11.22.63 – 1×05 – The Truth

The Truth 11.22.63 MAIOR

Imagem: Variety

 

Com um episódio anterior bastante deficiente quanto a questões de grandes cenas, momentos moráveis e ganchos apelativos, 11.22.63 colocou sua história em espera para desenvolver algo surpreendente e que pouquíssimos shows conseguem fazer direito atualmente – romance. Por incrível que pareça, o roteiro conseguiu esquentar a velha baboseira entre o mocinho e a mocinha, adicionar um tempero interessante, e nos brindar com algo substância que provou a finalidade de tal trabalho.

The Truth 11.22.63 Menor

Imagem: Entertainment Weekly

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Em The Truth, temos a continuação dessa proposta, mas sem deixar as histórias paralelas paradas, pois para você ter uma ideia, por mais tímida que tenha sido sua abordagem, falar de violência doméstica e escancarar o fato de que mais de cinquenta anos depois, tudo continua praticamente a mesma coisa, foi uma estratégia vencedora, visto que ajudou o roteiro a justificar o porquê de terem dado um tratamento tão expressivo para as amarrações finais do tal segredo que o ex-marido guardava.

Tal atenção que o plot teve, mostra também uma qualidade singular no texto desta série, uma vez que estamos acostumados com a tentativa de muitos roteiristas criarem inúmeros tentáculos de possibilidades, mas que não conseguem terminar da maneira que gostariam e concluem tudo no lugar comum, ou até mesmo no incoerente. Em 11.22.63, vemos o inverso disso, já que o roteiro se comprometeu com essa narrativa no passado e agora mostra que sabe como termina-la, mas com um fator de surpresa e de coerência.

O elenco é, novamente, empoderado com diálogos fortes e cenas igualmente poderosas. James Franco sobe cada vez mais no meu conceito, por saber interpretar sem maneirismos mesmo que a direção possa, eventualmente, lhe propor pequenos ajustes no tom. Odiei a participação de T.R. Knight aqui, porque sei o que o ator é capaz de fazer, levando em conta seus tempos de Grey’s Anatomy The Good Wife, todavia, reconheço que seu trabalho fundamental para elevar a qualidade de Sarah Gordon, inexpressiva até então. 

Com uma retórica pontual sobre o descontrole do uso da segunda emenda da Constituição americana já em 1963, 11.22.63 consegue demonstrar que sabe falar sobre tudo, desde a boa e velha “água com açúcar”, passando por problemas sociais dos Estados Unidos, em 1960, até mesmo a história propriamente dita. Entretanto, a três episódios do fim, tenho certeza que essa minissérie conseguirá trazer ao telespectador a melhor parte do livro, que por incrível que pareça, ainda está por vir.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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