Por que as séries de TV estão tão na moda? Entenda a popularização…

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Imagem: Sobre Obra Cultural

Tem na Netflix?

Nossa coluna hoje vem discutir um tema que está em alta: a abrangência das séries de TV. É inegável que assistir seriados hoje tornou-se algo popular, e com o crescimento desse público, sem dúvidas, tal material cultural se valorizou.

Apontamos nosso olhar para essa discussão e nos voltamos para alguns pontos referentes ao acesso das séries de TV no Brasil. O que mudou? E essa mudança foi para melhor?

Onde tudo começou…

Recentemente, compartilhamos um “meme” em nossas redes sociais relembrando antigas séries de sucesso no SBT, como The O.C. e Smallville. É fato que muita gente começou sua vida de seriador pela TV aberta. Plantão Médico no domingo à noite, Lois & Clark no sábado à tarde, Friends nas quartas. A Rede Globo e o SBT foram responsáveis por levarem grandes títulos entre a década de 1980 e 2000 para aqueles que não tinham o poder aquisitivo de manter uma TV a cabo em seu advento.

the oc 03The O.C. foi um dos grandes sucessos dos domingos de manhã no SBT. Imagem: Divulgação

Foi ali que muitas dessas paixões nasceram. Muita gente que hoje ama série, começou a gostar ali. O público foi se identificando com esse formato de “temporadas”, e a medida que a possibilidade de acesso a este tipo de conteúdo foi aumentando, os fãs de séries de TV também foram. Mas era assim, um episódio por semana. Anualmente, quando a emissora resolvia exibir. E mesmo com a TV aberta sendo abrangente, o nicho de fãs de séries de TV era bem tímido.

Além disso, existia um fator crucial que atrapalhou uma maior consolidação desse produto naquele momento: a ausência da internet. Sem a Web, não havia uma intensa comunicação, divulgação e até mesmo conhecimento desses produtos. Assistir séries de TV resumia-se a sentar na frente da TV e conversar sobre com quem estava perto de você…

Porque existem mais fãs de séries de TV neste momento?

Pode-se dizer que séries de TV são o fenômeno do momento. Nunca o produto esteve em tão alta quanto agora. E o principal fator para isso acontecer sem dúvidas é a internet. Seja por ter facilitado a forma de se assistir, seja pela forma de conectar pessoas que gostam de conversar sobre.

Com o crescimento de plataformas de streaming, como a Netflix – a grande predominante aqui no Brasil – as séries de TV se inseriram em um boom! Séries antigas, antes com um nicho selecionado, ou séries que já estão no ar há algum tempo cresceram absurdamente no gosto do povo, transformando este formato em um objeto de desejo do brasileiro – podendo inclusive substituir o já tão consolidado formato de “telenovela”.

Grey’s Anatomy, certamente é um exemplo. No ar desde 2005, foi em 2016 que se tornou “a série mais assistida” através da Netflix. Ou seja: é um produto antigo, que já foi exibido pelo SBT, mas só com a Netflix se popularizou no Brasil.

Assistir séries de TV ficou mais prático e fácil com a Netflix.

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Tem gente que acha isso ruim. Talvez sejam aqueles que acham que “quanto mais restrito, melhor”. Mas a popularização das séries de TV é algo que, em minha opinião, é bem positivo. Isso acarreta um maior conhecimento das pessoas sobre o assunto, aumentando o acesso e a conversa sobre algo que a gente ama.

Ou seja: Fã que é fã tem de ficar feliz com muita gente assistindo a sua série amada, conhecendo por agora um produto que você já ama há anos. É a gratificação de algo que você curte e o reconhecimento de uma obra que tem algum tipo de significado em sua vida.

Por exemplo, eu assisto Grey’s Anatomy desde 2005 e, na época, o público do show não era nem 1/4 do que é hoje no Brasil. Fico feliz de ver o quão a série cresceu, e isso é graças ao acesso a este conteúdo que a internet permitiu. O mesmo serve para séries antigas como Lost, Prison Break, ou Gilmore Girls, que ganharam licenciamento para streaming no Brasil e hoje fazem a alegria de quem não pôde acompanhar no momento de suas produções.

Maiores Investimentos…

É inegável que, com este crescimento, estamos vendo maiores investimentos de canais a cabo nas séries de TV, que querem correr atrás do prejuízo. Se antes esperávamos meses para assistir a uma temporada inédita, agora é questão de semanas até o episódio de uma série chegar ao Brasil – isso quando ele não tem transmissão simultânea como Game of Thrones ou The Walking Dead.

Imagem: Bolsa Mania

The Walking Dead e Game of Thrones são algumas das séries com transmissão
simultânea no Brasil. 

De qualquer forma, estão todos eles investindo em plataformas semelhantes a Netflix, como a HBO Go e o Fox Premium. Todos entrando na moda de que assistir série virou algo para se fazer onde e quando quiser.

