A conceitual abertura de Desperate Housewives

Fazem dez anos que Desperate Housewives estreou, e até hoje muito se lembra da série. Não é a toa que diversos dramas que surgiram depois, tentaram (e tentam) ser a “nova Desperate Housewives“, como é exemplo de Astronauts Wives Club (a série nem estreou, e já querem que ela tome o vazio deixado pelas donas de casa de Wisteria Lane).

Não é novidade que muita coisa da atração – que foi um hit nas suas oito temporadas – ficou como marca registrada, e um deles é a icônica abertura. Como o objetivo central do drama de Marc Cherry é a mulher, não é para menos que a figura feminina ia ser bastante explorada nos créditos iniciais.  A abertura é, literalmente, uma obra de arte e uma viagem à história do mundo, da vida privada e da mulher. Vale a pena assisti-la.

A primeira mulher mostrada é Eva, a mãe da humanidade na Mitologia Cristã. E na montagem, ela faz sua vingança com Adão, já que é tida como culpada por ele ter comido a maçã da serpente. As imagens lembram as representações de Adão e Eva, feitas por Lucas Cranach, o velho, no século XV, em plena era Renascentista.

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Adao e Eva

 

Em seguida, aparece o símbolo da feminilidade no mundo Antigo, as rainhas do Egito. A mais conhecida foi Cleópatra, mas dentre várias como Nefertiti, criaram hábitos que as mulheres fazem até hoje, como pintar as unhas. Mas a realeza logo se “desespera” quando os filhos sucumbem sua beleza. É um indicativo do que era ser mulher nessa época: procriação.

 

Egito

 

O casal Arnolfini, de Jan van Eyck, estampa a sequencia da abertura, com a típica dona de casa, que varre limpa e engravida, enquanto o homem trabalho. A pintura do século XV, em sua concepção, foi uma imagem do cotidiano no matrimônio e as funções do homem e da mulher no casamento. Tão detalhista e cheio de mistérios como a trajetória das mulheres de Wisteria Lane.

 

Casal Arnolfini

 

O ponto alto, na minha opinião, vem a seguir com a representação de Gótico Americano, obra de Grant Wood, e a Pin Up Girl, de Gil Elvgren, mostrando que mulher não é só barriga no fogão, e uma figura abaixo do homem. Ela também é sensual, e está pronta para “enlatar” o modelo patriarcal da família.

Gótico Americano

 

A partir daí, a mulher ganha mais destaque na sociedade, passa a ocupar outras funções que não só a dona do lar, e a lutar pelos seus ideais e pela sua família, como a moça dos anos des 1940 e 1950, no auge da Segunda Guerra Mundial. No meio disso tudo, a montagem também faz referência à famosa Campbell’s Soup Cans, de Andy Warhol. Por fim, a mulher protagoniza a cena passional do “tapa na cara”, com as pinturas de Robert Dale.

 

Enlatados

 

tapa

 

Por fim, as donas de casa desesperadas fecham a abertura, segurando a “maçã” de cada uma. Cada representação artística é uma das protagonistas da série. Qual é a sua sugestão de correspondência?

Para terminar, assista à abertura, que durou apenas três temporadas, mas ficou eterna na trajetória da TV.

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Equipe Mix

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