A importância do crossover na TV

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Imagine que os personagens de suas séries favoritas pudessem transitar por um universo expandido e compartilhado. Imagine se Tony Soprano tivesse de resolver negócios em Albuquerque e, ao entrar em um bar, encontrasse Walter White. Os dois poderiam trocar algumas ideias e seguir, cada um, seu caminho. Imagine se Frank Underwood, presidente dos Estados Unidos em House of Cards visitasse o presídio de Orange is the New Black para que pudesse criar um projeto que melhorasse o sistema carcerário do país. Não me refiro a Jesse Pinkman aparecendo em Better Call Saul, que faz parte do mundo de Breaking Bad; refiro-me a séries de diferentes canais e até mesmo de diferentes épocas convergindo.

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É um passo adiante que a televisão pode dar aumentar sua audiência. Veja por exemplo o prometido crossover entre Supergirl e The Flash, dois programas de emissoras diferentes. É uma alternativa interessante para levar público às duas séries: os fãs de uma podem se atrair pela trama da outra e assim todo mundo sai feliz. É uma abordagem para que os produtores contornem as eventuais crises e consigam evoluir. É possível que no futuro a indústria fique mais maleável e permita essas convergências. Hoje, porém, a coisa é mais complicada, visto que crossovers acontecem geralmente entre séries do mesmo criador ou da mesma emissora.

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O poder de um produtor

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Supergirl e The Flash são, realmente, de emissoras diferentes, mas não se empolgue, pois a reunião dos heróis não chega a apontar uma nova fase na TV. Para início de conversa, a CW faz parte do grupo CBS e ambos os show são produzidos por Greg Berlanti, um dos produtores mais poderosos em atividade. Interessante seria se um dos policiais ou bombeiros de Chicago PD ou Fire fossem socorridos por Meredith em Grey’s Anatomy. Seriam séries de emissoras diferentes, criadas e produzidas por pessoas diferentes.

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Veja bem, Shonda Rhimes e Dick Wolf são dois dos produtores mais poderosos da televisão americana. Unir forças levaria os fãs à loucura, reuniria duas fanbases poderosas e garantiria audiência para todos. A concorrência, porém, prejudica. Enquanto os grandes executivos dos canais continuarem preocupados apenas com os números, a televisão seguirá segmentada.

Vamos além: imagine que um dos médicos de Grey’s Anatomy tivesse que ser representado judicialmente por um dos advogados de The Good Wife. Nenhuma trama afetaria a mitologia central de cada série, apenas reuniria personagens interessantes e alegraria os fãs dos programas. É claro que algumas séries não permitem aberturas tão grandes. Não vejo muitos crossovers possíveis em séries de TV à cabo, por exemplo. As mitologias destes programas da televisão fechada são tão definidos e autossuficientes que um crossover seria forçado e quebraria a realidade do programa.

Em tempos como este, os crossovers poderiam reanimar séries em decadência e catapultar o sucesso de algumas estreias. Ao invés de criar mais e mais programas e de refilmar cada vez mais filmes e séries, os produtores poderiam trabalhar com o que tem em mãos, tendo a liberdade de trabalhar em um universo em ampla comunicação. Pessoas como Greg Berlanti, portanto, são de suma importância neste processo. O produtor já comandou pequenas joias intimistas como Everwood e hoje possui seis grandes sucessos sob sua supervisão. É possível dizer que quase todos os heróis da televisão hoje em dia estão sob o seus cuidados. Com tanto respeito e poder em mãos, Berlanti deu um passo importante ao reunir duas de suas crias. Resta saber se outros nomes também vão querer ver suas criações interagindo entre si.