Gostosuras ou travessuras?

Imagem/Montagem: Chicago Tribune/YouTube (Reprodução)

Nos encontramos para mais um Editorial. E no fim de semana que antecede o halloween e que vem logo depois da maravilhosa premiere da segunda temporada de Stranger Things, essa nossa traquinagem não poderia ir para um caminho diferente.

Mas não, eu não vou falar sobre nostalgia ou suspense. Também quero deixar claro, antes que venha alguma reclamação, que eu conheço (a um nível de exaustão tão grande que seria difícil de apresentar num texto só) toda e qualquer coisa que vocês possam dizer sobre o fator comercial do halloween, de como deveria se dar mais atenção ao legado/cultura nacional, et cetera, et cetera, et cetera (sim, é assim que se escreve no latim)… E sim, você que tem todo direito a essa sua opinião em particular, só não venha despejar regras em quem não compartilha dela. Até porque, as divagações que se seguem vão todas tocar em margens dessa questão.

Enfim, deixados de lado esses entretantos, podemos seguir. Já faz algum tempo que nos reunimos nesses textos, cheios de toda sorte de inesperado. Não poderia ser diferente agora. Porque embora falar sobre nostalgia e terror sejam sempre um prato cheio, quero falar de algo um pouquinho mais direcionado. Afinal, o halloween é o melhor feriado para os seriadores.

Como o Chicago Tribune levantou em um artigo recente, alguns de vocês até podem pensar que é o fim de ano (natal/ano novo), cheio de episódios emocionantes e temáticos e aquele feeling – que pra mim não faz o menor sentido – de “paz”, mas é no halloween que as coisas realmente acontecem.

Enquanto a temporada de fim de ano procura nos entregar largas doses de uma nostalgia forçada e reflexões profundas sobre a vida, as dificuldades, a família e do quanto a nossa “fé” na humanidade precisa ser “calibrada” vez ou outra, o halloween, que marca o fim de outubro e geralmente um terço de algumas das produções da fall season, nos aponta para a natureza – seja humana ou não – e para um sem fim de mistérios, tendo a paranoia como cenário desses ensaios para a morte com garantia de sobrevivência no final.

Atrevo-me a dizer mais: embora compartilhe isso com o fim de ano, já que o halloween é material garantido para pelo menos um episódio em qualquer produção – seja para trazer aquele clímax para uma produção que já é de terror, render um algo a mais para os dramas ou simplesmente ser fonte para uma nova gama de piadas para as comédias – a liberdade de ser um pouco mais trash, de poder abraçar parte do grotesco como ferramenta, dá ao halloween uma casualidade que simplesmente não pode ser esquecida.

Não abrirei um parêntese para que a questão da casualidade retorne por aqui, embora ela ainda seja uma questão flagrante para mim, algumas outras coisas podem ser indicadas para resolver tão situação. Olhar para esses momentos específicos, para esse comportamento particular da TV numa determinada época é uma delas. Bem ou mal, a “TV de Halloween” tende a ser algo que vale muito a pena ser visto. São episódios que geralmente estão “acima da média”, que não perdem a oportunidade de se encherem de referências e que funcionam muito bem como um paralelo, como uma pausa a trama principal – um fôlego que muitas séries precisam antes de seguir sua trama principal.

Também, não podemos esquecer o quanto esse ar de suspense e terror faz por algumas produções. A paranoia de um bom assassinato, o medo primal do que pode estar escondido nas sombras… H.P. Lovecraft costuma dizer que a emoção mais forte e mais antiga do homem é o medo. Então, cruze ou não a linha do “sobrenatural”, seja ou não simplesmente uma jogada comercial ou um bom uso da época para produzir aquele episódio temático com toda a cara de guilty pleasure que todo mundo adora, não podemos negar: é um excelente momento para a TV.

Logo, esteja você aproveitando aquela maratona marota de Stranger Things, ou esperando para ver o que o episódio dessa semana ou da próxima da sua(s) série(s) favorita(s) aprontou nesse ano, ou até se deliciando com aquele filme de terror que você assiste todos os anos no halloween – yep, eu não faço isso só no natal e sei que vocês também não! – aproveite esse passeio, aproveite essa época e, do seu jeito (mesmo que esse jeito seja não aproveitando), divirta-se com as surpresas que a TV tem para você. Renove suas forças com um episódio de qualidade quase que garantida e que não perturbará tanto a sua trama principal e prepare-se. Afinal, a fall season não está nem na metade, e ela com toda certeza terá muitas travessuras e gostosuras preparadas para você.

Comments

comments

About Richard Gonçalves

Richard Gonçalves
Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.