Sem Game of Thrones: quais séries deverão dominar o Emmy 2017?

Imagem: Variety/FX/NBC/Netflix/HBO/Divulgação

Não há dúvidas de que Game of Thrones foi um divisor de águas na TV. Ela conquistou uma audiência recorde para a HBO, lançou o estilo de fantasia épica para a televisão e reescreveu a história das indicações ao Emmy, tendo se tornado uma recordista de vitória na premiação. Porém, com o atraso do lançamento da temporada 7 – que só estreará em julho, a série ficará fora da corrida ao Emmy este ano. Para concorrer ao prêmio, as séries precisavam ser exibidas até a última semana de maio deste ano. Desta forma, será a chance de outros programas “fazerem a festa” nas categorias que, há tanto tempo, veem sendo dominadas pelo “trono de ferro”.

Com o gênero inaugurado por Game of Thrones, a ficção deverá dominar este ano no Emmy. A HBO, entretanto, não dará muito espaço para as concorrentes com um trunfo nas mãos: Westworld, série que estreou em 2016 e já se destacou no começo deste ano no Globo de Ouro. A série se torna elegível para várias categorias e tem tudo para ser destaque nos prêmios principais. Além disso, a Netflix tem também suas cartas nas mangas, principalmente com Stranger Things.

A academia que elege os prêmios do Emmy é uma caixinha de surpresa. Ao passo que já ignorou programas relevantes como Buffy e Battlestar Galactica, ela também já deu o prêmio de Melhor Drama para Lost em 2006. Além disso, The X Files e Twilight Zone também são nomes que se tornaram respeitáveis após as indicações ao Emmy, apesar de nenhuma delas terem realmente vencido.

Os produtores das séries que estão disputando uma vaga estão otimistas. “Eu sinto que  ‘Game of Thrones‘ é aquele programa que mudou tudo. Ele abriu as portas para todos nós, especialmente em relação à atenção dos prêmios”, disse Matt Duffer, co-criador de Stranger Things, em uma recente entrevista à Variety. “Para ser considerado a melhor série do ano? Quando há dragões e zumbis de gelo? Agora, finalmente, isso não vai importar. [Game of Thrones] quebrou a parede e tornou possível que estivéssemos na conversa [para disputar prêmios]”, ressaltou. Já a co-criadora de Westworld, Lisa Joy, credita “Thrones” com a série que ajudou a estabelecer um parâmetro em que “você não precisa ter uma série em que tudo é sobre verossimilhança e realismo, a fim de estabelecer uma conexão com um público muito visceral.”, comentou. “Você assiste uma grande série como Game of Thrones e como mulher, você fica ‘Vai Khaleesi! Mate! Arrase!’ Há algo tão excitante e imediato sobre isso.”, disse a produtora que trabalha na mesma emissora de GoT.

Fora os favoritos, podemos ter surpresas. Mas a Academia precisará se decidir: ousar em indicar estreantes como Legion do FX ou The OA da Netflix? São chances, mesmo que remotas. Mas tudo pode acontecer. E sobre as negligências? Será que The Leftovers e sua temporada final vão acabar ficando de fora – como já é rotina?

Isso tudo porque o gênero de ficção este ano terá um gigante em disputa que vem de um canal aberto. Sim, estamos falando de This Is Us. A série mudou todo o cenário ao trazer novamente a força dos dramas familiares, colocando a NBC em um patamar que ela não alcançava desde os tempos áureos de E.R. – Plantão Médico. É inegável a qualidade de roteiro e produção que This Is Us trouxe para a TV, e certamente é um nome forte que pode, inclusive, desbancar as categorias principais (falaremos exclusivamente delas em textos futuros). Mas imagina: não seria interessante ver um drama familiar desbancando todas essas séries? Isso já teria influência direta na premiação do ano que vem, onde This Is Us (que já está renovada para mais duas temporadas) enfrentaria diretamente Game of Thrones. Uma guerra que baterá qualquer inverno.

“Ao nos sentarmos para fazer a série, ficou claro que estes e outros problemas gigantes estavam no centro do show”, disse o criador e showrunner, Dan Fogelman, ao falar com a Variety sobre os temas como a adoção inter-racial, a perda de peso, o corpo ideal e a morte de uma criança que se tornaram norte para This Is Us. “Então, é claro que fizemos algumas pesquisas, trouxemos alguns falantes convidados para a sala de escritores e tentamos explorar esses temas de forma responsável e realista. Mas no final do dia, somos escritores e não sociólogos. Nós sentimos que conhecemos essa família, conhecemos esses personagens, então escrevemos como acreditamos que eles reagiriam ou se comportariam em determinadas situações”, destacou.

Este ano também pode ser o ano das séries históricas. The Americans do FX e The Crown da Netflix são exemplos claros disso. Peter Morgan, criador do programa e produtor executivo de The Crown, lembra a ampla expectativa de que a história da temporada 1 sobre o surgimento da jovem rainha Elizabeth seria uma meditação perfeita sobre o poder feminino, assim como a presidente Hillary Clinton se preparava para assumir o cargo.

“Estávamos fazendo uma série sobre uma jovem mulher tentando encontrar um caminho. Pensávamos que era uma alternativa refrescante para uma série de TV sobre a realidade de uma mulher que tentava conquistar o controle da Casa Branca”, ele brincou.

Mas tudo isso são apenas palpites. Ainda temos Homeland do Showtime, Underground da WGN, Mr. Robot do USA, Better Call Saul da AMC e House of Cards da Netflix – que foi lançada no último dia elegível para o Emmy, dia 30 de maio.

Teremos que esperar até o dia 13 de julho, dia em que serão divulgados os indicados à premiação que acontece no dia 17 de setembro. Até lá teremos tempo de sobra para confabular sobre os indicados, incluindo das demais categorias, que ganharão atenção especial aqui no Mix de Séries a partir da próxima semana.

Com a lista oficial, o cenário e as expectativas irão se consolidar. E aí, qual a sua série predileta dentre essas?

 

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About Anderson Narciso

Anderson Narciso
Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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