Orange Is The New Black – 5×06 – Flaming Hot Cheetos, Literally

Imagem: Netflix/Divulgação

“Eu vou lutar por ela.”

Literalidade é algo às vezes necessário. Em certos casos, muito necessária. Porque se você não expuser ponto a ponto, não tornar física e/ou verbal a sua questão, ela passará batida. Então os Flaming Hot Cheetos tinham que pegar fogo, e a sacada de acender a chama em um absorvente interno foi no mínimo genial. E simbólico e igualmente literal. Um simples objeto capaz de carregar tanta luta  e significado nele, que de início parecia apenas um ato de provação. Mas, oras, tem que ser! É preciso que seja.

Dava para sacar logo de cara que Nita, a representante do governo, apesar de ter falado para Piscatella muita coisa que eu gostaria de ter falado, estava de jogo com as meninas.  Todavia por uma fração de segundo cheguei a vislumbrar que as detentas teriam suma demandas atendidas. Mas voltando a Nira, ela é uma representante do governo e o interesse do governo é um: acabar com o motim e manter o status quo da penitenciária de Litchfield, isso significando negociar com os salgadinhos – o último item da lista, por sinal. Ultrajante ver como as detentas foram iludidas com falsas expectativas. Os salgadinhos funcionaram como um ópio para elas, trazendo a ideia de que mudanças significativas viriam. Salgada ilusão (perdoem meus trocadilhos, por favor. É sempre o que peço…).

Dessa nova rasteira do governo, o grupo ganhou mais força para se colocar enquanto um movimento organizado e embasado em questões pungentes. Por isso a literalidade foi tão necessária, porque precisávamos ver aquele fogo consumindo um monte de símbolos do descaso e da opressão. E era também preciso que isso fosse captado por um dispositivo desconectado da grande mídia (que também apareceu na trama de Aleida), numa retomada da alusão à mídia alternativa lá do premiere. Inclusive, muito bem inseridas o papel que a tecnologia está exercendo no dia-a-dia das detentas – #Flaritza!

Imagem: Netflix/Divulgação

A chata da Piper – que nem está tão insuportável assim – já vinha ensaiando uma vontade de apoiar a rebelião e não o fez antes por um bem-estar de seu enrolo com Vause. Uma coisa sobre as duas é que vou ter que abalar fãs do casal ao dizer que não sei se elas terão um relacionamento saudável e estável algum dia. Toda essa vibe descolada que está rolando entre as duas não me engana. E acho que ficou bem claro neste episódio é uma boa parcela de intolerância perpassa de uma para a outra.

Em paralelo, tivemos o “julgamento” de Dogget com direito a uma encenação bem teatral muito precisa ao criticar o sistema judiciário norte-americano. Falamos tanto da polícia e da mídia, mas há questões geradas ou potencializadas por juízes, advogados e demais juristas. Muito porque estamos falando de uma penitenciária onde a maioria das detentas já recebeu sua sentença, e quando exploram suas vidas para além dos muros, é na maioria das vezes na esfera das relações pessoais. A proposta da série não é o processo do julgamento que culminou na prisão daquelas mulheres. É mais sobre como e porque estão ali. Então quando as próprias detentas invocam a função reabilitadora do sistema prisional, isso é extremamente potente. Entretanto, continua meu incômodo por se referirem a Coates como “namorado” de Dogget.

Agora, a sócia, dona e proprietária da empresa “rainha da temporada” chama-se Taystee Jefferson. Convenhamos que há muito romantismo nesse discurso de “a prisão é meu lar”, todavia ele faz sentido dentro desse novo trecho de seu passado. O que Taystee sempre quis era se sentir parte de algo e esse algo tem nome: lar. Nessa lógica, Litchfield é seu lar, sua morada. Poussey era isso para ela. Aliás, vamos lembrar que Taystee saiu na condicional e voltou porque não se adaptou à realidade fora dos muros.

Levantou-se uma polaridade de discursos sobre o aderir à rebelião vinculado ao que cada uma espera do que há do lado de fora. Ao meu ver, não há como dizer se é Taystee, Vause, Ruiz ou Daya quem têm razão. Eu não posso fazer isso. Não cabe a mim. Mas deveria caber a elas se manterem unidas.

P.S.: Meu coração está partido por Morello e Nicky, mas eu achei de uma maturidade Nicky ter dado um fim nessa inconstância perigosa. Ela não tem como dar conta de Morello e precisa sim dar conta de si mesmo primeiro.

P.S. 2: Ainda estou um pouco perdida com o propósito de Frieda e seu bonde, além de achar pouco crível que ela tenha feito aquilo tudo sozinha de dentro de uma penitenciária, mas entendo uma proposta do absurdo ali, que inclusive faz sentido a partir de seu flashback.

P.S. 3: Red e Flores seguem sendo a única amizade possível.

P.S. 4: Resolvam logo o destino de Bayley e de uma forma descente. Obrigada. De nada.

Flaming Hot Cheetos, Literally

Nota do episódio - 8

8

Review do sexto episódio da quinta temporada de Orange Is The New Black, intitulado "Flaming Hot Cheetos, Literally".

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About Melina Galante

Melina Galante
Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.

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