The Rain: nova série da Netflix é mais do mesmo e serve apenas para passar o tempo

Imagem: Netflix/Divulgação

Nada de zumbis, o fim do mundo chega pelo céus na nova série da Netflix!

Nos últimos anos, a TV e as plataformas de streaming têm apostado bastante em produções pós-apocalípticas. The Walking Dead, The 100 e 3% são provas vivas de que, apesar das críticas, o gênero possui um público fiel. É esse público que, em sua maioria, será fisgado pela trama de The Rain, o novo drama apocalíptico da Netflix. Porém, a série não traz absolutamente nada de novo, e a impressão que fica é a de que estamos assistindo a um repeteco.

Primeira produção dinamarquesa da plataforma, The Rain pode ser facilmente associada com Dark, série alemã que conquistou o público no ano passado, mas as semelhanças se limitam à proximidade geográfica e à bela e fria fotografia exibida nos oito episódios disponíveis.

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O roteiro, pouquíssimo original apresenta logo no primeiro episódio as informações básicas que precisamos para compreender.

Em um dia aparentemente normal, a vida da jovem Simone (Alba August) é virada de cabeça para baixo quando seu pai, Frederik (Lars Simonsen), a tira da escola alegando que eles precisavam fugir antes da chegada chuva. A próxima cena mostra a família inteira em fuga para escapar de uma chuva tóxica que está causando a morte de várias pessoas.

Apesar dos contratempos na estrada, a família consegue se abrigar em um bunker subterrâneo pertencente à empresa que o pai trabalha. Mas os quatros não ficam juntos por muito tempo. Os pais logo saem de cena e deixam Simone e seu irmão pequeno, Rasmus, sozinhos. A única instrução que Simone recebe do pai é “Proteja seu irmão. Ele é a chave de tudo”. É dentro desse abrigo de alta tecnologia que a dupla permanecerá durante seis anos. Isso mesmo. SEIS ANOS.

Depois de tanto tempo isolados e quase sem comida, os irmão se veem obrigados a deixar o bunker e encarar o agora “desconhecido” mundo da superfície. Simone e Rasmus – que agora já é um adolescente (interpretado por Lucas Lynggaard Tønnesen) são surpreendidos por um grupo armado de sobreviventes em busca de comida.

Imagem: Netflix/Divulgação

A imaturidade e as emoções da juventude se destacam.

Movidos pela sede de respostas e pela vontade de sobreviver à hostil nova realidade, Simone e Rasmus acabam se unindo ao grupo formado por Martin (Mikkel Folsgaard), Patrick (Lukas Lokken), Beatrice (Angela Bundalovic), Lea (Jessica Dinnage) e Jean (Sonny Lindberg). Ao longo dos episódios, os personagens conseguem ser, ao mesmo tempo, os pontos fortes e fracos da série.

Se em outras produções do gênero, nós somos cansados pela trama que repetitiva e que anda em círculos, em The Rain, as coisas parecem acontecer rápidas demais. Em poucos episódios, o grupo consegue se meter em inúmeras situações um tanto quanto estúpidas e totalmente evitáveis que fazem qualquer seriador revirar os olhos.

Através da história particular de cada um desses sobreviventes, contadas através de flashbacks, há uma conexão com o público. As cenas do passado nos ajudam a entender os atuais sentimentos de cada indivíduo e geram empatia. A interação do grupo enquanto percorrem a cidade abandonada e fogem de humanos famintos também se destaca como um forte recurso da série. Romances, intrigas e descobertas. Todos os elementos de uma série juvenil também estão presentes aqui.

Com roteiro batido, The Rain acerta na boa execução.

O trunfo da série dinamarquesa talvez esteja na perfeita condução do clima de mistério. Sem exageros, a fotografia e a sonoplastia causam a sensação de perigo eminente, principalmente no “anúncio” do maior inimigo da história: a chuva. Nuvens carregadas e os sons da floresta estão sempre presentes nos planos, dividindo cena com os personagens. As perguntas, que não são poucas, tentam ser respondidas conforme o grupo, liderado por Martin e Simone, chega mais perto da verdade por trás da chuva mortal que os colocou naquela situação.

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A primeira temporada encerra em clima de tensão e no núcleo do grande problema, mas deixa novas perguntas no ar que só serão respondidas em uma possível segunda temporada.

Os furos são muitos e a sensação de “eu já vi isso em algum lugar” é constante. Se você conseguir ignorar esses pequenos obstáculos, com certeza vai encontrar em The Rain, uma boa série de “fim do mundo” para passar o tempo.

Nada de extraordinário, mas ok, também nada medíocre.

Crítica da primeira temporada de The Rain

Nota da temporada - 5.5

5.5

Crítica sem spoilers da primeira temporada de The Rain, disponível na Netflix com 8 episódios.

User Rating: 3.68 ( 27 votes)

About Italo Marciel

Italo Marciel
Cearense, 28 anos. Jornalista especialista em Assessoria de Comunicação. Viciado em séries desde que se entende por gente e apaixonado por cinema. O cara que fica feliz em indicar uma boa série ou um bom filme para os amigos.
  • Stig

    Não achei ruim, mas é como já dito “mais do mesmo”, e a inexperiência dos atores deixa a série um tanto quanto chata, e no desenrolar da trama usam exatamente tramas usadas em The Walking Dead, como o grupo da casa no meio da floresta. Ao final da temporada ficou difícil desenrolar algo com o que ficou, não me surpreenderei se for cancelada.

  • Achei desnecessária a parte em que eles param na casa daquela “seita” maluca!

  • João Claudio Schmidt

    a serie e excelente! opinião de merda!

  • Bruno Machado

    Nossa tantos “especialistas” querendo ganhar ibope com críticas polêmicas e sem fundamento. Ao ler tanto lixo não poderia deixar de comentar o quão merda é esta crítica. Se não consegue chamar atenção de outra forma, sugiro atualizar seus conceitos sem denegrir a imagem da série. Tem falhas e defeitos como tudo existente no mundo. Mas não diminui em nada o trabalho de excelência dos atores, criadores e roteiristas da série. Eu gostaria mesmo que vocês postassem o que consideram mais do mesmo e outros títulos de séries que desqualificasse a criatividade deste trabalho. Ninguém e nenhum trabalho nasce perfeito. Não compreender isso seria ignorância demais. Se fosse um trabalho digno de reconhecimento, não estariam no Netflix, que tenho certeza que possuem um crivo de avaliação muito mais coerente e seleto que apenas essa página aqui. Como público, acho que vocês merecem essa dica de selecionar melhor quem vocês escolhem para avaliar as séries. Se por um lado dizem que o trabalho de todos da série é amador, imagine o competência do cara que escreveu esta crítica. Lamentável.

  • A vontade é de ir pulando as cenas, ou desistir de assistir a série, pois é cada cena clichê, escolhas obvias mas que fazem ao inverso, etc.