15 anos de As Panteras: a tentativa de resgatar um clássico da TV

As Panteras

 

Era uma vez três garotinhas bem diferentes uma da outra… que cresceram e viraram três mulheres bem diferentes mas com uma qualidade: estrelaram a tentativa de ressuscitar uma das maiores séries de sucesso da década de 1970. Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore toparam o desafio e em 2000 estrelaram As Panteras (Charlie’s Angels), uma espécie de remake do programa de TV produzido pela ABC.

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É engraçado como a década de 2000 foi recheada destas tentativas – algumas não tão bem sucedidas, de refilmarem séries de TV para o cinema, e As Panteras pode ser considerado a pioneiro. O longa dirigido por MCG, mostra três mulheres que trabalham para um investigador particular, e que resolvem missões que dificilmente seriam resolvidas por pessoas comuns.

Entretanto, o longa acaba se desligando muito do material original. Voltando na década de 1970, Charlie’s Angels era uma série mais centrada nos casos da semana, preocupada em ser uma série policial. Farrah Fawcett dividia tela com Jaclyn Smith e Kate Johnson. A beleza, claro, era a estrela do show, mas o seriado sabia como ninguém fazer as três moças trabalharem muito bem, em uma época que a TV tinha de se virar com o que dava.

As Panteras do Século XXI tinham a missão de atualizar a história, trazendo um bom orçamento na bagagem, o que pode ter tirado o filme um pouco dos trilhos. Acabou por se tornar caricato ao banalizar recursos como as máscaras humanas, utilizadas brilhantemente em Missão Impossível, ou exagerando nas brigas e efeitos especiais, que faziam as panteras darem saltos quase que impossíveis. Tudo isso acrescentando o fato de que as Panteras de agora não usavam arma de fogo. Então, a luta corporal era o principal fator usado por elas.

Na história em que as Panteras tinham de desvendar o sequestro de um bilionário, o charme feminino foi bastante explorado, podendo o qualificar até como um filme um pouco machista, reduzindo as vezes a figura da mulher para aquela que conseguia tudo usando o seu corpo. Mas o filme também exalta o poder da mulher em outros sentidos, portanto, equilibrando um pouco sua maneira de qualificar o sexo em questão.

Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore acabaram se tornando um ponto positivo do filme, interpretando panteras originais, sem a menor referência às clássicas. E se saíram muito bem. Cenas como a que lutam com o “Homem Magro Assustador”, ou a que elas se disfarçam de homem para entrar num cofre super protegido é hilária, e com certeza se tornaram o ponto alto do longa.

Completando o time, Bosley interpretado por Bill Murray foi uma escolha acertada, apesar de em certos momentos do filme, o ator parecer um pouco desconfortável em cena. Mas Murray sempre foi competente em suas tarefas, e o ajudante das Panteras conseguiu absorver muito bem o significado do seu personagem.

Por último, a tão merecida homenagem a série clássica ficou por conta de Charlie Townsend, o chefe das panteras, que foi dublado John Forysthe, o mesmo ator que dublou o personagem na série original.

O longa acabou ganhando uma sequência em 2003, que foi não foi tão bem sucedido e aceito pela crítica, tendo exagerado ainda mais os fatores que já estavam carregados no primeiro filme, o que pode ter matado a franquia um pouco cedo.

Mas Drew Barrymore se mostrou tão envolvida com o assunto, que em 2011 acabou produzindo um remake da série para a ABC, mas, por se assemelhar demais ao estilo dos filmes, a série pode não ter dado o resultado esperado, acarretando no cancelamento da série por volta do sexto episódio.

Tudo isso pode ser um indício que talvez, seja melhor mantermos um clássico quietinho em seu lugar. A série dos anos 1970 é uma obra prima da TV e merece todo nosso apreço. Não por isso, também devemos lembrar com carinho deste filme, que marcou uma geração e apresentou a história para os mais novos que não vivenciaram a primeira versão.

E lá se vão 15 anos… E dá até uma saudade!

 

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, criador de conteúdo, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias e resenha séries semanalmente.

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