O bom e o (quase nada de) ruim da CCXP 2017

A Comic Con Experience continuou empenhada em fazer os 4 dias de evento para o público os mais épicos possíveis. Após um ano ausente da feira fisicamente – o Mix de Séries esteve representado em 2016 por outros editores, este ano eu pude retornar a ela e me deparei com um mundo de novidades.

Visivelmente duplicada de tamanho, se comparada à feira de 2015, a CCXP 2017 era um sonho em forma de estandes, lojas e um apanhado de referências à cultura nerd e geek.

Tendo estado presente no evento desde o seu primeiro dia (extra) oficial, a Spoiler Night, até este domingo (10), vivenciamos alguns momentos que gostaríamos de dividir com vocês e que tornaram essa  nossa experiência com a Comic Con, mais uma vez, inesquecível.

MANDOU BEM…

ATENÇÃO E RESPEITO

O público geral da Comic Con continua sendo respeitado. De todas as formas possíveis! E este respeito se deve ao acesso aos estandes e painéis. Tudo muito organizado, explicado, indicado… a CCXP não apresentou problemas no seu funcionamento em geral, até mesmo por ver retribuído o respeito do público. Foram quatro dias onde o universo nerd funcionou nesta feira em perfeita sintonia.

A organização nos dias do evento, incluindo a SPOILER NIGHT, também foi digna de aplausos. Os ônibus que levaram o público à Estação de Metrô Jabaguara, assim como a segurança e o interno à feira estavam ainda melhores.

CENOGRAFICAMENTE INCRÍVEL

Ir à feira da CCXP torna-se um show a parte. E cenograficamente, ela se supera a cada ano. Os stands ficaram incríveis, assim como os itens expostos. É de encher os olhos quando um estande está bonito, a ponto de atrair sua atenção por algum tempo. Um que, particularmente, me despertou atenção foi o da Iron Studios, que tinha até uma área dedicada a Jurassic Park.

ATRAÇÕES DIGNAS DE UMA COMIC CON

As atrações da CCXP 2017 acabaram gerando polêmica entre alguns fãs do evento. Parte achou fraca, parte vibrou. Acontece é que houveram cancelamentos de última hora que deixaram o line up com alguns buracos e muita gente não perdoou isso. Entretanto, tenho de corrigir a quem falou que a CCXP não trouxe nenhum artista de peso em 2017. Neste ano, as melhores atrações ficaram concentradas no final de semana, com Danai Gurira, Alicia Vikander, Simon Pegg, Nick Jonas e claro, Will Smith. O problema é que o público ficou mais preocupado em criticar os cancelamentos do que aplaudir os anúncios e o line up final. Alô pessoal, que tal menos ingratidão?

E as surpresas? Inserções ao vivo, com direito a participações via satélite de Kevin Feige e Tom Hardy, a CCXP surpreendeu o público com a presença de Phil Lord e Christopher Miller que foram falar de Homem Aranha no Aranhaverso, nova animação da Marvel.

Foi muito bacana ver essa interatividade somada à surpresa, importante para o público entender que não se deve ir a uma Comic Con apenas para ver painéis. Até porque, muito provavelmente, grande parte dessa galera sempre ficará de fora devido às filas.

Imagem: Matheus Pereira/Mix de Séries.

PREÇOS NÃO TÃO EXORBITANTES

A cultura nerd, por si só, exige que seus produtos sejam caros. Muitas vezes produzidos de formas manuais, as réplicas precisam valorizar o trabalho de seus artistas e produtores. Em 2017, o que era para ser caro continuou caro na Comic Con. Mas tinha muita coisa a preço acessível. Grandes marcas, como Riachuelo e Lupo, trouxeram produtos interessantes e exclusivos que se tornaram irresistíveis com o preço.

O mesmo posso dizer de algumas marcas como Studio Geek e Legião Nerd. Com produtos que cabem no bolso do consumidor da CCXP, o presente de fim ano foi garantido no evento.

 

MANDOU MAL…

O CONTROVERSO ACESSO AOS PAINÉIS

Esse não terá jeito. Sempre causará polêmicas, e em 2017 não foi diferente. Mais especificamente no sábado e domingo, o público estava com garra de acompanhar as atrações e, para tal, acamparam na fila. Dormiram mesmo.. Tinha gente que chegava às 20h do dia anterior. Isso é garra. E acontece que a CCXP acabava abrindo os painéis para esse público antes do horário indicado para a feira. Geralmente, no sábado e no domingo, os painéis puderam ser acessados a partir das 08h da manhã para lotação máxima, com o evento marcado para começar às 11h (e às 10h para a Spoiler Night). Então, para essa dinâmica, preciso chamar a atenção da organização.

Imagem: Anderson Narciso/Mix de Séries.

Não é legal ou justo com o público fazer esse tipo de coisa. As chances precisam ser para todos e concedida da mesma forma. Não é que não apoiamos o acampamento para painéis, pelo contrário. Mas ainda me questiono a necessidade dessa abertura às 08h. Os painéis precisam ser acessados por TODOS, a partir do horário da abertura da feira.

E, caso seja medo de lotação por parte do público do ingresso Epic, a sugestão é que este tipo de ingresso seja abolido. Ou qualquer um que dê um tipo de prioridade para fila de painéis. O público brasileiro já teve 4 edições e já está ficando “mal acostumado”. Por mais que isso seja doloroso, talvez para 2018 o melhor método seja equiparar o acesso dos painéis para todos os ingressos. Definitivamente, seria o justo.

