Todo mundo tem aquela série que marcou uma fase da vida. E, nos primórdios do streaming, a Netflix foi responsável por criar verdadeiras febres culturais — produções que dominaram as redes sociais, inspiraram teorias e geraram maratonas madrugada adentro. Mas com o passar dos anos (e a avalanche de novos lançamentos), muita coisa acabou caindo no esquecimento.
A seguir, relembramos 5 séries que foram gigantes na Netflix, mas que hoje quase ninguém mais comenta. Se você sentiu saudades só de ler os nomes, talvez seja hora de revisitar.
1. Anne With an E (2017–2019)

Inspirada no clássico Anne of Green Gables, a série canadense conquistou fãs ao redor do mundo com sua estética delicada, diálogos poéticos e temas surpreendentemente atuais. Anne Shirley encantava por sua imaginação vibrante e sua luta por um espaço em um mundo hostil para meninas sonhadoras.
Apesar do carinho do público, Anne With an E foi cancelada após três temporadas, deixando muitos arcos em aberto. O fim abrupto gerou campanhas e abaixo-assinados pelo mundo, mas sem sucesso. Hoje, a série vive mais na memória dos fãs nostálgicos do que no algoritmo da Netflix.
2. Sense8 (2015–2018)

Antes de Round 6, Wandinha ou Bridgerton, a série mais ousada e internacional da Netflix era Sense8. Criada pelas irmãs Wachowski (Matrix), a ficção científica conectava oito pessoas de diferentes partes do mundo através de uma ligação psíquica intensa, que os fazia compartilhar habilidades, memórias e emoções.
A diversidade do elenco, a trilha sonora poderosa e as cenas memoráveis (alô, “What’s Up” da 4 Non Blondes) transformaram a série em um símbolo da representatividade LGBTQIA+ nas telinhas. O cancelamento, após duas temporadas, gerou um clamor tão grande que forçou a plataforma a produzir um episódio final especial para concluir a história.
Mas, passados os anos, Sense8 virou uma lembrança de um tempo em que a Netflix ainda apostava no experimental com coração.
3. House of Cards (2013–2018)

O que dizer de House of Cards, a primeira grande produção original da Netflix que ajudou a definir o que seria uma “série de prestígio” no streaming? Com Kevin Spacey como o maquiavélico Frank Underwood e Robin Wright como a elegante e ambiciosa Claire, o drama político teve seus dias de glória — e chegou até a disputar (e ganhar) prêmios importantes.
Mas o escândalo envolvendo o ator principal abalou a reputação da série, e a última temporada, já sem Frank, sofreu com críticas negativas. O desfecho acabou sendo ofuscado pelos bastidores, e o que era uma produção icônica hoje raramente aparece nas listas de “melhores séries” — mesmo tendo sido essencial para o sucesso inicial da plataforma.
4. The OA (2016–2019)

Poucas séries foram tão diferentes (e ousadas) quanto The OA. Criada e protagonizada por Brit Marling, a trama misturava ficção científica, filosofia, realidades paralelas e dança interpretativa numa narrativa que desafiava qualquer explicação simples.
A série dividia opiniões, mas cultivou um fandom fiel e apaixonado, especialmente após a surpreendente 2ª temporada. O cancelamento, no entanto, foi abrupto — e até hoje gera indignação. Apesar disso, The OA parece ter sumido do radar, deixando apenas ecos enigmáticos e um culto silencioso de quem ainda acredita que um dia a “Parte III” vai acontecer.
5. 13 Reasons Why (2017–2020)

13 Reasons Why foi um fenômeno instantâneo quando estreou. Baseada no livro homônimo, a série chocou ao abordar com crueza temas como bullying, depressão e suicídio. A primeira temporada gerou debates no mundo todo, escolas se posicionaram, psicólogos comentaram, e a Netflix adicionou avisos antes dos episódios.
Com o passar das temporadas, no entanto, a série se afastou de sua proposta inicial e mergulhou em tramas cada vez mais dramáticas e desconexas. O que era para ser uma minissérie virou um drama adolescente esticado até a quarta temporada, com uma recepção cada vez mais morna. Hoje, 13 Reasons Why está longe da comoção que causou, mas segue como um marco do impacto (e da responsabilidade) das produções juvenis.