Madam Secretary – 4×08 – The Fourth Estate

Imagem: CBS/Divulgação

Quando você lê o título do episódio fica com um sensação ótima de que finalmente vão reafirmar o óbvio – a importância da imprensa não só a sociedade, como também pra diplomacia. Como que a ONU saberia da crise migratória? Como o mundo tomaria conhecimento do impressionante leilão de escravos na Líbia? Ou que as eleições de 2013 no Zimbábue foram manipuladas pelo agora deposto ditador Robert Mugabe? O problema é que mesmo tendo consciência do valor fundamental da imprensa, Madam Secretary não acerta o tom desejado.

Imagem: CBS/Divulgação

Os problemas do roteiro começam a partir do momento que o foco é distribuído em várias frentes – investigação da CIA num dos membros do Senado; crise de Ópio que continua (e infelizmente continuará) vitimando mais do que o total de militares americanos mortos na Guerra do Vietnã; crise de confiança com o governo do México; uma sátira (?!) a fuga do El Chapo em 2015; visita dos pais de Blake à Washington D.C., cujas opiniões em relação ao serviço público vem para promover um certo alívio cômico. Acha que acabou? Então espera, porque ainda teve mais um capítulo da história de amor de Stevie com Dmitri.

É louvável que os roteiristas demonstrem tanta vontade de falar dos assuntos que estão no noticiário diariamente, principalmente no que se refere a crise de Ópio e a importância da imprensa, mas diferentemente dos episódios anteriores, Madam Secretary precisa saber que “menos é mais” e que o segredo para entregar um episódio de qualidade aos telespectadores é focar em poucas histórias e fazê-las direito. Sabem por que? Perderam grandes oportunidades de falar com propriedade de alguns dos tópicos que citei no parágrafo anterior.

Com a investigação da Rússia a todo vapor no escritório do procurador independente, Robert Mueller, porque não explicar ao telespectador, de uma maneira elegante há de se ressaltar, como se investiga um Senador? Há limites? Precisa de autorização? Ou entre outro tópico, porque não lembrar quais foram os últimos Presidentes cujos filhos tiveram problemas com vícios? Ajuda a tornar Dalton numa figura mais humana.

Além da falta de perspicácia para desenvolver algumas dessas possibilidades, gostaria de perguntar ao leitor como que se propõe uma discussão sobre a crise de Ópio sem a presença do Secretário de Saúde e Recursos Humanos? Qual o intuito de falar sobre tráfico de drogas da fronteira com o México sem que seja, pelo menos, citado a Agência para o Controle/Combate das Drogas criada por Richard Nixon em 1973 justamente para combater a entrada de drogas no país?

Termino a resenha deixando o link do Comitê para Proteção de Jornalistas, caso alguém sinta-se no espírito, assim como este que vos escreve, de fazer uma doação. Para quem tiver curiosidade de ver com o Brasil está no mundo em relação a esse tema, vai perceber que impunidade ainda é o resultado final de muitos crimes contra o trabalho da imprensa.

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About Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.