Orange Is The New Black – 5×02 – Fuck, Marry, Frieda

Imagem: Netflix/Reprodução

“Às vezes é melhor usar o que temos à mão.”

Frieda, Frieda, Frieda. Já no segundo episódio da temporada, Orange retoma sua estrutura de intercalar o tempo presente com flashbacks de detentas. E a escolhida da vez foi a intrigante e sagaz Frieda. Uma personagem que chegou sorrateira e que veio crescendo nas últimas temporadas, tendo sido parte fundamental na trama de Vause no ano anterior, tendo sido Frieda quem ajudou Alex a se “desfazer” do corpo do capanga de Kobra, já ali demonstrando todo o seu combo de genialidade, acidez e sarcasmo.

Em “Riot FOMO” (5×01) vimos que ela optou por ver o circo pegar fogo e acabou presa na despensa da cozinha com outras três detentas, Helen , Sankey e Brandy,  às vistas de Stratman e Blake. Neste episódio, enquanto os cinco alimentavam um jogo escroto de escolher com quem transar, casar e matar, acompanhamos Frieda numa introspeção criativa sobre a qual ainda não tínhamos noção mas que sabíamos ter origem lá na sua infância. Através dos flashbacks descobrimos que Frieda sempre carregou consigo uma sinceridade devastadora que não media palavras até para conviver com suas colegas escoteiras.  Tida por “estranha” pelas outras crianças, a jovem Frieda demonstrava ter consciência do que era para as outras meninas e parecia não se importar. Pelo contrário, com uma pitada de arrogância, Frieda sabia de sua capacidade e habilidades.

Porém, havia um outro lado da menina também, um que foi criado por um pai obcecado pela polaridade entre comunistas x capitalistas, consumido por uma neurose alimentada pelo contexto da Guerra Fria. Em nome de uma caçada, alimentada pelo macartismo e sobreposta por ideários pessoais, Frieda parece ter sido criada dentro de um abrigo entre dois altares: um dedicado ao projeto de vida de seu pai e outro dedicado a sua mãe, supostamente falecida. Em meio a isso – ou por conta disso -, Frieda era obrigada a passar por provações físicas e emocionais impostas por seu pai, numa espécia de treinamento do que estava por vir.

Um cenário muito duro e cruel para uma criança, mas que reflete e explica  nuances da personalidade da Frieda adulta. Sim, é indiscutível que todos os ensinamentos e toda a vivência da sobrevivência talvez sejam fatores que têm mantido Frieda a salvo até hoje, porém não se desconsidera que o modo como foi criada deixou marcas nocivas. Hoje, adulta, Frieda mostrou cultivar suas próprias obsessões.

Enquanto isso, por toda a prisão, a rebelião começava a ganhar um corpo mais estruturado. Não sem muitos conflitos, é claro. Ainda não descobrimos quem atacou Daya, mas já ficou mais do que claro que ela continua na postura de “jefa” por puro orgulho. A líder nata é Ruiz e o tem sido desde a temporada passada. Ruiz é a cabeça que levará o levante à frente, é ela quem bota a cara, o corpo e a alma na retaliação por tudo o que as detentas têm sofrido em Litchfield. No entanto, meu palpite é que ela também será a que vai sofrer as piores consequências quando o Estado começar a atuar.

Se pararmos para analisar a configuração da rebelião temos duas vertentes fortes: as negras que dominaram Caputo e aquele cara da MCC do qual nunca lembro o nome, e as latinas, que dominaram o restante dos guardas que estavam na prisão. No meio disso, quase todo o restante da população carcerária, que se subdivide entre as que querem tudo, seja o que for, que são todas aquelas que estiveram no auditório aplaudindo e apoiando; as que estão vagando pela prisão com suas próprias motivações, a exemplo de Red; e as que não estão confortáveis com o que está acontecendo, que são Vause, Piper, Soso e Judy King – esta última com um objetivo muito claro: “nera nem pra eu tá aqui, mores”.

Imagem: Netflix/Reprodução

A princípio, essa divisão está estabelecida e tem objetivos e vias supostamente diferentes. As negras querem justiça sem o uso de armas de fogo e as latinas querem o que de início uma simples vingança por tudo o que passaram, seja lá o que for, do jeito que for. O que elas demoraram a perceber, muito pelo frisson da emoção e do caos, é que elas têm que se unir porque no fim das contas, por mais que não pareça, os objetivos são os mesmos. É uma questão de respeito aos direitos humanos e à dignidade de todas elas, sem exceção, distinção e discriminação. Por isso é tudo muito poderoso quando Cindy e Gloria levam suas considerações às colegas, com um discurso de unidade pós-racial e com o uso de estratégias legítimas dentro do movimento.

Uma grande surpresa do episódio foi Kukudio se vingando de Humphrey. Dava para imaginar que aconteceria alguma coisa ali, só não esperava que fosse partir dela e do do jeito que foi. Foi um estilo Frieda de lidar com o que se tem ao alcance, deixando o episódio redondinho de bem construído.

P.S. 1: Sobre Linda da MCC, já passei da fase “socorro, tirem essa mulher daí” para “por favor, ela é a melhor representação da classe média e seus privilégios.
P.S. 2: Flaritza <3
P.S. 3: Já pode shippar Burset e o médico bonitão?
P.S. 4: A cena entre os guardas e os funcionários que estão do lado de fora da prisão é tão real e comum que chega a doer de raiva.
P.S. 5: Na querela entre Flores/Red e Piscatella, precisa nem dizer que sou time Flores/Red desde criancinha.

Fuck, Marry, Frieda

Nota do Episódio

Review do segundo episódio da quinta temporada de Orange Is The New Black, da Netflix, intitulado "Fuck, Marry, Frieda"

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About Melina Galante

Melina Galante
Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.