Nova série da S.W.A.T. prova que é possível fazer dramas policiais que vão além da ação

Imagem: CBS

Quando descobri que a CBS iria fazer um remake de S.W.A.T. (e olha que nem era da clássica série de TV, mas sim do longa metragem dos anos 2000), fiquei cético. Primeiro, por ser um remake do remake. Quem faz isso? Segundo, por ser uma série da CBS. Afinal, já notaram que todas as séries deste canal são praticamente as mesmas? NCIS, CSI, Bull, Hawaii Five-0, MacGyver… Todas atendem a um mesmo público (o mais velho) com o mesmo formato e, por isso, angaria milhões e milhões na audiência…

S.W.A.T. seria apenas mais uma nesta fila, mas não foi. Ao terminar o primeiro episódio da série me encontrei em uma grata surpresa. Talvez seja a primeira série, em anos, a tratar da diversidade tão abertamente na CBS. Com um elenco bem interessante encabeçado pelo ex-Criminal Minds, Shemar Moore, a série mostra a que veio em apenas 10 minutos de episódios.

Com cenas de ação espetaculares, S.W.A.T. te prende na tensão de tentar descobrir o que vai acontecer em seguida. E te surpreende nas cenas de ação inesperadas que dão um charme à mais para a série.

Imagem: CBS via AP

A história começa quando a equipe da S.W.A.T. de Los Angeles comete um erro durante um conflito com gangues de rua. Ao invés de almejar o bandido, o líder da equipe acerta um civil e negro. Foi a gota d´água para que começasse um confronto da população de guetos da cidade contra a polícia. A solução encontrada? Demitir o chefe e promover um policial negro, Daniel ‘Hondo’ Harrelson (Moore no papel que foi originalmente de Samuel L. Jackson). O ato da promoção de um negro para tentar abafar o caso foi algo de extrema importância para a trama, e completamente ligada ao fato de que a série se preocupou em tratar das diferenças raciais. Há mesmo diferença de patrulha entre bairros dominados por brancos e bairros dominados por negros? Seria isso o motivo de tanto confronto e, consequentemente, balas perdidas?



É muito legal ver uma série na CBS onde o formato padrão, dominado por brancos, é colocado de lado para termos um negro na liderança. De certa forma, a promoção de Hondo na série é um reflexo do que o canal está tentando fazer. Mas ao invés de olharmos por este lado, gratifico o canal por entregar uma trama tão amarrada e coesa, com o compromisso de tratar com seriedade este tema.

Além de centrar nesta perspectiva, ainda temos a introdução de um “novato. Jim Street, papel original de Collin Farrel, é aqui interpretado por Alex Russell em seu primeiro grande papel na TV. E essa dinâmica de orientador e pupilo deverá permear alguns episódios. Street é jovem, impulsivo e não mede consequências para conseguir seu objetivo. Já Hondor é o típico policial que segue o protocolo, mas que conquista o objetivo no final do dia. Resta saber se, ao longo desta nova trajetória, ele se manterá nesta linha.

Pelo o que podemos ver, Hondor está disposto a defender as pessoas da rua. Ele enfrentará a supervisão da S.W.A.T. diretamente, o que dá indícios de que ele poderá sair da linha. Mas, ao mesmo tempo, ele terá como objetivo moldar e transformar Street em um excelente membro da S.W.A.T.. Essa trama promete…

De cenas com os personagens pulando de prédios, com intensas perseguições a carro. Passando por paisanas em parques que se transformam em atentados com tiroteios. S.W.A.T. tem cenas para todos os gostos. Mas consigo enxergar um drama policial que vai além disso. Ele se preocupa em trabalhar a essência de seus personagens, as motivações e, principalmente, os objetivos que os guiarão. Ao final do episódio, você consegue se importar com eles e fica com vontade de saber o que acontecerá a partir dali.

Séries policiais podem, e devem, usar e abusar do recurso “caso da semana”. Mas não faz mal abordar a realidade por trás deste trabalho. Afinal, debaixo da farda há problemas, conflitos e casos pessoais que, certamente, interferem de alguma forma no profissional.

S.W.A.T. é um grande acerto da temporada e o desejo é que ela agrade o grande público. Ao invés de conquistar o título “de apenas mais um remake policial”, já consigo vê-la como “um drama policial relevante e necessário”.

Já estou na torcida para que ela mantenha a qualidade e consiga deixar sua marca na televisão.

Apesar de não ter estreia marcada no Brasil, a dica é correr para assistir. Entretenimento garantido…

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About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.