Preacher – Balanço da Primeira Temporada

Imagem: AMC/Divulgação

 Já ouvi dizerem por aí que as palavras têm poder, mas admito que não poderia haver exemplo prático melhor do que o que foi visto na primeira temporada de Preacher. As vésperas da estreia da nova temporada, relembramos o que rolou em seu ano de estreia.

A série se desenrolou de forma satisfatória e os 10 episódios foram bem dirigidos, com uma boa fotografia e ótima exploração dos cenários no Texas, sempre com um gancho de um capítulo para outro e sempre nos deixando ansiosos pelo momento em que Jesse Custer começaria a utilizar o poder de “Gênesis” sabendo de sua real extensão. A mistura entre o lado cômico e o lado sombrio da série foi lindamente dosada e as cenas de luta e sangue foram muito bem planejadas e executadas para uma série de TV.

A angústia de Jesse com lapsos de memória de sua infância e da promessa que fez para seu pai, e ainda lembranças de sua antiga vida de pecados, junto com a sensação de vazio que ele sentia como líder daquela comunidade religiosa formaram um bom pano de fundo para sua busca por propósito até ser escolhido pela entidade celestial. O primeiro episódio me deixou um pouco confuso, levei uns minutos para entender que os agentes celestiais estavam atrás da entidade e não do Cassidy. Inclusive, achei que o vampiro beberrão se tornaria o inimigo de Jesse, quando, na verdade, se mostrou um grande “parça” para o pastor.

Embora eu tenha me perdido um pouco nos primeiros minutos, o episódio piloto mostrou tudo o que precisava para nos deixar ansiosos pelos próximos capítulos: as memórias das últimas palavras do pai de Jesse, a fabulosa luta de Cassidy no avião – por falar nisso, quem eram aqueles caras hein? Será que esse lado será mais explorado na próxima temporada? – Além de mostrar a personalidade louca de Tulip e o rosto lindo do Eugene – AKA “Arseface”, ver a entidade divinamente misteriosa “Gênesis” possuindo e destruindo pessoas pelo mundo até encontrar o hospedeiro perfeito me deixou muito curioso, mas o que mais me deixou atônito para ver o resto da série foi, de fato, a cena de luta onde Jesse desce a porrada em uns 10 caras e faz Donnie soltar um rugido bem peculiar, típico de um coelho. Apesar de perceber depois que ele havia se equivocado sobre a violência doméstica na casa de Donnie, o valentão bem que mereceu aquela surra.

Pensando no lado cômico, ver o letreiro da igreja sempre aparecendo com um trocadilho diferente me fez lembrar dos Simpsons que a cada vinheta mostrava o Bart escrevendo algo diferente na lousa (viajei nessa parte, se quiser, pode ignorar). As conversas de Jesse com aquele carinha que só vivia falando da sua relação com a mãe, o prefeito com aquela risada de cara escroto sempre tentando dar um xaveco na secretária do pastor. A jornada da dupla de agentes celestiais para devolver a entidade para seu local de origem: a fantástica lata de café (tecnologia de ponta a do céu né não?). Sem falar nas frases esquisitas e frias do Sr. Odin Quinncannon que parecia não estar nem aí pra nada que não fosse de seu interesse.

Já o lado sanguinolento da série também foi bem explorado. Bizarramente explorado, eu diria. A Tulip arrancando a orelha de um cara no dente, o Cassidy servindo-se do sangue do piloto com uma garrafa de champanhe (ok, essa foi meio bizarra) logo antes de seu corpo espatifar-se na terra e ele atacar uma vaca para restabelecer suas energias, a fratura exposta do Donnie no episódio já mencionado do ruído do coelho, as mortes e reencarnações estranhas dos agentes, principalmente na batalha contra aquela agente linha dura – que mais parecia um ciborgue – dentro do quarto do hotel onde deixaram marcas sangrentas e pedaços de corpos, que não sumiam nem quando eles retornavam para a terra. A visão do inferno foi uma ótima sacada. Confesso que levei uns momentos para entender que aquele mercenário vingativo estava vivendo seu inferno ao buscar o remédio de sua filha e sempre chegar tarde demais. As mortes e confusões que acontecem no final da temporada serviram bem para dar um tom mais pesado à série.

Imagem: AMC/Divulgação

Na trama principal, foi legal ver Jesse compreendendo aos poucos e com a pouca ajuda dos agentes celestiais como funciona o poder de “Gênesis”. Os resultados nunca eram conforme o esperado: dizer ao carinha chato para que abrisse o coração para sua mãe, sem dizer que era num sentido metafórico foi desastroso. Exigir que o Sr. Quinncannon servisse a deus sem especificar a qual deus ele devia servir foi catastrófico. Mas não saberia como descrever a cena em que ele manda o Arseface para o inferno só com as palavras. Fiquei, mesmo mesmo, esperando que ele voltasse, mas não rolou…

A sacada de Jesse ao pegar o telefone com linha direta com o todo poderoso foi muito boa também – bizarra também, eu sei – mas boa. Tão boa que pode até ter inspirado um certo pastor africano que dizia ter o número de Deus (https://goo.gl/BJciJT). O último capítulo fechou com chave de ouro. A “chamada para Deus” foi bem explorada e a contagem regressiva enquanto o pastor ia tentando resolver outros assuntos deu um tom quase de “Jack Bauer” no episódio. No começo julguei que a representação divina da série era muito clichê, até começar a perceber que o velhinho ali não era realmente o criador do universo daí tudo fez mais sentido. Estou bastante ansioso pela próxima temporada para saber como será a jornada em busca de Deus para chama-lo à responsabilidade que, supostamente, abandonara.

Opinião pessoal:
Não sou muito fã de revistas em quadrinhos, meu interesse é mais por séries mesmo, então não posso nem reclamar nem elogiar as nuances desse live action. Mas entendo que a intenção de se ter uma série de TV baseada em quadrinhos é poder adaptar a história tanto para fãs como para leigos, e, com isso, acaba-se criando um novo universo para as histórias e alguns aspectos não serão, de fato, como o original. Gosto de pensar que independente de ter isso ou aquilo diferente dos quadrinhos, a série possui seu universo próprio, o da televisão. A partir daí, pessoas que nunca ouviram falar do personagem poderão, enfim, conhecê-lo de uma maneira não muito original, mas mais tangível do que o Jesse Custer dos quadrinhos. Por mais que haja diferenças, não vou me ater aos detalhes, prefiro me atrever a dizer que a série foi muito bem produzida e que estou ansioso para conhecer a jornada do pastor boca santa, sua namorada pavio curto e o vampiro irlandês atrás de Deus para confrontá-lo. Será que o Morgan Freeman fará uma pontinha na série???

A segunda temporada promete.

Preacher - Balanço Primeira Temporada

Nota do Episódio - 9.5

9.5

Balanço da primeira temporada da série Preacher, da AMC.

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About Albert Moura

Albert Moura
Jornalista e seminarista, além de pai de primeira viagem. Casado com a Ana, mas amante das séries. Atualmente acompanha Outcast, Better Call Saul, American Gods, Lucifer, Gotham, o universo Marvel e mais algumas, além de também ser um eterno fã de Friends. No Mix, escreve sobre as próximas temporadas de Preacher.

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