A familiaridade de Gilmore Girls

Gilmore Girls

“Where you lead, I will follow…”

Impossível não se sentir nostálgica com a mera lembrança dessa abertura, mesmo para quem assistiu à série há pouco mais de um ano. Gilmore Girls transmite esse sentimento, de saudade de algo que a gente não viveu. A série tem uma sensação familiar, confortável, que não importa quando, como ou com quem a assistimos, sempre terá aquele clima de tarde de outono em casa com a família. Hoje completam exatos oito anos que o último episódio foi ao ar e a série recebe nossa mais do que merecida homenagem.

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Com personagens peculiares e inesquecíveis na aconchegante cidadezinha de Stars Hollow, a dramédia da The WB/CW, criada Amy Sherman-Palladino e exibida por sete temporadas, é a típica série que toma conta da nossa vida, que em sua simplicidade e equilibradas doses de humor e drama, é para quem nós sempre queremos correr depois de um dia cansativo e pela qual trocamos qualquer programa de sábado à noite. Uma série tão leve e divertida, que faz com que uma maratona de sete temporadas passe com incrível rapidez, deixando aquela vontade de assistir tudo de novo.

Gilmore Girls 3

Gilmore Girls conta a história de Lorelai Gilmore e sua filha Rory, a qual concebeu aos 16 anos de idade e criou sozinha, com praticamente nenhuma ajuda do pai de menina ou de seus pais, dos quais se distanciou devido à discordância deles com as escolhas da filha. Quem acompanhou os sites de séries nesse Dia das Mães, deve ter percebido que é quase unanimidade que Lorelai seja a melhor mãe da televisão – e não é para menos. E também é pouco discutível que ela seja uma das melhores personagens femininas de todas as séries, seja pela pessoa e mãe que ela é ou pelos seus comentários espirituosos, que tornam cômicas quaisquer situações. A proximidade que Lorelai conquistou com a sua filha é uma relação invejável que nem pode ser contestada com o argumento da ficção, porque não é difícil reconhecer a efetividade e aplicar esse “método” exemplar de maternidade, que se baseia, basicamente, em dois simples aspectos: amizade e confiança. E esse é só um dos ensinamentos que podemos tirar de Gilmore Girls.

Apesar de ser uma série aparentemente comum e despretensiosa, trouxe algumas singelas lições, que podemos levar para a vida tanto quanto os melhores quotes de Lorelai. Alguns personagens podem soar meio exagerados e caricatos, característica comum a esse tipo de série, mas se observamos a essência deles, podemos sentir uma profunda identificação. A compulsão por livros de Rory, o amor por música de Lane, o vício em café de Lorelai, o perfeccionismo e competitividade de Paris… Isso para quem, como eu, estava na idade de se identificar com alguns aspectos dessas personagens específicas, mas Gilmore Girls ainda proporcionou uma vasta possibilidade de personagens bem construídos cujos dilemas muitos estavam vivendo e outros ainda viverão.

Gilmore Girls 2

Muitos dizem que a série perdeu um pouco o rumo nas últimas temporadas e pode até ser que as duas últimas não tenham sido tão bem sucedidas quanto as primeiras, mas nunca deixou de ser uma infalível opção de diversão e entretenimento e encerrou honrando um dos seus principais atributos: mostrar, na prática, mulheres independentes, sem aquela necessidade de companhia masculina que muito vemos em outras séries, aquele desespero em estar ou ficar sozinhas. E a série fez isso sem nenhuma pretensão ativista ou nada disso, só estava ali, na essência das personagens, sobretudo em Lorelai e Rory. Um exemplo disso é que Rory não “ficou com alguém no final”, mas permaneceu seguindo seus próprios objetivos, que sempre existiram e nos quais sua mãe sempre a incentivou, principalmente por ela mesma não ter tido a mesma oportunidade.

Gilmore Girls não é aquela série impactante, com um diferencial que a faça chamar a atenção pela sinopse, mas o motivo de até hoje nós lembrarmos dela e amarmos essa série, de ficarmos perplexos quando sabemos de alguém que ainda não assistiu e praticamente exigirmos que maratonem imediatamente, é o efeito que ela exerce sobre nós, um apego sem motivo específico, mas que evidentemente permanece quando continuamos usando gifs de Lorelai para expressar nossos sentimentos ou quando participamos do Rory Gilmore Book Challenge. O fato é que jamais esqueceremos de Stars Hollow, das reuniões da cidade, da lanchonete do Luke, da banda da Lane que contou com ninguém menos que Sebastian Bach, da nossa torcida por Dean ou por Jess ou por Logan, da nossa raiva e eventual simpatia por Emily Gilmore, de Sookie e Jackson, de Kirk, a Paris que aprendemos a amar, a guerra com quem se atrevia a dizer que preferia a Lolerai com o Chris (confesso que pensei nisso)… Mas, principalmente, fica a certeza de que não passaremos por essa vida sem assistirmos essa série completa mais algumas vezes.

Equipe Mix

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