Orange Is The New Black – 5×05 – Sing It, White Effie

Imagem: Netflix/Reprodução

“Ela não vai falar por nós.”

Um novo dia nasce em Litchfield e com ele mais questões necessárias são jogadas na cara dos espectadores. Da quarta temporada para cá, é fato consumado que Orange se entregou de vez a uma função social que se propõe a apontar e questionar a estratificação social do Ocidente e todos os palavrões que a circundam (desigualdades sociais, patriarcado, racismo, xenofobia, machismo, homofobia…a lista é longa). Não que isso não existisse nas primeiras temporadas, existia. Mas é o que insisto em repetir: não era tão latente quanto o é agora, não era tão desenhado. Era sutil, trabalhado no texto e nas construções dos grupos de detentas como se assim o fosse e pronto. Eram sim apontamentos bem colocados, entretanto não eram a questão maior se sua proposta. Isso para dizer que hoje posso defender que série atingiu um nível de maturidade social enorme, e que quando a gente acha que ele não conseguiria ir além, ele foi.

Dentro de uma leva de episódios muito bons, “Sing It, White Effie” (5×05) veio com um roteiro e uma estrutura que não deixaram margens para achar que tudo o que acontecendo na penitenciária é mera ficção. Porque não é. Não é. O modo como a trama de Judy King veio sendo construída culminou em um momento apoteótico e foi muito bem amarrada pela angústia de Taystee potencializada por um sentimento de incompreensão que a tem acompanhado desde a morte de Poussey; e pelo flashback de Watson.

Lugar de fala, minha gente. É relativo a quem fala e sobre o que se fala. Quando colocam Judy King para falar pelo movimento ou pela experiência na prisão, há um cerceamento de vozes que de fato vivenciaram e estão vivenciando todas as mazelas e incongruências de um sistema que deveria colocar em primeiro plano a dignidade da pessoa humana, um valor moral e fundamental. Quando levam crianças negras para visitar uma escola de elite, cuja maioria avassaladora do corpo discente é de crianças brancas, e apresentam um mundo a partir de uma perspectiva caricata. Tudo ali é tão verossímil que beira um surrealismo que nos deixa boquiabertos. E de fato fiquei, estupefata, com as Dreamgirls brancas, dentre tantos outros absurdos.

Imagem: Netflix/Reprodução

A grandiosidade deste episódio está em seu roteiro. Ele está muito bem estruturado e executado. Nenhuma ponta foi deixada solta. Cada fala, cada ação, cada sequência tiveram um peso para o todo muito mais emaranhado do que costumamos ver. É só pensarmos na simbologia deixada no fim do episódio, com Judie King “crucificada”, uma mídia esquizofrênica e tendenciosa, um jogo escroto de poder, a precarização das condições de trabalho igualáveis à escravidão, além de uma própria balançada na história dos EUA. Ponto importante foi o retorno de Aleida para essas fazer as conexões entre os pontos abordados.

Duas coisas me preocupam bastante: a obsessão de Red por Piscatella e agora Caputo tentando subornar Ruiz. Leiam como o desespero causado pelo “Poo”. Red está disposta a coordenar uma #exsposeparty contra Piscatella, mas até que ponto isso não a consumirá? E Ruiz de fato balançou com a proposta de Caputo e não a julgo, mas o movimento perde força sem ela pois ela é uma das lideranças. Ela é importante.

O episódio foi incrível e extremamente assertivo todavia ainda precisamos falar sobre Dogget e Coates. É inconcebível que esse romance entre esses dois continue, que ela continue ajudando-o  a se manter “a salvo”. Insisto  que tem que haver um propósito maior nisso tudo, não pode nem deve ser o sentimento pelo sentimento, a química pela química. Dogget foi violentada por Coates e não consegue se desvencilhar dele, ela está encantada/apaixonada por seu opressor. Não há nada de bonito nisso. Lembram-se da tal função social? Queremos ela aqui também.

P.S.: Só eu estou achando a Piper menos intragável?
P.S. 2: Flaritza maiores influenciadoras digitais que a gente respeita.
P.S.  3: Angie e Leanne acordando com a ressaca da vida. Quem nunca?
P.S. 4: Piscatella sendo completamente ignorado pelos agentes foi um momento de alegria.

Sing It, White Effie

Nota do Episódio - 8.5

8.5

Review do quinto episódio da quinta temporada de Orange Is The New Black, da Netflix, intitulado "Sing It, White Effie".

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About Melina Galante

Melina Galante
Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.
  • Anderson Narciso

    Esse episódio é claramente o Emmy Tape da Taasty. Maravilhoso…

  • Bruno D Rangel

    Taystee: a DONA da temporada!