A estreia da quarta temporada de Veep

Veep especial

“There are literally no words” pra expressar o quanto essa série é excelente e a já reconhecida improbabilidade de que ela um dia chegue a nos decepcionar. No episódio de estreia de seu quarto ano, Veep nos mostrou que ainda consegue ser efetiva e original em suas tiradas cômicas, sem perder sua essência e a identidade que a consagrou como uma das melhores comédias do nosso tempo.

No início do episódio, podemos estranhar um pouco o clima no escritório de Selina Meyer. Agora Presidente dos Estados Unidos, é notável a diferença de espírito e a dinâmica entre ela e sua equipe, sobretudo em relação às duas primeiras temporadas. Gary não está mais tão próximo de Selina como antes ele tão orgulhosamente se gabava de estar. Ele e seu famoso leviatã, não podem mais acompanhá-la em todos os lugares e fica perceptível como o personagem se tornou, proposital e, muitas vezes, literalmente, deixado de lado. Amy, agora coordenadora da campanha que Selina ainda mantém para a presidência, também não está mais tão presente para gritar com seus antigos subordinados, ocasionando um pouco mais de diferença no equilíbrio previamente conquistado no gabinete da então vice-presidente. Temos também que nos acostumar com a presença de novos personagens, que também afetam um pouco o andamento das coisas, mas que passados alguns segundos já perfeitamente se adequam ao ambiente.

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Se a terceira temporada já representou uma grande diferença para a Veep que conhecíamos, focando menos nas trapalhadas da vice-presidente e mais em sua campanha à presidência, agora além da campanha, temos também que nos habituar às mudanças de posições, tanto de Selina quanto de sua staff e demais integrantes do partido. Antes nossa eterna V.P. não era levada a sério e teve de ouvir de mais de uma pessoa que ela não tinha poder algum. Doyle era um desses. E agora ela é a pessoa mais poderosa do mundo e ele o vice-presidente sem poder algum, correndo pelos corredores no melhor estilo Selina das primeiras temporadas. A série está sabendo dosar e administrar sua evolução e desenvolvimento, diferente de boa parte das séries do gênero, e além das risadas, ela nos reserva também uma grande expectativa pelo que vai acontecer com Selina e companhia futuramente. Será que ela vai contrariar todas as probabilidades e se garantir na presidência por mais quatro anos depois do fim desse mandato?

E aí entramos no campo das suposições e acredito que vale o questionamento do quão drástica e definitiva seria essa mudança. Afinal, a partir do momento que Selina se estabelece como presidente, o próprio título da série deixa de fazer sentido. Por outro lado, eu não consigo enxergar um cenário em que ela volte a ser vice-presidente, já que é pouquíssimo provável que ela aceite assumir esse posto em uma eventual administração de Chung ou Thornhill. Então já podemos supor que o título ficará apenas como uma lembrança carinhosa de como tudo começou? Só nos resta esperar pra ver.

Outra mudança que teremos ao final dessa temporada e dessa vez extremamente desagradável, é a saída do criador Armando Iannucci, anunciada uns dois dias antes da estreia dessa quarta temporada. E pela primeira vez alguma coisa me faz duvidar da capacidade da série de manter esse nível durante todo o tempo de sua existência. Veep é marcada por suas, até então, infalíveis particularidades. Tudo que a envolve possui uma característica única, que a torna tão admirável e diferenciada. E o fato de tudo se encaixar tão perfeitamente, também a torna frágil, como se qualquer ponto que sucumba aos conceitos tradicionais de comédia, possa colocar tudo a perder. Por exemplo, eu já cogitei que poderia haver uma espécie de romance entre Amy e Dan, mas desisti da ideia por achar que isso comprometeria essa identidade forte que a série construiu. Então mesmo que a comédia da HBO passará a ser comandada pelo respeitado David Mandel, de Curb Your Enthusiasm, tenho minhas dúvidas de que a série se manterá nesse nível, sobretudo tendo a longevidade como mais um ponto que costuma resultar em queda de qualidade.

Enfim, abrimos essa temporada com mais um excelente episódio no melhor estilo Veep, com a impagável cena do discurso e outros pontos dignos das temporadas anteriores que eu assisti vezes demais para contar. E já me imagino fazendo o mesmo com essa. O fato é que a série tem um enredo tão competente e um elenco tão entrosado, comandado pela cada vez mais sensacional Julia Louis-Dreyfus, que não importa o que a produção nos reserva para o futuro ou o quanto a saída de Iannucci vai afetá-la, “we’ll be ready for that future…whatever”.

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