Sob Pressão e a triste realidade dos hospitais brasileiros

Imagem: Globo/Divulgação.

Não. A nova série médica da Globo não é uma versão econômica de Grey’s Anatomy. A série, que conta em seu elenco nomes como Julio Andrade, Marjorie Estiano, Bruno Garcia e Stepan Necerssian, mostra uma realidade muito diferente daquelas encontradas na maior parte das séries americanas.

Embalado pelo sucesso de E.R. (NBC), série médica de maior duração na tv americana (1994-2009), o gênero vem se tornando cada vez mais popular ano após ano. O catálogo de séries médicas conta com nomes como House (FOX), Chicago Med (NBC), Code Black (CBS) e, o grande hit atual, Grey’s Anatomy (ABC), que caminha para tirar o posto de E.R.

Entretanto, a série brasileira tem identidade própria para não ser uma cópia de outras produções. Em geral, os hospitais de séries como as citadas acima são extremamente bem equipados e contam com uma equipe muito bem preparada para atender os mais diversos tipos de situações: doenças contagiosas, cirurgias de risco, casos de vida ou morte, etc. Com isso, o foco do episódio fica em torno dos casos em si. Entretanto, se você já esteve num hospital público no Brasil é muito provável que se identifique com os dramas apresentados em Sob Pressão. Super lotação, falta de macas, falta de equipamento e profissionais, queda de energia, improviso. Tudo isso foi visto no primeiro episódio da série e é parte dos problemas encontrados em todo o país. Essas dificuldades encontradas no dia a dia, deixam o drama global muito mais próximo da nossa realidade.

A trama gira em torno do cirurgião Evandro (Julio Andrade) e da equipe médica de um hospital público do Rio de Janeiro. Evandro aparenta ser um homem bastante atormentado por dramas do seu passado, que entrega toda a sua fé na medicina e está disposto a fazer qualquer coisa para salvar a vida de um paciente, inclusive improvisar equipamentos. Para ele, uma vida não é mais importante que outra. Ao seu lado está a cirurgiã Carolina (Marjorie Estiano), religiosa e bastante dedicada. Além dos dois, Bruno Garcia interpreta o clínico geral Décio. Na chefia do hospital, o diretor Samuel (Stepan Necerssian), tenta, na medida do possível, conciliar o orçamento do hospital com todos os problemas enfrentados pelos médicos.

Cenas mostrando dezenas de pessoas basicamente largadas nos corredores do hospital e implorando por ajuda enquanto a pequena equipe tenta desesperadamente atender a todos despertam no telespectador seu lado mais humano e chocam àqueles que não tem contato com essa realidade da maioria dos brasileiros. Em seus primeiros 50 minutos, a série mostrou qualidade compatível as grandes produções do gênero. Com boas atuações do elenco e um bom trabalho de direção, o episódio entregou boas histórias e excelentes cenas de drama, nos fazendo criar vínculo tanto com a equipe médica quanto com os pacientes. A série tem potencial para ser um grande sucesso.

Obs.: vale lembrar que essa não é a primeira experiência da Globo com dramas médicos. No final dos anos 90, a emissora exibiu a série Mulher, que mostrava o dia a dia de uma clínica especializada no público feminino. Eva Wilma e Patrícia Pillar interpretavam as médicas protagonistas da série.

Sob Pressão e a triste realidade dos hospitais brasileiros

Nota do Episódio - 8.5

8.5

Resenha do primeiro episódio de Sob Pressão, série médica da Globo.

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About Matheus Ronconi

Paulista, universitário e viciado em séries. Gosto de um pouco de tudo, desde a simplicidade dos sitcoms da CBS até as grandiosas produções da HBO, passando por tudo que envolva super-heróis. No Mix faço review de Bates Motel, The Exorcist, The Big Bang Theory e Star Trek.
  • Eduardo Nogueira

    Eu acabei dormindo na metade do episódio, mas pelo cansaço mesmo, pois achei a série formidável. Com certeza irei acompanhar todas as terças, ou depois na internet caso eu venha a dormir no decorrer do mesmo. Só sei que é importante mostrar essa triste realidade dos hospitais brasileiros, de como a saúde é uma área precária e mal aproveitada, infelizmente, aqui no Brasil. Excelente texto, Matheus!

    PS: você citando uma das melhores séries nacionais que já existiu no fim da resenha <3