Ten Days In The Valley: uma série que não precisa ficar mais do que 10 dias no ar

Imagem: ABC/Divulgação

Quando a ABC anunciou que tinha encomendado Ten Days In The Valley para uma primeira temporada composta de 10 episódios, sem a necessidade de um episódio piloto, percebi que a emissora tinha arriscado em produzir um grande sucesso e com amplo apoio da crítica (como The Good Fight) ou uma bagunça generalizada como boa parte da programação durante os anos finais do Kevin Reilly na Fox.

Imagem: ABC/Divulgação

Depois de assistir o primeiro episódio deste série (duas vezes), tenho certeza de que o risco que a ABC resolveu tomar não adiantou em nada. Há de se ressaltar, ante de mais nada, que a premissa é interessante. A vida de uma produtora de televisão fica, no mínimo, complicada depois que sua filha desaparece repentinamente no meio da noite enquanto tem que cumprir prazos exigidos pelo canal e mais.

Consigo entender o que a emissora viu aqui, principalmente com Kyra Sedgwick à frente como protagonista e produtora executiva, mas a execução do primeiro episódio é tão fraca, preguiçosa e sem nenhuma novidade em relação as outras inúmeras produções do gênero, como The Missing por exemplo, que fiquei realmente me questionando se estava assistindo uma série como essa em plena era dourada da televisão. É incompatível com o momento já que não acrescenta em absolutamente nada.

É verdade que as restrições de conteúdo da TV aberta não permitem que os roteiristas sejam mais ousados para trabalhar temas mais suculentos, como os diversos abusos que mulheres sofrem em Hollywood desde disparidade salarial em comparação com os homens até sexuais e morais ou quem sabe brutalidade policial, tráfico de drogas e por aí vai. Entretanto acredito que basta uma sala de roteiristas criativa e comprometida em fazer um bom trabalho para conseguir superar essas questões, lembro que esta é a mesma emissora que nos trouxe Dynasty, NYPD Blue e entre tantas outras.

Kyra Sedgwick é uma luz no meio de um elenco amador, mal selecionado e pessimamente dirigido. Sabemos que ela foi uma das razões pelas quais a ABC aprovou esse projeto, mas não há a menor condição de ir muito longe sem um bons atores para dar apoio a protagonista. Sou um grande fã da atriz desde os tempos de The Closer até o momento de fazer comédia em Brooklyn Nine-Nine, mas Ten Days In The Valley poderia ter ficado na gaveta por mais algum tempo.

Em síntese acredito que, analisando a partir desse primeiro episódio, esse material poderia ser excelente para o cinema. Quem sabe quando a ABC anunciar que está tirando essa minissérie do ar e substituindo-a por reprises de The Good Doctor ou pela terceira temporada de Quantico, algum estúdio possa ver potencial na ideia.

Ten Days In The Valley: uma série que não precisa ficar mais do que 10 dias no ar

Nota do Episódio - 7

7

Crítica da série Ten Days In The Valley

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About Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.