Os games chegarão à TV?

Imagem: Artistas Variados/Reprodução (detalhes no fim do post)

Sim! Mais uma vez nos encontramos para trocar alguns absurdos em mais um Editorial. Dessa vez, depois de muito refletir enquanto tentava sobreviver ao frio absurdo dessa semana, confesso que estava olhando para a mesma página em branco até que mais uma das traquinagens da Netflix me atingiu em cheio.

Ali estava eu, não sem um tema, mas sem algo que realmente me motivasse a escrever – uma distinção absurdamente importante para mim. Afinal, se vou sujeitar vocês a mais uma dose da minha coleção de absurdos, pelo menos será com algo em que eu coloquei esforço criativo, método e toda uma dedicação para que o texto seja algo realmente válido. O poeta até pode ser um fingidor, mas não escreve sem convencer a si mesmo daquilo que argumenta para, só então, poder argumentar.

Mas, deixando de lado essas divagações, não estamos aqui para falar sobre o processo criativo de ninguém. Na verdade, depois de assistir os quatro episódios que formam a primeira temporada de Castlevania na Netflix, não pude não me perguntar sobre o dilema que encabeça e intitula o texto: os games chegarão à TV?

Não me entendam mal, não estou desconsiderando o fato de que o título em particular que me trouxe até aqui, Castlevania, chega até nós como um anime num serviço de streaming, o que não parece revolucionário ou absurdo quando você considera que dois títulos da franquia Fate (Fate/Zero e Fate/Unlimited Blade Works, ambos baseados em duas rotas diferentes de um jogo produzido pela Type-Moon) já figuram no catálogo da Netflix, junto com vários outros animes, além de várias outras produções/adaptações originais que lidam com temas muito mais polêmicos.

Contudo, a premissa da questão continua sendo válida. Afinal, o cinema tentou e, na maioria dos casos falhou ao trazer grandes títulos oriundos dos consoles para as telonas. E embora Resident Evil tenha conseguido gerar uma franquia até respeitável, as aventuras de Milla Jovovich saindo na porrada com todo tipo de criatura parecem exceção a regra quando comparadas com títulos como Príncipe da Pércia: As Areias do Tempo, Street Fighter, Mortal Kombat, Lara Croft: Tomb Raider e até mesmo Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos, que até podem ter gerado alguma renda e figurarem na lista de guilty pleasures de muita gente, mas não deixaram de ser tentativas falhas de bloockbusters que agradam que não conhece e envergonham os fãs dos jogos que lhes deram origem.

Mas antes que o texto tome a direção errada e fique parecendo mais um lamento de um fanboy da maioria dos jogos agredidos  “adaptados” nesses filmes, voltemos ao assunto principal. Porque minha pergunta faz mais sentido ainda depois que olhamos para a situação a partir desse ângulo. Se a sétima arte, marcada por grandes orçamentos e variados recursos – a mesma sétima arte que obteve um sucesso absurdo em consagrar quase duas décadas de adaptações de quadrinhos – não conseguiu repetir a fórmula com os jogos, como a TV poderia ter sucesso nessa empreitada?

Eis aí uma verdadeira cruzada. Uma ideia que poderia muito bem ser apenas isso, uma ideia, mas que abre espaço para discussões que são interessantes. Claro, essas linhas representam somente a minha abordagem para a situação. Contudo, é melhor começar por absurdos do que por lugar nenhum.

Sim, adaptações dos jogos podem chegar e se consagrarem no formato seriado da TV, seja nos serviços de streaming ou num canal regular. Agora, se eles realmente chegarão é outra história. E é importante que isso fique claro. São somente conjunturas, ideias que se amarram aqui. Não estou prevendo nem afirmando nada, até porque o meu controle sobre a indústria e os acordos financeiros para se adaptar qualquer coisa é pouco ou nenhum. Mesmo assim, é um cenário que merece algumas linhas de atenção.

Claro, adaptar qualquer coisa oferece certos riscos. Trazer qualquer título dos consoles – tenha ele passado pelo cinema antes ou não – para as telinhas, mesmo que seja como um anime com toda certeza terá seus defeitos, em algum ponto indignará a player base e claro, não será perfeito. Mas isso poder ser dito sobre toda e qualquer adaptação. Os jogos, que por si só, cada vez mais já possuem uma estrutura narrativa absurdamente grande capitularizada de maneiras que quase nenhum outro formato pode produzir não são imunes aos problemas do ato de adaptar.

Contudo, títulos como Horizon Zero Dawn e até Overwatch – para não deixar a Blizzard de fora – fazem, a sua maneira, um excelente uso do processo narrativo. E nem é preciso se resumir a esses títulos. Pegue qualquer game que você tenha jogado nos últimos anos e uma certeza fica: seja por referências veladas, material estendido, DLC’s temáticas, quadrinhos ou uma seara de referências geek/pop, jogar um game há muito deixou de ser simplesmente só um apertar de botões. Os desenvolvedores brincam com a narrativa e com a progressão da mesma forma que eles brincam com novas mecânicas e recursos tecnológicos. Nada impede que essa estrutura narrativa, aliada ao formato também capitular da TV, renda um receita para grande sucesso.

Se os games chegarão a TV? Não posso responder. São muitas variáveis, todas elas muito além do meu controle. Mas uma coisa é certa, e isso eu posso afirmar com muita satisfação: Para o sucesso ou para o fracasso, os jogos estão só esperando alguém correr esse risco. Afinal, e por mais que vá irritar muita gente ler isso, o reinado dos quadrinhos no entretenimento eventualmente vai acabar. E quando isso acontecer, quem sabe… talvez os jogos tenham seus dias de glória numa mídia completamente diferente.

Agora é só esperar e descobrir – e jogar, claro. Quem sabe que surpresas nos aguardam por aí? Au revoir!

 

P.S.: Ah, não esqueci do disclaimer das imagens não. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Captura de Tela do jogo Castlevania III: Dracula’s Curse/Arquivo Pessoal; Controles variados de vários consoles/Montagem Pessoal/Reprodução (4tetopop); Logo da série Castlevania/Divulgação(Reprodução)/Netflix; TV e controle remoto/Captura de Tela/Reprodução.

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About Richard Gonçalves

Richard Gonçalves
Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.