Outro tipo de investimento é o licenciamento. As vezes, tal canal paga um valor maior para manter determinada série sob exclusividade por um período, impedindo assim que ela entre em serviços de streaming – discutimos isso em um outro post (clique aqui). São pequenas estratégias que podem, ainda, segurar um público que prefere assistir pela TV.

Esse é o efeito da praticidade que a internet proporciona para aqueles que são fãs de séries de TV. Esperar a TV hoje é uma questão de escolha e conveniência. Isso reafirma a influencia da internet na forma de assistir séries e como ela molda o comportamento do consumo deste tipo de entretenimento.

E qual a percepção desta mudança?

Dado esse panorama, certamente o comportamento de quem se envolve com este meio mudou. Seja a forma como assistimos a este produto ou discutimos.

Por exemplo, assistir séries hoje envolve todo um hábito. Você pode assistir por streaming uma atração, enquanto usa o celular, simultaneamente, para comentar o episódio. É o modo chamado “segunda tela”, aplicado por muitos “maratonistas”. Aliás, esse termo foi aderido porque, com o streaming, cada vez mais as pessoas estão assistindo séries com episódios um atrás do outro, no formato “binge watching” chamado lá fora. O que antes poderia ser alienação, hoje é uma prática cultural.

Nós conversamos com alguns colegas de trabalho, de blogs e mídias sociais, que nos passaram um pouco da sua visão sobre o assunto.

Leia também: 5 séries para você começar hoje na Netflix

Rildon Oliver, um dos criadores do site Cosmo Nerd, comentou sobre essa mudança. “Acredito que a entrada dos serviços de streamigs mudaram o comportamento do espectador. Ter as series completas, te dando a possibilidade de fazer maratonas assim que elas estreiam, em vez de ficarmos conectados com esse material por cerca de 6 meses, mudou demais o status. Consumimos mais rápido.“, disse ele.

E isso reflete diretamente na produção. Antes, dava para ficar falando semanalmente de vários episódios, dar mais tempo de teorizar, hoje, perdeu muito disso. Se você não lança um vídeo ou a critica em texto de uma serie que acabou de estrear, você perde timing e audiência, por já estar atrasado e teu conteúdo, infelizmente fica defasado“, completou em relação à produção de vídeos para o segmento.

O acesso ao conteúdo de streaming está cada vez mais fácil através do Mobile. Imagem: theverge/release/divulgação

Paula Ramos, editora do Poltrona Nerd, acha que o streaming veio para democratizar mais a audiência deste tipo de conteúdo, e que dinamizou a produção de conteúdo escrito. “Os serviços de streaming conseguem captar a audiência independente do país de origem da série, e isso é muito bom para nós que as assistimos. Por consequência, suas histórias são mais aptas a terem continuidade, ao invés de basearem-se em um só país.”, disse ela ao Mix de Séries.E ainda é possível produzir muito conteúdo, porque a gente tem consciência de que um maior número de pessoas poderá ser atingido com o streaming“, apontou.

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Já o criador de conteúdo Felipe Vieira, que possui um Perfil no Instagram chamado One More Serie, acha que o streaming foi fundamental para o “imediatismo” que os fãs de séries precisavam. “O streaming traz a possibilidade de maratonas, sem precisar ver uma vez por semana. E as séries ganharam espaço na vida dessas novas pessoas, justamente por causa dessa dinâmica“, ressaltou, ainda afirmando que este público está cada vez mais exigente. Ele ainda garante que seu perfil nasceu sobre a necessidade desta “pronta entrega” que o leitor necessita. Diretamente, o público exige, cobra e está cada vez mais exigente“, completou.

Entretenimento que conecta… 

Nas redes sociais, o reflexo também é intenso. São grupos, páginas, perfis, especializados em discutir, fomentar e até mesmo tirar sarro das séries de TV. É a onda do momento, que é ideal para você conhecer novas pessoas, fazer novas amizades e, porque não, até encontrar o amor da sua vida.

De alguma forma, esse é o reflexo da popularização. A internet, a Netflix, e todos estes meios, permitem hoje que as pessoas vejam mais séries, comentem e discutam com outras pessoas que também assistem a estes conteúdos. E, como qualquer vício, o público quer sempre mais e mais. Até agora, as plataformas estão suprindo essa exigência. A Netflix, por exemplo, lança uma série atrás da outra. É um leque inimaginável para quem é apaixonado por este universo.

Quanto mais gente assistindo série melhor!

E pensar que, anos atrás, quando você passava o domingo assistindo Smallville na hora do almoço, você nem imaginaria que as séries de TV fariam este imenso sucesso em?

Viva a popularização das séries de TV no Brasil e que elas continuem crescendo. Sempre.

About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.