Uma Fall Season para a casualidade

Imagem/Colagem: Fontes Variadas/Reprodução

Talvez esse seja um começo um tanto quanto duvidoso. Afinal, excentricidade não falta a esses textos, mas esse é um começo particularmente complicado. Primeiro porque parece algo absurdamente arrogante de se dizer, considerando que pouquíssima coisa nova realmente foi acrescentada. Contudo, essa Fall Season trouxe de volta algumas coisas que precisam ser discutidas.

Repensar a TV é sempre algo interessante, e algo particularmente recorrente nessas nossas conversas de domingo. Mas a Fall Season em si oferece uma oportunidade falar sobre coisas mais pontuais.

Tivemos, como era esperado, algumas estreais muito boas. The Good Doctor, Law & Order: True Crime, The Gifted e até Young Sheldon não deixam dúvida que essa, como qualquer boa season, chegou para deixar as nossas já bagunçadas grades bem mais cheias. Também não faltaram retornos que foram bons. Grey’s Anatomy e até mesmo – pasmem por me ouvir admitir – Gotham tiveram retornos que prometem uma temporada excelente. Claro, não podiam faltar retornos bem whatever, que nos fazem querer que a série já tivesse acabado – sim, How to Get Away With Murder, é para a sua premiere que estou olhando.

Então qual o motivo de estarmos aqui, se nada mudou? Simples. Essa é uma season que, agora que a perda de algumas finales já está mais tranquila, a tarefa que é preencher certos espaços na grade parece mais simples. Não só isso. Essa season deixou a escolha de Minerva de abandonar aqueles pilotos mais fraquinhos quase impossível. É também o momento em que trazer alguém para o divertido mundo das insanidades seriadoras ficou ainda melhor, afinal, é impossível negar que as produções que chegaram e retornaram parecem todas ter feito aquele “esforço a mais” para apresentarem qualidade.

Parece absurdo dizer tudo isso, principalmente quando, para todos os efeitos, esses fatores já se repetiram várias vezes antes. Mas dessa vez, e que fique claro, aqui entramos no terreno de uma especulação minha, com todas as loucuras que são possíveis e com a chance de todos os erros que esse tipo de suposição tem, a fall season trouxe algo a mais.

Nunca antes, uma Fall Season com tantas coisas boas possibilitava o assistir casualmente, algo que tem sido um dilema meu. Bem ou mal, eventualmente todo seriador esbarra nesse momento em que abrir seu Banco de Séries e ter 20, 30 ou até 70 séries ativas na grade – yup, já foi assim… #goodoldtimes – é simplesmente inviável. Não é que a qualidade das séries tenha diminuído. Menos ainda que deixem de existir boas produções. Eventualmente, a tal da vida real, que tem renovação garantida toda season, interfere no nosso momento de séries, o que geralmente nos força a encontrar maneiras alternativas e, muitas vezes, abrir mão da qualidade para continuarmos assistindo.

Logo, uma season que trouxe qualidade em todos os gêneros, em todos os formatos de consumo e, acima de tudo, que dá certa flexibilidade de qualidade para todos nós, é algo que simplesmente precisa ser celebrado. Depois de muito tempo tendo season que nos trazem produções que nos consomem (das mais variadas formas, nenhuma delas negativa), poder abraçar uma season com produções cuja qualidade e o consumo transcendem seu hype inicial e oferecem ao espectador não só tudo o que uma nova season costuma trazer, mas flexibilidade e casualidade… precisamos disso! A TV precisa de um fôlego para se reinventar que vai além das tramas, que toca diretamente no consumo.

Então, seja para acrescentar trocentas novas séries a sua grade, seja para voltar a assistir aquela veterana que você abandonou depois de uma temporada ruim, ou até mesmo para dar uma chance a uma série nova (ou a melhora de uma série cuja temporada começou mal – de novo, Murder, estou falando de você… até porque, está parecendo que vai melhorar), não deixe de dar uma chance a essa fall season. Agora que já tivemos um gosto de como ela será, parece seguro dizer que você não vai se arrepender.

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About Richard Gonçalves

Richard Gonçalves
Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.