Preacher – 1×10 – Call and Response [SEASON FINALE]

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Muitos truques bons. Muita capacidade de enganação. Uma adulação, nos momentos certos, ao telespectador (coisas do tipo ler o roteiro de um episódio decente na Comic Con). Tudo isso, somado a uma falta de qualidade espetacular e um gerenciamento muito arriscado da estória para uma primeira temporada, resultando numa combinação de “tanto faz” com “foda-se” que não cativa realmente para assistir, mas que acomoda o espectador o suficiente para não ser abandonada. Esta é a melhor maneira de definir Preacher, seja como temporada ou como Season Finale.

“Call and Response” começa errado. Sim, porque quando alguém promete que trará Deus a cidade, você meio que coloca isso na sua agenda, e espera que isso seja o foco central do episódio. Mas, seja pela aparição da versão da série para Homer Simpson (atualmente a serviço de Quincannon) ou pelo showdown entre Tulipa e Jesse na casa de Donnie sobre o destino de Carlos – nossa, ficou com cara de “Quadrilha”, do Drummond – o que importa é que o episódio mais uma vez se desvia de nossas expectativas para mostrar aquilo que serve melhor ao episódio, mais uma vez, em detrimento do público.

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Imagem: Arquivo Pessoal

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Claro, a trama de Jesse e Tulipa decidindo o que fazer com Carlos foi sim bem apresentada. Já sabíamos que ele havia traído e abandonado o casal, e sabíamos também que Tulipa estava caçando-o. Gostei que a moça tenha trazido ele de volta para forçar Jesse a decidir junto com ela o que fazer. Gostei que tenha sido colocado um bebê como motivador extra na história, dá mais profundidade psicológica ao side plot. Achei sim fantástico que os dois tenham acertado as diferenças, que Tulipa só quisesse levar Jesse a tomar a decisão, mas não realmente fazê-lo matar Carlos, e adorei a ideia de “caçada” dos dois. Foi tudo bem feito, teve seus toques de western e foi uma cena bem Texas. Assim como foram as cenas do Xerife Root. Mesmo assim, nem o xerife praticando tiro no vampiro nem esses dois caçando Carlos é o que realmente queríamos ver, então fica meio óbvio que essas coisas, que poderiam ter sido resolvidas antes ou até mesmo numa próxima temporada, foram trazidas meramente para preencher o espaço do contador de horas entre Jesse e a “chegada” de Deus.

Criticismo deixado de lado, ADOREI o side plot. Até mesmo Jamie Anne Brown – a esposa de Donnie – estava em sua melhor forma, e foi impagável vê-la ensinar Jesse a usar a “hot line” dos anjos. Pode ser o “efeito finale” – a terminologia que estou testando para explicar como as premieres e finales parecem ser muito melhores do que toda a série, mas só na primeira ou segunda vez que vemos o episódio (salvo várias exceções) – mas toda a combinação acabou sendo muito boa, na medida do possível.

O encontro com Deus também foi uma das coisas mais engraçadas que a série já fez. A congregação ter comparecido toda, a placa da igreja, e até mesmo Odin Quincannon fizeram sua parte para preparar a entrada dessa sequência hilária. E embora parte de mim quisesse que acontecesse instantaneamente, pela primeira vez, ao “enrolar” um pouco, a série fez uma boa escolha, porque a surpresa de todos foi uma das muitas cerejas do bolo desta cena.

Foi algo único que, não só Deus tenha aparecido, usado trechos de sua aparição na HQ junto com a Vovó Custer e silenciado Odin e todos os outros. Muito pouca coisa no que toca a comédia superará Tulipa respondendo e gritando com o Todo Poderoso – palavrões inclusos – acusando-o de ter feito o bebê chorar e ainda por cima, enfatizando que ele é um cara branco.

É claro que era só mais uma farsa perpetrada pelos arcanjos para esconder a verdade que os fãs dos quadrinhos já conheciam: Deus está desaparecido. Mesmo assim, foi inacreditável o quanto Mark Harelik – lembram do Dr. Gablehauser dos primeiros anos de The Big Bang Theory? Ele mesmo! – conseguiu convencer.

Finalmente Annville conheceu seu fim. Finalmente Jesse, Tulipa e Cassidy estão na estrada. Finalmente o Santo dos Assassinos disse o seu infame “Preacher” e começou sua caçada a Custer. E é claro, finalmente a temporada chegou ao fim. E embora a finale não pague os pecados da série até aqui, nem apague o fato de que tivemos que aturar muita coisa para chegar até aqui, Preacher chega ao fim da primeira temporada com a promessa simples de se tornar um guilty pleasure de verão. Afinal, é disso que a Summer/Mid Season é tradicionalmente feita. Besides, a chance de que Preacher se transforme em algo capitular, numa busca por Deus feita em capítulos individuais ou em arcos de dois ou três episódios é suficiente para convencer uma boa parcela de nós a voltarmos para uma próxima temporada. Então, vejo vocês lá!

P.S.: Mais alguém queria a resposta para “What did you do to the dinosaurs?!”?

Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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