Novas séries mudaram as perspectivas de programação do canal ABC em 2018

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Imagem: ABC/Divulgação (03)

Nova estratégia parece ter dado certo

É manhã do dia 9 de novembro de 2016. Um dia após um das reviravoltas eleitorais mais surpreendentes da história da política americana. Os executivos da ABC tinham concordado em ter uma reunião de emergência. O motivo? Discutir uma estratégia de programação. De acordo com o The New York Times, os presentes concordaram que eles tinham uma grade diversificada uma vez que incluía diversos tipos de personagens. Desde Fresh Off the Boat, Grey’s Anatomy, Designated Survivor até The Middle.

O problema é que tal catálogo não oferecia uma diversidade econômica. “Nós passamos muito tempo procurando por vozes diversificadas em termos de pessoas de cor e de diferentes religiões, até mesmo de uma perspectiva diferente de gênero,” disse a presidente de entretenimento da ABC, Channing Dungey. “Mas nós não pensamos muito no que se refere a diversidade econômica e divisões culturais nesse pais,” completou.

Foi aí que veio a ideia de ressuscitar Roseanne American Idol. Ben Sherwood, presidente do grupo Disney e ABC TV, se referiu ao reality show como definição do “sonho americano”. Já Dungey definiu o programa sobre “uma moça com o chapéu de cowboy e um garoto com o banjo vindos de pequenas cidades fazendo música de formas distintas”. A abordagem mostrou que a emissora estava disposta a finalmente olhar para o “telespectador esquecido”, morador interiorano e mais precisamente, o eleitor de Donald Trump.

Os números

Pode parecer incoerente uma vez que o CEO da Disney, o poderoso Bob Iger, de vez em quando organiza jantares para arrecadar fundos para senadores democratas vulneráveis. Sem contar com os milhões de dólares doados para Hillary Clinton. Mas a estratégia não tem nenhuma relação com política, mas sim com representação e (claro) audiência e dinheiro. Todo o esforço para buscar o melhor da população do meio oeste e de estados rurais, deu certo.

Pela primeira vez em muito tempo, a ABC não terminará a temporada em quarto lugar. Atualmente empatada com a Fox em terceiro (1.5 no demo) e com apenas 0.07 de disputar o segundo lugar com a CBS, pode-se dizer que esse foi um bom ano para a emissora. É verdade que teve problemas. Perdeu Shonda Rhimes para Netflix, não está em bons termos com Kenya Barris (criador de grown-ish black-ish) e ainda viu Roseanne Barr e Ryan Seacrest envolvidos em escândalos. Mas quem não tem?

Entretanto, é importante lembrar que toda essa força do canal deve-se por três programas: RoseanneAmerican Idol The Good Doctor. Todos os títulos com propostas simples, porém de fácil relacionamento com o público de casa. Mesmo caminho que a NBC seguiu com This Is Us e a CBS com Young Sheldon. As elites continuam com destaque, mas não com a mesma pompa de antes, seja pela queda dos números de Empire ou pela não tão bem sucedida primeira temporada de Dynasty.

Um ano para recordar. Realmente.

Com 1.8 de média no demográfico alvo e 9.8 milhões de telespectadores, The Good Doctor tornou-se um sucesso inesperado numa emissora avessa a dramas procedurals. Com uma história de concepção bem curiosa, o drama é o segundo programa de 60 minutos mais assistido da ABC, atrás apenas de Grey’s Anatomy. Já American Idol foi trazido com mais pressão. Um tanto caro, o reality show aumentou consideravelmente a audiência do canal aos domingos. Recentemente, vale lembrar, marcou impressionantes 1.9 no demográfico.

Já Roseanne dispensa comentários. Com um retorno visto por mais de 18 milhões de pessoas e 5.2 no demográfico alvo, a comédia se tornou um fenômeno. Os números foram tão impressionantes que Roseanne Barr recebeu uma ligação de parabéns do presidente Trump. “Ele entende muito de audiência,” disse a atriz no Good Morning America. Mesmo com o fracasso de Inhumans, a mais recente colaboração com a Marvel Television, Channing Dungey dizer que sua estratégia deu certo quando o upfront da ABC começar na próxima semana.

Mal podemos esperar pelas novidades…

About Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.