê envolvido com suas histórias e na torcida para que pelo menos uma dessas histórias dê certo – afinal, já estamos cansados das derrotas da vida real.

Justamente por ter uma diversidade de mulheres em seu elenco, no melhor estilo Orange is the New Black, esta série já ganha muitos pontos. Mas a ambientação da série é de tirar o chapéu. Se você ficou louco com a imersão oitentista de Stranger Things, GLOW irá fazer você pirar. Principalmente com uma trilha sonora que te leva, a cada cena, ao glorioso mundo da década de ouro. Essa mistura dá base para um respeito e uma necessidade dessas mulheres serem ouvidas em uma época em que elas não tinham vez, tornado-se uma forte marca da produção. Mas nada sem a necessidade de se tornar chata ou massante. É na leveza, nas piadas e no acerto de tom que GLOW crava o título de destaque desta summer season norte-americana.

Os dez episódios passam com uma facilidade que, ao final da jornada, você fica com um gosto de quero mais – e com uma torcida para que a Netflix traga essa preciosidade de volta. Sem parecer clichê, GLOW trabalha todos os aspectos que estamos acostumados nas séries de TV, mas de forma que enxerguemos como sua construção e como que as vezes o previsível pode ser tornar imprevisível. Desta forma, a série se torna diferente de tudo o que já vimos.

Com boas interpretações, GLOW transforma a construção da Luta Livre feminina em uma história da construção da maturidade feminina, utilizando hora do apelo cômico, hora do apelo emocional, para fazer o espectador tirar a primeira impressão sobre o mundo da luta livre que, certamente, o acompanhava ao início da maratona. Tendo um ritmo único, que cresce a cada episódio, a série vence o esteriótipo e se torna bem sucedida na função de entreter. Sem alusão a década de 1980, é puro ouro!

GLOW se torna uma das preciosidades da Netflix com respeito e muito humor

Nota da Temporada - 9

9

Resenha da primeira temporada de GLOW, nova comédia da Netflix.

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About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.