007 Contra Spectre e a renovação do personagem de Ian Fleming

Spectre James Bond

 

James Bond está de volta – mais uma vez. O novo filme da franquia 007, Spectre, acaba de estrear nos cinemas provando que o agente secreto mais famosos do mundo tem fôlego de sobra, mesmo protagonizando uma franquia que já dura mais de 50 anos.

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Neste longa, a organização Spectre, vista pela primeira vez em 007 contra o Satânico Dr. No., está de volta em cena, liderada pelo personagem interpretado por Christopher Waltz. Em uma trama que amarra todos os filmes estrelados por Daniel Craig, o roteiro – que as vezes parece andar em marcha lenta -, entrega um texto que fecha todos os arcos abertos nos últimos anos. Entretanto, se a história parece pecar em alguns sentidos, em outros, ela dá um show.

A cena de abertura no México – em plano sequência -, é uma das mais belas introduções nos filmes de James Bond. O diretor Sam Mendes elevou o nível da produção, e agora não dá para aceitar coisa menor do que isso. A interação entre os personagens, incluindo M, Q e Monneypenny são um charme à parte. Claro que temos ainda, apetrechos, carros, explosões e as belíssimas bondgirls Léa Seydoux e Monica Bellucci, que completam o pacote essencial para todo o filme de 007. O tema de Sam Smith não é lá um dos melhores (depois de “Skyfall” da Adele, fica difícil tornar qualquer outro tema de James Bond icônico), mas elementos bons no filme é o que não faltam.

Christopher Waltz na pele do vilão de Spectre (Divulgação).

O vilão de Waltz foi bem aproveitado, apesar de ter pouco tempo de tela. Mas resgata um dos maiores símbolos da antiga franquia do 007 e, ao mesmo tempo, mostra uma história nunca antes contada. Descobrir as origens da Organização Spectre é um prato cheio para qualquer fã. Ainda mais quando a história envolve um certo alguém que anda para lá e para cá com um gatinho persa.

Spectre pode sim se afastar ainda mais do conceito original desenvolvido por Ian Fleming nos anos 1950, mas é a prova viva que, velhas forças ainda prevalecem. Em um ano que o cinema foi rodeado de revivals, remakes e continuações de clássicos, o novo filme de James Bond relembra que ainda há espaço para bom e velho espírito de espionagens. Mesmo que agora eles tenham que lutar contra tecnologias sequer pensadas por seus autores anos antes.

Aliás, o universo original em que James Bond foi criado acabou sendo tema de uma minissérie produzida pela BBC. Fleming (2014), estrelada por Dominic Cooper, conta história do autor de 007 e como ele na verdade projetou um mundo para os livros que ele mesmo fazia parte. Obviamente que a vida de Fleming não foi tão charmosa como a de Bond, nem com belas mulheres e muitos menos carros e apetrechos que sempre salvavam a vida do agente. Mas, é possível ver que aspectos da vida de espião que Fleming vivenciou durante o período da Segunda Guerra Mundial inspirou diversos detalhes que hoje são marcas registradas de 007 – incluindo o “Martini, batido e não mexido”.

Fleming: The Man Who Would Be Bond (BBC)

Fleming: The Man Who Would Be Bond possui apenas quatro episódios, e é uma excelente pedida para quem curte ação, suspense e principalmente, é fanático pelos filmes de James Bond. Apesar do formato dos longas do agente influenciar e muito a narrativa da série, percebemos que, na verdade, há uma mente por trás de Bond, que é um autor começando a vivenciar a Guerra Fria e com muitas histórias que poderiam cativar o público – e que de fato cativaram!

A franquia de James Bond obviamente já esgotou os títulos escritos originalmente por Fleming, mas a cada filme prova que, é possível reinventar um personagem tão icônico quanto 007, e Spectre mostra mais uma vez o porque esta franquia provavelmente durará ainda por um bom tempo.

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, criador de conteúdo, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias e resenha séries semanalmente.

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