A CONDUÇÃO DE ALGUNS PAINÉIS

Por mais que os integrantes do grupo Omelete sejam os organizadores, muitos acabam não funcionando em painéis que são designados para conduzir. Não vamos apontar nenhum nome específico, mas acaba que perguntas do tipo “Fale mais sobre sua personagem“, ou “Conta qual foi o momento mais interessante do filme – mas sem contar spoiler“, chega soar a amador – para não dizer piegas.

Em um determinado momento, inclusive, uma convidada foi embora do palco antes da hora. Isso ficou visivelmente claro. E ela foi porque o entrevistador não se prontificou a dizer “Ei, ainda pode ficar mais um pouco aqui”. Resultado? Quase uma hora de espera entre um painel e outro.

Uma sugestão seria investir em apresentadores externos, assim como a San Diego faz. Parece que um teste foi feito este ano, uma vez que um dos pontos altos dos painéis de domingo foi a apresentação de Leo Lins, jornalista convidado. Fica a dica.

POUCAS SUGESTÕES DE LANCHES DENTRO DO AUDITÓRIO CINEMARK

Não sei como funciona a logística do cardápio da lanchonete que fica dentro do auditório Cinemark, mas o responsável por isso precisa entender que passar o dia a base de pipoca e refrigerante não é ideal para ninguém. E por favor, não me chamem de cachorro quente o que estava sendo servido na bomboniere, pois um pão seco com salsicha chega a ser uma ofensa para tal nome. O que pode ser repensado, neste quesito, é oferecer outras opções.

Salgados, sanduíches são boas opções para quem passa o dia todo no auditório. Seria pedir muito?

SOBRE A FEIRA

PONTOS ALTOS!

Alguns estandes estavam de babar. Mas preciso tirar o meu chapéu para dois em específico. O primeiro, da Warner Bros: que estande de babar! Lindo externamente, ele estava com uma ótima disposição, bem integrado e chamando a atenção do público com uma interatividade incrível. O melhor de tudo era que quase todas as atividades geravam um brinde. E não eram brindes mixurucos…

Imagem: Gabriel Colombara/Via Assessoria CCXP.

De pôsteres gigantes a sacolas personalizadas, você ficava com vontade de pegar todos. Fora isso, a exposição de alguns itens, como o carro da série Supernatural ou as estátuas da Liga da Justiça, por si só, já valiam a pena.

Imagem: Anderson Narciso/Mix de Séries.

Outro estande que preciso parabenizar é o da HBO. Mais precisamente, o da HBO Go. A interação lá dentro com o público, além do resgate de séries originais – novas e antigas, em salas personalizadas, valia cada minuto de fila. Fiquei, inclusive, emocionado em ver séries como Band of Brothers e The Sopranos sendo muito bem representadas por lá. E, além disso, um salve para seus dois maiores sucessos, Westworld e Game of Thrones. Os detalhes, os cenários, os ambientes, tudo incrivelmente impecável.

Parabéns a todos que estiveram envolvidos com ambos os estandes: desde cenógrafos aos outros profissionais que trabalharam lá. Inclusive, os atendimentos deles estavam sensacionais. Todos atenciosos, amorosos e se esforçando para criarem um ambiente feliz para seus usuários – mesmo que já estivessem trabalhando há horas.

Preciso ressaltar que as atividades dos estandes da FOX e de marcas como Fini e Toddy estavam incríveis. Acho válido que ambos continuem a investir para as próximas edições, com potenciais de se tornarem destaque no evento.

PONTOS FRACOS!

Acho que alguns estandes precisam melhorar a disposição de suas filas. Não sei como funcionaria, mas a entrega de senhas seria uma saída.

Agora, um dos estandes que mais me decepcionou foi o da Netflix. A disposição dele, para começar, era completamente disfuncional. Você não sabia onde terminava e começava, não havia um sentido a se seguir, e muitas vezes precisava ficar dando voltas e voltas para ver o que queria. Além disso, preciso destacar que os funcionários que trabalharam lá durante os quatro dias não foram dos mais competentes. Muitas vezes, ficavam sem paciência com o público, e esse foi um retorno de várias pessoas. Em outros momentos, pareciam não se importar muito em dar informações, explicar a interação, e ficavam com cara de “que horas isso acaba mesmo?”. Para fechar, acho um absurdo como esse estande tratava os seus brindes. É de rir, saber que só alguns lugares do quiz é que ganhariam brinde. Haviam muitos, e diversificados. Não acham que ficar horas e horas em uma fila, para tirar uma foto ou prestigiar o seu estande, não vale uma lembrancinha que não necessite outro esforço – praticamente impossível?

Outro detalhe que me incomodou foram os poucos pontos de carregadores de celulares. Acho imprescindível isso ser espalhado ao longo do evento. As poucas cadeiras da praça de alimentação também me chamaram atenção. Mas nada que fosse crítico.

Com um atendimento à imprensa de primeira, por parte da Comic Con, nossa presença mais uma vez no evento teve um saldo satisfatório. Não só da oportunidade de prestigiar o evento, mas também de poder transmiti-lo para nosso público. Além disso, nossas redes sociais aumentaram os números a partir da cobertura, e isso se deve ao voto de confiança do público.

Ficamos gratos com essa oportunidade e esperamos que no próximo ano estejamos por lá para nos divertimos e brincar de ser criança por mais quatro dias.

A expectativa, como sempre, será grande.

 

About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.