Rogue One: Uma História Star Wars encanta os fãs mas não conquista o público novo

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Imagem: Divulgação

Em meio a uma dezenas de reboots e remakes de franquias memoráveis do cinema o objetivo dos empresários da arte da cinematografia parece ser o mesmo: entregar pontos já consolidados para os fãs tornando tudo nostálgico mas o desafio é estabelecer uma história já contada para um público novo.

Rogue One, o primeiro filme derivado da franquia Star Wars, erra feio na apresentação de sua trama. Longe de ser um problema de roteiro, o grande infortúnio é a presença de histórias paralelas e personagens nada cativantes. A história do filme já era conhecida pelos fãs, mas parece ficar flutuando em meio a diálogos rasos e pouco objetivos.

A apresentação da “equipe” me lembrou muito o primeiro episódio da animação Star Wars Rebels, sendo, talvez, uma grande referência para o filme. Fica evidente as tentativas de gancho com Star Wars: Uma Nova Esperança, mas ele também retrata outros pontos da queda da República. A Aliança Rebelde sempre está muito atrás dos poderes do Império, surgindo a necessidade de recrutar soldados que não lutam pela causa, mas sim pela sobrevivência.

rogue-one-villainsGareth Edwards, diretor do filme, presenteia os fãs com o supra sumo do melhor de Star Wars, colocando a nostalgia para resolver lacunas antigas. Ele até apresenta alguns artifícios novos, como planetas ainda não conhecidos, mas sempre alinhados a velha sensação de estar presente no universo de George Lucas.

O melhor do filme são as cenas de ação, apesar de que era possível desvairar mais, mas ele apostou na zona de conforto e deu muitíssimo certo. A batalha em Scarif é um show de efeitos visuais e práticos, dignos de serem admirados quadro a quadro. A explosão de Jedha também torna-se bastante palpável e ainda dá para compartilhar o sentimento de “destruíram nosso lar” de alguns personagens.

Se a franquia Star Wars ficou conhecida por nos presentear com personagens cativantes, Rogue One não faz muita questão de envolver o espectador com os arcos dos novatos. Cassian Andor (Diego Luna) tem uma boa trama mas parece se perder assim que se envolve com Jyn Erson (Felicity Jones). Ela, em questão, não mostrou para o que veio: esperava uma heroína mas fui apresentado a uma sonhadora inexpressiva. Não se dá o cargo de protagonista a uma personagem mal resolvida e que não busca uma solução para si mesmo.

O vilão Orson Krennic (Ben Mendelsohn), diretor da Estrela da Morte, não é tão ameaçador como foi vendido, mas ganha consistência em seus diálogos, principalmente quando são com Darth Vader. Edwards usa o vilão clássico de forma humilde, mas presenteia os fãs com uma linda cena de encerramento.

Rogue One veio com propósito de explicar algumas lacunas de Star Wars, fazendo o fã reconhecer detalhes, suspirar com referência e revisitar personagens antigos. É ótimo ver alguém explorar os mínimos detalhes do roteiro de George Lucas de 1977, mas o erro do filme está exatamente nisso, não dá cativar um público novo presenteando somente os antigos, é preciso ampliar as piadas internas e ter a consciência de que é preciso de mais do que uma batalha interestelar para conquistar o grande público.

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About Alessandro Alves

Goiano, farmacêutico, nerd e Team Capitão América. Já viveu um romance platônico com a Princesa Leia de Star Wars e não sobreviveria um dia sequer nos Jogos Vorazes. Não dispensa uma xícara de café acompanhada de uma boa série e sente saudades eternas de Skins e The Good Wife. No Mix escreve a coluna Mix Discussão e as reviews de Legion.

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