OZARK – 1ª Temporada (Crítica sem spoilers)

Imagem: Netflix/Divulgação

“Dinheiro não é a paz de espírito. Dinheiro não é felicidade. Dinheiro é na sua essência o que mede as escolhas de um homem”. – Marty Byrde

OZARK, desde que começou a ser divulgada, vem sendo comparada de forma positiva a Breaking Bad. Ambas contam a história de um homem aparentemente comum que se vê de repente imerso no mundo do crime. Mas essas semelhanças são superadas rapidamente e logo faz o espectador entender que OZARK se trata de uma trama original, com sua própria história e seus próprios recursos. Claro que há referências a outras produções como o recurso voice over e o tom de Bloodline e a presença do cartel de drogas e a investigação como é visto em Narcos, mas é preciso não se prender a nada disso.

A nova série original Netflix já começa com uma narração sobre o que é dinheiro e o que ele representa para o homem, uma reflexão que já pretende justificar as escolhas (ruins) que os personagens podem vir a tomar. OZARK conta a história de Marty Byrde, um consultor financeiro que trabalha lavando dinheiro para o segundo maior cartel de drogas do México. Ele é bem articulado, inteligente, e muito frio. Vê sua vida mudar ao descobrir que sua esposa mantém um caso extraconjugal e seu melhor amigo andou roubando parte do dinheiro do chefão do cartel. Apesar da frieza que aparenta desde o inicio, Marty é um homem comum e quando vê que sua vida e sua família correm perigo é como se ele tivesse despertado e aí começamos a conhecer outras camadas do personagem. Após implorar por sua vida e negociar com seu algoz, Marty precisa mudar para o Lago de Ozarks, uma cidade pacata do Missouri para pagar sua divida e lavar dinheiro para seu chefe. O problema é que a cidade não é tão pacata assim e esconde seus próprios segredos e esquemas ilícitos, o que torna o trabalho de Marty mais arriscado e difícil.

O episódio piloto funciona muito bem e deixa claro que a história tem potencial. E de fato a história se amplia ao longo dos episódios, mostrando muito mais do que se podia imaginar. Somos apresentados a outras famílias e seus dilemas. Os negócios ilícitos que acontecem, crimes e assassinatos. Um recurso muito criativo utilizado é a exibição de ícones no início de cada episódio. A tela tem a função de ilustrar elementos que serão relevantes naquele episódio, um tipo de spoiler. Se torna interessante porque faz o espectador tentar identificar em qual momento aquilo pode acontecer, chamando ainda mais nossa atenção.

OZARK  possui um bom roteiro, mesmo sendo um pouco previsível às vezes. Porém, ele traz boas surpresas levando o espectador da tranquilidade à brutalidade de forma rápida. As mortes executadas são sempre surpreendentes, de deixar qualquer um de boca aberta. Com um bom roteiro, a série entrega uma história sólida e verossímil.

O desenvolvimento dos personagens é feito de forma natural e crescente. Seja o elenco principal ou secundário, todos são bem desenvolvidos ao longo da temporada. A evolução de alguns é mais atraente que a de outros, mas cada um com sua profundidade. O episódio 1×08 – Kaleidoscope apresenta um flashback que boa parte dos personagens, uma forma de fazer um paralelo de suas vidas e até mesmo tentar justificar o que eles fazem agora.

Jason Bateman acostumado com papéis cômicos desenvolve bem o papel do chefe de uma família disfuncional. Apesar de parecer apático algumas vezes, acho que a proposta do personagem era justamente essa. Ele apresenta um cara frio, calculista e de raciocínio rápido para sair de alguma cilada.

A querida Laura Linney entrega uma interpretação digna no papel de Wendy, a esposa de Marty. É uma personagem que, apesar de ser infiel no casamento é leal ao companheiro sabendo de todo esquema de lavagem de dinheiro desde o inicio torna-se sua cúmplice. Ela é tão persuasiva quanto o marido e se mostra até mais manipuladora ao longo dos episódios.

Outro destaque é a talentosa Julia Garner que interpreta Ruth, uma garota que vive em uma realidade familiar dominada por homens. É uma personagem forte que não mede as consequências para garantir seu futuro e acaba tendo uma dinâmica interessante com Marty.

A direção é outro ponto positivo da série com ótimo jogo de câmeras, utilização de filtros, ora mais escuro, ora mais azulado. A trilha sonora também se destaca durante toda temporada. Citando o episódio piloto, por exemplo, termina com Radiohead, sensacional.

Apesar de ter uma boa jornada, faltou força no episódio final. Alguns momentos são realmente surpreendentes e desconfortáveis, mas ficou um sentimento de “poderia ter sido melhor”, “não fui bem recompensado”, faltou alguma coisa. O roteiro poderia ter sido mais ousado. As coisas continuam complicadas para Marty e sua família, e tudo que acontece no episódio final irá trazer consequências em uma possível segunda temporada.

Imagem: Forum Outerspace/Divulgação

OZARK se mostra mais um acerto da Netflix, um bom drama que fala sobre família, as más escolhas, outra ótica sobre o tráfico de drogas, a realidade sobre lavagem de dinheiro e a importância que damos ao mesmo. A primeira temporada é composta de 10 episódios.

Ozark - 1ª Temporada

Nota da temporada - 8

8

Crítica da Primeira Temporada de Ozark, da Netflix.

User Rating: 4.23 ( 2 votes)

Comments

comments

About Yuri Alves

Yuri Alves
Bacharel em Direito, fascinado pelo universo dos heróis e um viciado por séries e filmes. Um escritor a procura de seu espaço. Amante dos livros e da boa música. A série da sua vida, The OC. No Mix, é responsável pela review da série Midnight, Texas, The Defenders e Dynasty.