Os impérios de Shonda Rhimes, Greg Berlanti e Dick Wolf na TV

Imperio Showrunners
Imagem: Mix de Séries

Se voltarmos no final da década de 1970 e início de 1980, encontraremos Aaron Spelling produzindo sete horas de programação por semana na ABC, um terço da programação total do horário nobre da rede. Consideramos que, atualmente, Shonda Rhimes, Greg Berlanti e Dick Wolf são os sucessores destes legados, produzindo horas e horas de conteúdo para uma determinada emissora.

Existe uma fórmula do sucesso? O que é preciso para se consolidar um império na TV?

Dick & Wolf: “Special Showrunner of NBC”

Dick Wolf é um velho conhecido do público que gosta de séries procedurais – aquelas com casos da semana, que você pode assistir descompromissadamente. O showrunner é a mente por trás de uma das séries de maior sucesso da TV, Law & Order, que obteve diversos spin-offs, com um – Law & Order: Special Victims Unit, inclusive, no ar até hoje.

Em 2012, porém, Wolf esteve diante do que se tornaria seu mais novo trabalho consolidado: Chicago Fire. Dick resolveu produzir a ideia de Derek Hass e Michael Brandt, criadores do show, que rapidamente tornou-se o novo sucesso da NBC. Trabalhando com a velha fórmula que o consagrou na franquia Law & Order, Wolf atribuiu uma característica mais íntima à Chicago Fire, trabalhando histórias que ultrapassavam os turnos dos bombeiros e alcançavam suas histórias pessoais.

Vendo que o público respondeu à altura, a NBC investiu em mais duas séries na franquia – Chicago P.D. e Chicago Med, todas com audiência já consolidada, abrindo precedente para uma quarta série da franquia – Chicago Justice. 

A franquia Chicago de Dick Wolf é um enorme sucesso e não para de crescer. Imagem: NBC.
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No total, Wolf tem 4 horas de programação semanal no prime time da NBC, sem contar a produção de uma nova série na CBS (FBI).

O sucesso de Shonda’s Anatomy!

Se existe um nome poderoso no meio televisivo atualmente, este nome é Shonda Rhimes! Shondinha, Shondanás, ou apenas Shonda, a autora é responsável por um dos maiores sucessos da TV, Grey’s Anatomy. E foi a partir dali que ela conseguiu sua fama de “a showrunner que mata sem piedade”, por conta dos inúmeros personagens da série que foram mortos.

O canal ABC chegou a criar uma Tag para a noite exclusiva de Shonda Rhimes, o #TGIT! Imagem: ABC

Porém, tão quanto os personagens que morrem, Shonda conseguiu colocar no ar séries que agradam em cheio ao público e, principalmente, os executivos da ABC. Hoje, sua produtora Shondaland detém ainda a produção de How to Get Away With Murder e For The People compondo a conhecida linha de quinta-feira, TGIT (Thanks God It’s Thursday – Graças a Deus, hoje é Quinta!), fazendo uma referência aos seus shows que preenchem o line-up de um dos dias mais disputados daaudiência americana.

Shonda é responsável pelo alto faturamento do canal nas quinta-feiras e, com isso, trouxe um maior prestígio para o line-up deste dia, que é considerado imbatível pela emissora. Graças a ela, inclusive, nomes como Ellen Pompeo (Meredith, Grey’s Anatomy) e Patrick Dempsey (Derek, Grey’s Anatomy), se tornaram, durante anos, um dos atores mais bem pagos da televisão norte-americana.

Isso a fez alcançar vôos ainda maiores, sendo contratada exclusiva da Netflix, a partir de agora. Rhimes fechou um acordo de exclusividade e produzirá séries apenas para a plataforma de streaming a partir de 2019.

É um pássaro? Um avião? Não, é o Super-Berlanti.

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Arrow e The Flash foram os primeiros “super” sucessos de Berlanti na TV. Imagem: CW

Greg Berlanti pode parecer um nome recente na TV, mas ele vem consolidando sua carreira já há algum tempo, produzindo séries como Everwood (2003) e Brothers & Sisters (2006). Mas foi com Arrow, em 2012, que o roteirista e produtor viu seu nome estourar na boca do povo.

Em pouco tempo, já havia conquistado a confiança da CW, engajado o primeiro spin-off: The Flash. Em sequência, DC’s Legends of Tomorrow e Supergirl (que teve sua primeira temporada exibida pela CBS) formaram o grupo de heróis da TV da DC Comics que ganharam versões em live-action.

