13 não é mais o número da sorte

Fall Season 2015

Fall Season 2015

 

É tempo de reordenar a casa. Depois de estrear a maior parte da programação prevista para a fall season, chegou a hora em que as emissoras definem o futuro de suas atrações: quem vai e quem fica.

Continua após a publicidade

Um bom indicativo disso sempre foi a encomenda de episódios. Logo nas primeiras semanas é bastante comum vermos as grandes redes se manifestarem sobre o número de scripts a serem produzidos – principalmente para quem ganha ciclo completo, os tão desejados 22 episódios. Para atender à lista sempre crescente de desafios que as emissoras estão enfrentando nesta temporada, o corte nos pedidos iniciais tornaram fatos recorrentes entre as novas séries. E esse é só o começo do que pode abalar os padrões de ordem para o desenvolvimento no próximo ano.

A NBC encurtou três comédias, duas das quais ainda não estrearam (Truth Be Told, Hot & Bothered e Superstore), e o drama The Player. A Fox alterou o pedido de Minority Report e Lookinglass, enquanto a ABC diminuiu os episódios de Blood & Oil após uma estreia decepcionante. Os executivos citaram variações de agendamento como a razão para a maioria dos cortes, ao invés de falta de fé nos shows. À medida que as redes oferecem mais da programação original e menos repetições no horário regular, o cronograma das temporadas completas ficam mais complicados, haja visto o número de pilotos encomendados. Com mais séries rodando na programação durante todo o ano, há menos necessidade de um maior número de episódios para cada uma – a não ser que um show tenha uma importante comercial como Empire, é claro.

Durante décadas, os 13 episódios iniciais têm sido o padrão para a nova série na TV aberta. Mas agora esse número tornou-se arbitrário, considerando o momento em que os recursos de produção e comercialização precisam render para toda grade da programação. Agora, seis a dez episódios se torna suficiente para avaliar o desempenho, a criatividade e – o mais importante – buzz nas mídias sociais. Isso também é reflexo de um novo comportamento do espectador, que exige da emissora um sistema mais criterioso e que permita programas mais originais a cada temporada.

Com base na experiência deste ano, as redes tendem a se tornar mais conservadora em fazer encomendas de episódio para novos shows no próximo ano, ainda mais porque as decisões de corte não são nada baratas. Quando isso acontece, uma negociação segue com o estúdio para cobrir os custos de produção atribuídos aos episódios terminados. Além disso, a rede deve cobrir eventuais obrigações com o elenco e equipe – como diretores ou estrelas de alto escalão para comandar uma série no horário nobre, por exemplo. Em Hot & Bothered por exemplo, mesmo com o corte de dois episódios, Eva Longoria recebeu por 13, como determinado inicialmente. Ou seja, nada barato.

Há também um potencial efeito cascata no exterior, com os estúdios aumentando as taxas para compradores internacionais de shows com 13 episódios. No entanto, essa regra se tornou mais flexível nos últimos anos por causa da variedade de emissoras da TV a cabo e sua programação original, nas quais o normal é manter de oito a dez episódios por temporada.

Dez é o novo preto e devemos nos preparar para temporadas cada vez menores. Aquela famosa bolha do cancelamento, que já apontava o sinal vermelho quando a encomenda de episódios caia, precisa modernizar os seus métodos porque a TV se reinventa para continuar existindo. Em tempos que em o binge-watching se fortalece, audiência e permanência não são grandezas diretamente proporcionais.

Equipe Mix

Equipe Mix

Perfil criado para realizar postagens produzidas pela equipe do Mix de Séries.

No comments

Add yours