Okja: a história sobre uma terrível verdade!

Mais uma produção original da Netflix, Okja acumula polêmicas desde antes da sua estreia na plataforma de streaming. O filme, o primeiro da Netflix a concorrer à Palma de Ouro em Cannes, causou a revolta daqueles que defendem a exibição de filmes em salas de cinema e fez o aclamado festival mudar as suas regras: A partir de 2018, todo o filme que concorrer à Palma de Ouro, terá que, obrigatoriamente, ser exibido nos cinemas franceses.

A polêmica, no entanto, não tira o mérito e nem ofusca a história de Okja: Lucy Mirando, é a chefe de uma imponente empresa, responsável por divulgar a descoberta de uma nova espécie animal denominada de “super porco”. Com o “objetivo” de erradicar a fome no mundo, 26 espécimes do super porco são enviadas para diferentes países, com o intuito de que eles sejam criados por fazendeiros locais, cada uma de acordo com a sua cultura. Tal programa prevê que dentro de 10 anos todos os porcos retornem aos Estados Unidos, para participar de um concurso que vai eleger o melhor super porco e assim é feito. 10 anos se passam e somos apresentados a Okja, a super porca enviada a Coreia do Sul que mantém uma incrível relação de afeto com Mija, neta do fazendeiro que criou Okja, com o momento de Okja voltar para os Estados Unidos, Mija pretende fazer de tudo para que não seja separada de sua melhor amiga.

Apesar da sinopse que, por vezes, possa parecer um tanto quanto “aventuresca”, é incrível as críticas sociais abordadas pelo filme. A desumanidade presente nos abatedouros de animais e a polêmica dos animais transgênicos, ambos para o nosso consumo, permeia a maior parte do roteiro do filme. Ambos os assuntos não são novos e nem distantes de nossa realidade: a condição deplorável que é o percurso da carne animal até a nossa mesa é amplamente conhecida, como um dos pratos que possui a forma de preparo mais cruel, o Froie Gras. Esse prato consiste na alimentação forçada de patos e gansos, para acelerar o acumulo de gordura no seu organismo, bem como o crescimento anormal de seus fígados, e esteve presente nas manchetes do pais até pouco tempo atrás, quando deve sua produção e comercialização liberada no estado de São Paulo, indo de encontro a cidades como Florianópolis e Blumenau que proibiram tal prática, proibição essa comum em países como Argentina, Suíça e Alemanha. Os alimentos transgênicos, embora não sejam amplamente divulgados, sabe-se que é uma pratica mais que comum na agropecuária utilizar substancias químicas para que bois, vacas e outros animais cresçam mais e mais rápido.

Apesar de abordar essas polêmicas, Okja não tem espaço apenas para mostrar a crueldade vivida pela personagem título e seus semelhantes. E apesar dos seus vilões serem caricatos, o longa debate sobre o motivo de tais atos cruéis existirem. O ritmo do filme flui normalmente, sem focar de explicações técnicas e mostrando os dois lados da moeda: se de um lado temos toda essa crueldade já citada aqui, do outro temos o fato de que 800 milhões de pessoas no mundo passam fome, tudo graças ao inchaço da população do planeta. Percebam, o objetivo aqui não é justificar tais atos cruéis e nem humanizar quem os pratiquem e sim mostrar um fato existente na nossa sociedade.

Apesar desses motivos, é impossível não se sentir incomodado ao assistir ao filme e nem pensar naquela picanha, ou frango, ou qualquer outro tipo de carne que você tenha comido anteriormente, porque a crueza do roteiro é latente, expondo uma verdade conhecida e ignorada por muitos. Mesmo com tal crueza presente, os melhores momentos e acertos do filme se dá nas cenas de afeto entre Okja e Mija, nos fazendo ter imediatamente empatia pelas duas e comprar a briga daquela garotinha, Bong Joon-ho, diretor do longa, consegue captar de maneira assustadora o afeto entre as duas.

O elenco, como não poderia deixar de ser, é um show a parte. Tilda Swinton, como em exatamente TUDO que ela faz nessa vida, está perfeita na pele de Lucy Mirando que por mais odiosa que seja realmente parece acreditar nos reais motivos de seus atos, graças aos contornos humanos dados por Tilda. Jake Gyllenhaal, outros que nunca erra (talvez em o Prince Of Persia, mas a gente perdoa) encarna o seu esquisito Dr. Johnny Wilcox de forma espantosa. Nunca pensei que poderia odiar um personagem de Gyllenhaal, por mais ruim que ele fosse, mas isso aconteceu aqui. Por mais que o elenco adulto de Okja ainda incluia Paul Dano (maravilhoso!) e Lily Collins, está na sua estrela infantil o seu maior acerto. A Sul-Coreana Ahn Seo-hyun possui uma devastadora performance, de partir os nossos corações. Nem o mais duro dos espectadores, resistem a jornada da personagem, que apesar da pouca idade possui uma incrível maturidade. Tudo isso graças a direção seguro do aclamadíssimo diretor Bong Joon-ho, também da Coreia do Sul, que tem em Okja seu segundo filme americano; o primeiro foi o bem-sucedido O Expresso do Amanhã que teve 95% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Com uma história e ficha técnica dessas, assistir Okja se torna obrigatório, as discussões que o filme levante são de extrema importância e merecem muita reflexição. O filme pode até não fazer com que todos nós nos torne vegetarianos, mas que nos dá o que pensar, ah senhoras e senhores, nos dá e muito.

 

Okja

Nota do filme: - 9.3

9.3

Review sobre o mais novo filme original da Netflix: Okja.

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