Star Trek: Discovery – Primeiras Impressões

Imagem: SpoilerTV.

Apesar da baixa repercussão na época de sua exibição original (1966-1969), Star Trek se tornou, com o tempo, uma das mais respeitadas séries de ficção científica de todos os tempos. Anunciada em 2015 como parte das comemorações pelos 50 anos da série original, Star Trek: Discovery é sexta série da franquia, sem contar a série animada de 1973.

Primeiras Impressões

Discovery em seu primeiro episódio não mostrou quase nada de diferente em relação às séries anteriores. Mas acho que a ideia nunca foi ser diferente mesmo. A franquia tem uma fórmula que vem funcionando nas últimas décadas. O “quase” é por causa do protagonismo feminino, que, embora não seja inédito, agora é bem maior do que antes, pois são duas personagens femininas no comando de uma espaçonave. E isso talvez seja o maior acerto da série. Em uma época onde se discute bastante a diversidade é legal ver um gênero que, durante muito tempo, foi dominado por um público masculino, dando espaço às mulheres. Falando mais dos personagens, é impossível não fazer comparações entre Bunrnham e Spock. Ambos foram criados pelo mesmo homem, mas  a primeira não parece ser tão racional quanto o segundo. E não poderia ser diferente: é a primeira humana a ser educada na língua vulcana. Essa combinação de culturas tão diferentes deixa a protagonista com grande potencial.

A ideia de, desde o primeiro episódio, deixar claro o antagonismo entre a Federação dos Planetas Unidos e a raça Klingon é um acerto da série. Agrada tanto os fãs mais fanáticos da série quanto os que acabaram de ser introduzidos ao universo criado por Gene Roddenberry. Tal relação antagônica (a organização da Federação e a rebeldia dos Klingons) faz parte de uma onda bastante usada tanto na tv quanto no cinema nas últimas décadas. Apesar de o governo, nesse caso, representar o lado bom da história (diferentemente do que acontece em Jogos VorazesStar Wars, por exemplo), é legal tentar entender os motivos que levaram os Klingons a se rebelaram após muitos anos de uma “Guerra Fria”. Tudo passa pela mão de um líder bastante influente sobre seus comandados e de uma espécia de sentimento nacionalista e de orgulho racial.

Outra coisa que merece ser destacada é a qualidade técnica desse primeiro episódio. Tanto nas cenas no planeta desértico, no começo do episódio, quanto nas cenas espaciais, o trabalho de fotografia foi muito bem feito, acima do que é esperado para televisão. Outra coisa que agradou foram os efeitos especiais, principalmente na caracterização das raças alienígenas, bem decentes para o orçamento televisivo. Resta esperar que a qualidade se mantenha nos próximos episódios.

No geral, Star Trek: Discovery apresentou um bom começo e, com o desenvolvimento correto dos personagens, tem potencial para ter vida longa.

Histórico da Franquia

Star Trek (1966-1969): a série mostrava a rotina da tripulação da nave USS Enterprise que desbrava o espaço em busca de novos povos e culturas. A equipe era comandada pelo Capitão James Kirk (William Shartner), que tinha o Sr. Spock (Leonard Nimoy) como seu braço direito. A ideia original era de que a missão deles durasse 5 anos, entretanto, devido a baixa audiência, a série foi cancelada em sua terceira temporada.

The Next Generation (1987-1994): 100 anos após os acontecimentos da série original, uma nova equipe está abordo de uma Enterprise. A nave era comandada pelo capitão Jean-Luc Picard (Patrick Stewart), que tinha como primeiro oficial o comandante William Riker (Jonathan). De todas as séries da franquia, essa foi a mais longa, com 178 episódios distribuídos em sete temporadas.

Deep Space Nine (1993 – 1999): a série também se passa um século a frente da série original, mas, dessa vez os acontecimentos se dão no interior da estação espacial e não mais em uma nave. A série contou com 176 episódios distribuídos em sete temporadas.

Voyager (1995-2001): boa parte da série foi exibida concomitantemente a exibição de Deep Space Nine e contava a história da tripulação da espaçonave USS Voyager, que, após ficar presa a 70 mil anos luz da Terra, parte para sua jornada de volta ao lar. Pela primeira vez na franquia, a capitã é uma mulher. Kate Mulgrew dá vida à personagem Kathryn Janeway. Assim como as anteriores, a série também teve sete temporadas (172 episódios).

Enterprise (2001-2005): diferente das séries anteriores, esse é o primeiro prelúdio da franquia. Os 98 episódios da série se passam 100 anos antes dos acontecimentos da série original. A série conta a história da tripulação da primeira Enterprise. Jonathan Archer (Scott Bakula) é o capitão da espaçonave.

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About Matheus Ronconi

Paulista, universitário e viciado em séries. Gosto de um pouco de tudo, desde a simplicidade dos sitcoms da CBS até as grandiosas produções da HBO, passando por tudo que envolva super-heróis. No Mix faço review de The Exorcist, The Big Bang Theory e Star Trek: Discovery.
  • Marcelo

    Simplesmente ridículo. Essa “necessidade” de auto-afirmação da mulher como protagonista, esse feminismo desesperado, desvirtua completamente as histórias.

    Havia muitas mulheres na série original, inclusive negras, em uma época que nos EUA o racismo dominava as mentes.
    A atriz negra Nichelle Nichols, que fazia a Tenente Uhura, serviu de inspiração para milhares de mulheres americanas negras, incluindo aí a Whoopi Goldberg, que foi ser atriz por causa dela. Além disso, Nichelle protagonizou o primeiro beijo “interracial” da história da TV americana, com o Capitão Kirk.
    Ou seja: que “machismo” havia, que precisava ser quebrado, com essa forçação de barra??

    Vai ser o maior fracasso de todos os tempos e entrará para a história como a extensão que puxou para baixo a fama e a qualidade da série original.

  • Valdir Cassio Rossi

    Concordo… assisti os novo episódios e estou tentando entender ainda a porcaria que fizeram com a série. Os Klingons são infantis, os personagens grotescos, fora do universo Star Trek, e todos os epsódios poderiam ser feitos num único epsódio duplo da Next
    A onda do “politicamente correto” que estraga tudo no mundo estragou também a Discovery!