Orange Is The New Black – 5×11 – Breaking the Fiberboard Ceiling

Imagem: Netflix/Reprodução

“(…) não é o tipo  de mãe com quem você sonhou a vida inteira.”

Orange é, sempre foi e sempre será sobre mulheres. E sendo sobre mulheres, também esbarramos com mães  pelo caminho, em suas mais variadas amplitudes e conjunturas. Não estranhem, pois, quando a essa altura da temporada, rolando tudo o que tem rolado, que o tema da maternidade venha à tona em primeiríssimo plano. Aliás, a maternidade é um tema que vem circundando a temporada desde seu início, pois é por uma preocupação com seus filhas e filhas que algumas detentas têm tomado certas decisões. Tem sido assim com Red, Gloria e Maria. Mas neste episódio também tivemos resvalos da maternidade com Cindy, Ouija e Lorna – de tão tida por louca que se fez desacreditada.

Red tem suas motivações para querer a cabeça de Piscatella, de buscar um jeito de provar as atrocidades que ele cometeu. Mas ela não previa colocar suas filhas em perigo, óbvio que não.  Só que se chegou a um ponto em que ela não via mais claramente o cenário. Virou uma obsessão. E aí que entra o discurso da māe atravessada, que não é tudo o que você imaginou, mas que move mundos e fundos por você, ainda que seja com um pote de gelatina extra. Reznikov quer justiça, quer vingança sobre tudo o que Piscatella fez. Para ela, ele é a causa de tudo. Absolutamente tudo. Assim, Red parece ter embarcado em uma concepção de que existe uma série de mazelas advindas do sistema que são contornáveis, colocando Desi Piscatella como único problema. A questão é que por mais inescrupuloso que ele seja, o guarda brutamonte não é o maior problema do sistema prisional. O sistema prisional em si é o maior problema. E é justamente isso o que tem sido brilhantemente levantado, questionado e rebatido nas negociações.

Imagem: Netflix/Reprodução

Falando nas negociações, tem sido um verdadeiro deleite acompanhar o entrosamento do trio de atores diretamente envolvidos e ver Danielle Brooks e sua Taystee Jefferson brilharem. Tenho para mim que não vou me cansar de repetir isso daqui para o final da temporada (como se eu não já estivesse repetindo anteriormente, ).

Agora voltando à maternidade, muito pontuais outras quatro perspectivas que tivemos sobre ela, em variadas fases, inclusive com inserções no tempo presente do mundo para além dos muros da penitenciária. Ouija que adotava o discurso para o filho sem saber o que estava chegando a ele; Lorna descobrindo estar de fato grávida; e Ruiz dando uma espécie de suporte a Mendoza com aquele discurso da mãe que é capaz de tudo por seus filhos.

Mas com certeza os grandes destaques nessa temática foram Cindy e Gloria, esta que nos fez arrancar arrepios de todos os fios de cabelo possíveis do corpo com a sua força aliada a um desespero de não ver saída se não ir contra a um grupo. É um mesmo dilema similar ao que levou as detentas a entregarem Daya. E como eu torci para que aquilo não fosse verdade e que ela não tivesse feito tanto esforço em vão. Como me cortou o coração ver aquela cerca cortada e as cabines vazias. Foi arrepiante a entrega de Selenis Levya àquele momento.

Já Cindy, diante de um surto completamente estabelecido de Suzanne, teve que assumir responsabilidades e assumir, não vou dizer uma postura de mãe porque não é sobre isso e eu estaria reforçando vários padrões e expectativas pre-estabelecidas sobre o ser mãe, mas é sobre estar onde é necessário fazendo o que deve ser feito. Taystee já vêm demonstrando sinais de exaustão, tendo tomado para si o papel de representante da rebelião. Porém muito antes da rebelião eclodir, é sempre Taystee quem resolve tudo. Numa analogia à vida de Cindy em seu âmbito familiar, Taystee seria a mãe dela, que dá conta de tapar os buracos deixados por Cindy, buraco que aqui neste caso é tentar lidar com uma Suzanne que só queria ir para um lugar melhor.

Agora a pergunta que não quer calar: quem soltou os reféns? Algum palpite? Vou apostar em Ruiz ou na dupla Leanne/Angie.

P.S.: Você acha que vai dar ruim para Linda da MCC/Amelia Von Barlow? Diga porque sim e comente.

Breaking the Fiberboard Ceiling

Nota do episódio - 8

8

Review do décimo primeiro episódio da quinta temporada de Orange Is The New Black, da Netflix, intitulado "Breaking the Fiberboard Ceiling".

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About Melina Galante

Melina Galante
Produtora e realizadora audiovisual, no momento em processo acadêmico. 99% seriadora com aquele 1% noveleira. Divide as fases da vida em Buffy, a Caça-Vampiros, Gilmore Girls e Grey's Anatomy. Sua menina dos olhos, porém, é Penny Dreadful. No Mix de Séries escreve as reviews de Modern Family, Orange is the New Black, Scandal e o que vier.
  • Bruno D Rangel

    Pobre Gloria.

    Nunca torci tanto para o Caputo. Espero que ele consiga desdobrar Figueroa e consiga que atendam às exigências. Só tenho medo de fecharem o acordo todo, com a condição de que todos os reféns estejam bem e como Humphrey está morto, tudo seja descumprido após o fim da rebelião.