Mesmo fechando um acordo de exclusividade com a Warner Bros., Berlanti terá 14 horas de programação da TV norte-americana sob sua supervisão na temporada 2018/19, através de vários canais. All American, Arrow, Black Lightning, DC’s Legends ofTomorrow, The Flash, Riverdale e Supergirl na CW; Blindspot na NBC; God Friended Me e The Red Line na CBS; Chilling Adventures of Sabrina na Netflix; Titans e Doom Patrol para o novo streaming DC Universe; e You na Lifetime.

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Existe um segredo para o sucesso?

Três showrunners. Três estruturas completamente diferente. Há um segredo para este sucesso? Pode parecer misterioso, mas a princípio não. Utilizando de histórias simples, com personagens cativantes, ambos os showrunners se tornaram mestres em apresentar o dia-dia das pessoas, fazendo o público se verem refletidos e imersos nestas histórias – e isso inclui o universo fantasioso dos heróis.

Berlanti, por exemplo, trabalha em suas séries como Arrow e The Flash, dilemas e problemas do cotidiano que se misturam com as batalhas e cenas extraordinárias.

Já no universo trabalhado por Rhimes e Wolf, isso fica bem mais evidente. Seja nos hospitais de Chicago Med e Grey’s Anatomy, nos plantões de Chicago Fire e P.D., ou nas cortes de Scandal, How to Get Away With Murder e Chicago Justice, os roteiristas conseguem trabalhar casos inspirados na vida real, e a identificação com o drama e a superação destes personagens é, talvez, a chave para o sucesso.

E quando digo “inspirado na vida real”, é inspirado mesmo. Nem todas as histórias encontram finais felizes. Shonda Rhimes, por exemplo, não pestanejou ao dar um fim trágico para o grande protagonista masculino de Grey’s Anatomy.

Em Grey's Anatomy a vida não é sempre um mar de rosas... Imagem: ABC
Em Grey’s Anatomy a vida não é sempre um mar de rosas… Imagem: ABC

Dick Wolf, idem ao retirar uma das personagens mais amadas de Chicago Fire, para mostrar que mesmo os heróis da vida real, encaram perdas. E os da ficção com super poderes? Uma importante morte em Arrow na temporada passada veio para confirmar isso.

Identificação. Esse, portanto, é o segredo do sucesso de tais histórias.

Um legado valioso para a TV.

No meio dessa brincadeira toda, Shonda Rhimes, Dick Wolf e Greg Berlanti criaram verdadeiras galinhas dos ovos de ouro para a televisão.

Os crossovers – os famosos encontros – das séries de TV, funcionam como um meio de impulsionar ainda mais a audiência e, consequentemente os seus valores no mercado. Dick Wolf utiliza bastante deste recurso promovendo, no mínimo, três grandes crossovers por temporada entre Chicago Fire, Med e PD. Berlanti e seus heróis estão indo pelo mesmo caminho que já foi utilizado por Shonda Rhimes nos tempos em que Private Practice estava no ar e vivia encontrando com Grey’s Anatomy.

Crossovers – a palavra de ouro na TV. Imagem: CW

Ah, e não podemos esquecer de um importante meio que tem sido utilizado para difundir ainda mais estes produtos: as plataformas de streaming, como a Netflix, que tem se tornando outro aliado importante para a consolidação do sucesso destes produtos.

Os segmentos de suas séries e os disputadíssimos intervalos comerciais valem, hoje, uma fortuna para as emissoras – e para seus criadores, devidamente. Você notou que já faz muito tempo que a abertura de Grey’s Anatomy, por exemplo, não passa mais? Pois é, aqueles 30 segundos de introdução foram convertidos em mais espaço para anunciantes, fazendo com que as emissoras faturem através de altíssimas cotas de patrocínios.

O resultado disso tudo? Inúmeras indicações e prêmios conquistados ao longo dos anos por estes showrunners.

Portanto, podemos visualizar que ao assistirmos algumas destas séries de TV estamos contribuindo, e fazendo parte, deste verdadeiro império desenvolvido por Shonda Rhimes, Greg Berlanti e Dick Wolf. E algo me diz que ele está longe de parar de crescer.

 

#Matéria originalmente publicada no dia 13 de outubro de 2016.

About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.