14ª temporada de Chicago PD pode repetir o erro que mais afastou fãs da série

Erro que mais afastou os fãs ao longo dos anos poderá ser repetido na 14ª temporada de Chicago PD.

A 14ª temporada de Chicago PD ainda nem estreou, mas comentários recentes da produção já começaram a preocupar parte do público. O motivo envolve justamente uma decisão criativa que muitos fãs da franquia One Chicago vêm criticando há anos e que, ao invés de desaparecer, seguirá como base da narrativa.

Segundo a showrunner Gwen Sigan, a série policial da NBC continuará apostando no formato de episódios centrados em “um personagem por vez”.

A princípio, isso parece positivo. Afinal, Chicago PD sempre funcionou muito bem quando mergulha profundamente em personagens como Hank Voight, Atwater ou Ruzek. O problema é que essa estrutura começou a criar um desgaste enorme dentro do drama policial: grandes acontecimentos emocionais surgem com força e depois praticamente desaparecem da narrativa.

Chicago PD transformou grandes traumas em histórias descartáveis

A série acompanha a Unidade de Inteligência lidando diariamente com violência, corrupção e crimes pesados nas ruas de Chicago. Só que, nas últimas temporadas, muitos desses acontecimentos perderam impacto porque a série simplesmente não dá continuidade emocional aos próprios personagens.

Atwater talvez seja o exemplo mais claro disso. Na 13ª temporada, o personagem descobre que será pai. A trama parecia abrir espaço para uma transformação importante na vida dele, mas a gravidez de Tasha praticamente desaparece durante vários episódios. Quando a história volta, no entanto, tudo parece retomado do nada, como se o tempo simplesmente não tivesse passado.

Indo nesta esteira, Ruzek sofreu exatamente do mesmo problema após a morte do pai. O episódio envolvendo Bob Ruzek foi um dos momentos mais emocionais recentes da série. Só que, logo depois disso, o drama desaparece quase completamente. Não existe espaço para o luto respirar. Não existe acompanhamento psicológico. Não existe consequência emocional duradoura.

E talvez o caso mais simbólico envolva justamente Hank Voight. Ao longo dos anos, o personagem carregou perdas enormes envolvendo Al Olinsky, Anna Avalos e até a saída de Hailey Upton. Só que boa parte desses traumas acaba sendo rapidamente absorvida pela estrutura procedural da série. Voight sofre intensamente durante um episódio, mas pouco depois já volta a funcionar quase como se estivesse emocionalmente intacto. O público não esqueceu esses traumas. A série sim.

Problema da série não está nos personagens, mas na falta de continuidade

Talvez o aspecto mais frustrante seja perceber que Chicago PD ainda possui um dos elencos mais fortes da franquia Chicago.

Jason Beghe continua sustentando Voight como uma das figuras mais intensas da TV aberta americana. O elenco segue funcionando muito bem individualmente. Muitos episódios isolados continuam excelentes.



Só que o formato adotado pela série acaba quebrando a sensação de progressão emocional.

Enquanto Chicago Fire e Chicago Med conseguem espalhar consequências emocionais ao longo da temporada inteira, Chicago PD frequentemente pausa sentimentos, abandona conflitos e muda completamente de foco no episódio seguinte.

Quando a série abandona essas consequências, os personagens começam a parecer emocionalmente congelados.

14ª temporada corre risco de ampliar desgaste entre fãs

O curioso é que os fãs não reclamam dos episódios focados em personagens. Esse nunca foi o verdadeiro problema.

O que parte do público sente falta é continuidade emocional. Quando alguém perde um familiar, atravessa um trauma ou enfrenta mudanças gigantes na própria vida, existe uma expectativa natural de acompanhar o peso disso nos episódios seguintes. Sem essa construção contínua, muitos arcos começam a soar descartáveis, mesmo quando envolvem acontecimentos enormes.

E pelas declarações da produção, a sensação é que Chicago PD seguirá insistindo exatamente no formato que mais vem dividindo os fãs nos últimos anos.



14ª temporada de Chicago PD pode repetir o erro que mais afastou fãs da série
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.