Voltaremos em instantes

Imagem/Colagem: YouTube/Reprodução

Parece que ainda ontem estávamos comentando como a Fall Season prometia ser maravilhosa, cheia de novas produções interessantes, retornos muito aguardados e até mesmo a chance para que algumas produções tentassem se redimir por uma season ou uma finale não muito boa. E foi exatamente o que tivemos. Entre as estreantes, The Good Doctor, Law & Order: True Crime, Young Sheldon e até a recém-chegada série do Justiceiro fizeram excelentes estreias e continuam a entregar bons episódios.

Já nos retornos, o universo DCW, do TGIT e até mesmo séries como Once Upon a Time usaram a oportunidade do retorno para trazer tudo o que esperávamos e bem mais. Além disso, retornos notáveis, como segunda temporada de Stranger Things, decididamente fizeram dessa primeira metade da Fall Season algo notável.

Contudo, essa primeira metade já se aproxima do fim. Com o fim de ano finalmente chegando, o fantasminha do mini hiatus – que nem chega a ser hiatus para algumas produções, apenas uma pausa de fim de ano – que inquieta alguns fica cada dia mais próximo. Algumas produções já chegaram ao seu famigerado Winter Finale, nos deixando “órfãos” por algumas semanas e outras estão entregando seus mega crossovers  – you guys know who I’m talking about… – nos próximos dias.

Então, é inevitável pensar em como já chegamos aqui. Afinal, até para uma speed run, esses capítulos parecem ter nos deixado mais rápido do que o habitual. E isso finalmente me dá a oportunidade de escrever mais alguns absurdos sobre um fenômeno que tem definido a eterna disputa “assistir/não assistir” para mim. E estamos falando da casualidade.

Afinal, embora muitas outras situações tenham discussões muito mais pertinentes para nos oferecer, essa ainda é minha abordagem favorita. Com tanta plasticidade nas formas de consumo e novas tramas surgindo a cada dia, a pausa de fim de ano passa de uma maldição para quem vai encarar o hiatus da série favorita, esse momento oferece ao espectador algumas semanas para descobrir uma nova série, para rever uma série antiga, para se deliciar com uma maratona daquela série que você deixou acumular até aqui.

E tudo isso reforça a ideia do que já tenho repetido algumas vezes. Para roubar do poeta, outrora muita coisa não servia para a realidade, e agora a realidade não serve para muita coisa. Tudo o que vemos, tudo o que temos sido confrontados, todos os questionamentos… a maré de coisas que nos atinge todos os dias é simplesmente demais. Mais ainda quando pensamos que, até e principalmente, que o entretenimento é o lugar pra onde nos voltamos para escapar dessas coisas. O que fazer então quando essas coisas tomam o entretenimento também?

Não podemos nos voltar para as questões de originalidade ainda. Elas são um outro cansaço e algo para se resolver a parte. Não podemos nos queixar mais do formato ou da quantidade, já fizemos isso também. Como então reagir a tudo isso? São esses momentos, em que qualquer espaço para esses pensamentos surgem que dão a crítica um desafio, o melhor deles: fazer sentido.

Então ao nos espantar, assim como o coelho que esqueceu de olhar o relógio mais uma vez, com essa certeza de efemeridade e do adiantar do tempo já nos vemos numa situação complicada. E quando acrescentamos tudo isso que já debatemos antes, como resolver? A falha, mais uma vez é a resposta. Absorva a “hiper” realidade um pouco de cada vez. Preencha esse tempo, esse espaço de consumo. E não se espante! Mais uma season, com muitas outras aventuras, já se avizinha e olhe que nem chegamos no fim desta ainda. Já chegamos até aqui… what could go wrong?

Comments

comments

About Richard Gonçalves

Richard Gonçalves
Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.