Novas perspectivas, outra trama e um destino: 12 Monkeys e sua 3º Temporada

Imagem: Syfy/Reprodução

Chegamos à terceira temporada de 12 Monkeys, série do canal norte-americano Syfy, com uma mudança de contexto na proposta da série. Diferente do que vimos em sua primeira temporada e em boa parte da segunda, a série que faz referência ao filme homônimo lançado em 1995 e que tinha em seu elenco Bruce Willis e Brad Pitt, se embrenhou pelos caminhos da praticidade ao ter as relações pessoais dos personagens como sustentação de seu novo plot.

Quando surgiu, como uma grata surpresa na grade de séries de 2015, 12 Monkeys se destacava como um dos primeiros acertos do canal por assinatura Syfy. O canal pertencente à NBC/Universal e exclusivo para produções de ficção científica cometia, até então, pecados atrás de pecados quando o assunto era produção. Foram diversas as séries canceladas ainda em sua primeira temporada pelo fraco roteiro e as insistentes superproduções gráficas. Nesse sentido a série passou então a se destacar por um enredo sóbrio – a incessante busca de Cole por salvar o mundo e destruir o exército dos doze macacos – e também por uma sobriedade no aspecto técnico de sua produção.

Outra referência, tirando a principal, está no destaque a busca de Ramse a testemunha – que se mostra, mas pra frente, uma missão para eliminar Cass, a mãe da testemunha – onde podemos fazer uma clara relação com o filme O Exterminador do Futuro (1985) onde um assassino do futuro é enviado para matar Sarah Connor, mãe daquele que viria a ser o líder da humanidade em um futuro utópico, John Connor. Guardadas as devidas ressalvas que devem ser feitas a essa comparação, a missão de Ramse acabaria também por não atingir seu objetivo final.

A série viajou até o passado em busca da testemunha e tornou o seu presente uma das experiências mais desagradáveis possíveis para o expectador. O contexto da narrativa que existia no presente – o futuro apocalíptico da série – se diluiu tão facilmente quanto o péssimo desenvolvimento desse conceito o tornara possível. O ponto chave da trama tornou-se então o passado, representado em grande parte pelo hall do Emerson Hotel. Um passado em que se inseriam os mais fantásticos figurinos de época e que acabaria por remeter a trama a um universo completamente distante e muito mais atraente em relação ao futuro apocalíptico de 2035. E podemos observar isso mesmo no futuro, quando Cassandra permaneceu trancafiada em Titan em um quarto onde o que se destacava eram os trajes e uma cenografia que remetia ao período medieval.

Voltando a mudança da narrativa da série, podemos destacar como um ponto-chave para essa transição a nova referência que Cassandra Railly passaria a ter dentro da história. Vindo de uma coadjuvante e, de certo modo, até menos que uma na primeira temporada, ao destaque dentro da trama, quando Cole passa a lutar pelo seu resgate como algo mais importante até mesmo que a sua missão primordial. Nesse sentido, várias outras relações começam a ser instituídas na trama. E o que se limitava, de maneira mais específica, a relação de Ramse com seu filho, passava ao retorno da filha de Jones – também de seu contexto amoroso ainda na segunda temporada – e culminando na vinculação da história da própria testemunha a de Cole e Cass.

Nesse sentido diminuiu-se muito o campo de probabilidades e de potenciais surpresas ao longo da série. Encurtou-se um universo que no filme nos dava a impressão de uma dimensão imensurável de questões que poderiam ser trabalhadas nesta eventual série. O destaque, no fim das contas, é mais negativo do que positivo, apesar da trama ainda trabalhar essas relações de uma forma um tanto atraente, da estética ter se tornado mais sóbria e de se ter diminuído – pelo próprio encurtamento do contexto da história – a chance de alguém fazer uma porcaria.

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